Segunda escola a desfilar na Sapucaí nesta noite de quinta-feira, a Inocentes de Belford Roxo apresentou o enredo “A meia-noite dos tambores silenciosos”, sobre um rito de preservação da tradição afro-brasileira, que ocorre anualmente no carnaval de Recife. Em desfile pelas ruas da capital pernambucana é celebrada a liberdade e os espíritos ancestrais ao silêncio dos tambores.

A agremiação da baixada fluminense trouxe para o seu desfile a entidade Oyá, na qualidade de Oyá Igbalé, que é ligada à ancestralidade e aos Eguns. Trata-se do primeiro orixá invocado na celebração retratada pelo enredo da Inocentes, estando presente na comissão de frente, na ala das baianas e no carro abre-alas.

O abre-alas da Azul, Vermelho e Branco trazia na parte superior da alegoria, uma caprichada escultura de Oyá Igbalé, toda vestida de branco. Na parte frontal, havia uma grande escultura da cabeça de um búfalo, que passou pela avenida do samba soltando fumaça pelas narinas.

O carro tinha a predominância da cor vermelha, possuindo nas laterais dez esculturas de dentes de marfim com um búzio nas pontas. O destaque central, Marcos Lerroy, veio com uma luxuosa fantasia branca e prateada simbolizando um babalorixá. O destaque mais acima, Satu Salgueiro, representava as borboletas de Oyá.

A alegoria, batizada de “Tambores para o ancestrais”, estava grandiosa e muito bem acabada. Reginaldo Gomes, presidente da escola, explicou ao site CARNAVALESCO que Oyá Igbalé é a entidade responsável por fazer a comunicação entre o aiyé (céu) e o òrum (terra), trabalhando com a energia das pessoas que já morreram.

As composições do abre-alas vieram em cima dos “queijos” laterais, que simbolizavam atabaques africanos, entre as esculturas de dentes de marfim, com uma fantasia dourada e vermelha, com muito glitter e alguns búzios. Na cabeça, uma coroa dourada com penas listradas em branco e preto dava um toque especial à fantasia delas.

Ana Lúcia, 46 anos, trabalha na prefeitura de Belford Roxo e confessou estar emocionada antes de entrar na Sapucaí. “Depois de dois anos, com tudo parado, com essa pandemia. Graças a Deus estamos voltando com força total, com muita garra, muita felicidade… É uma sensação inexplicável”.

A servidora pública Tatiane Nunes, 46 anos, também estava ansiosa para o desfile da Inocentes. Terceiro ano saindo pela escola, ela elogiou a temática do enredo e comentou a importância de se respeitar as mais diversas religiões. “Eu respeito todas as religiões, tenho a minha fé, independente de religião, eu acredito em todos”.

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