A escola da Zona Sul não está de bobeira. Ela pede e merece muito respeito. A dupla de cantores, Maninho e Leozinho Nunes, encaixou perfeitamente. O primeiro deu sustentação para todo o talento do segundo. O carro de som e a bateria formam um porto seguro da preta e amarela. Junior Scapin caprichou na comissão de frente. Abriu muito bem o mini-desfile entregando no ponto no alto para toda apresentação. * VEJA FOTOS

“A responsabilidade de cantar Paulo Gustavo é uma das maiores possíveis. O Brasil e o mundo inteiro o amam. Quando o Renatinho falou que o enredo novo era ele, eu fiquei impressionado. A gente se prepara o ano inteiro. A São Clemente nos dá suporte para fazer o melhor trabalho possível. Se o desfile fosse amanhã, a escola já estaria preparada. Se agora temos mais dois meses, é crédito. Quanto mais você ensaia, menos erros se tem na Sapucaí. Vai ser o melhor desfile da história da São Clemente”, comentou o intérprete Leozinho Nunes, em entrevista ao site CARNAVALESCO.

“Eu estava com saudade desse calor humano. Nós ficamos um ano sem trabalhar. E hoje eu vi o pessoal tirando foto, reunido. É muito gratificante. Às vezes o público nem te conhece, mas tá ali te dando um incentivo. Isso é muito legal. Cantar Paulo Gustavo é um misto de emoções, porque ao mesmo tempo que a gente lembra o legado que ele deixou, eu me emociono pela perda. Mas nossa ideia é passar o que ele deixou, alegria e irreverência. A São Clemente vai fazer de tudo para fazer um ótimo carnaval em nome dele”, completou o cantor Maninho.

O casal de irmãos Pessanha, Vinicius e Jack, demonstra muito elegância na dança. “Todos nós estávamos com sede de carnaval, o público queria se reencontrar com as escolas, e pudemos sentir essa emoção nos olhos do povo. A energia foi muito boa, o público estava muito receptivo. Foi uma honra dançar na Cidade do Samba neste momento. Ficamos especialmente felizes por várias razões: por termos vencido a pandemia e estarmos com saúde, por termos a esperança de que teremos carnaval e por estrearmos na defesa do pavilhão clementiano”, disse a porta-bandeira.

“Eu achei muito importante (o evento) porque, pela primeira vez, eu vi uma democratização na Cidade do Samba: as pessoas puderam comprar o ingresso e participar dessa festa”, celebrou o mestre-sala.

A homenagem para Paulo Gustavo mexeu com o público, através do samba-enredo de 2022, a São Clemente conseguiu um rendimento muito parecido com o feito em 2015, quando homenageou o carnavalesco Fernando Pamplona. “Eu acho que ficou bom para a cidade. Eu acho que o carnaval não podia passar em branco em uma época tão importante. O carioca está feliz porque é isso que eles querem, eles querem só brincar. Não tem nada rolando dinheiro não, está rolando só alegria mesmo. É festa para o sambista total. A São Clemente vem muito forte. A preparação está agora toda terça e sábado. Terça eu estou fazendo no estacionamento e sábado é show comercial, bastante gente. O enredo Paulo Gustavo ajuda muito. O personagem ajuda muito. O foco é totalmente para a família. Fazer um desfile para a família e para o público. É isso aí que a gente tem que fazer. São Clemente não está há 60 anos no mercado à toa. O desfile é para o Paulo Gustavo, é uma homenagem”, afirmou o presidente Renato Almeida Gomes, o Renatinho.

Destaque para a Fiel Bateria, mestre Caliquinho, tem nãs mãos os ritmistas. “Ainda tem uma surpresa que a gente vai mostrar lá que a gente não mostrou aqui. Maneiro ver a cidade do samba volta a ser o que era antes. Vários shows que tiveram aqui. A gente fazia parte dos shows que tinham aqui. E, ver essa multidão aqui cantar o samba, a rapaziada do samba, e você passar aqui com a São Clemente e a galera bater palmas, reverenciar, cantar junto com a escola, isso emociona para caramba e dá um gostinho do que a gente vai mostrar na Sapucaí. A expectativa é grande, poder botar a galera em peso, botar uns 200 a 250 ritmistas na rua. As comunidades das adjacências de Copacabana, Botafogo, Flamengo que gostam da São Clemente e querem ir para a rua com a São Clemente. É uma escola de família, a gente não tem patrocínio, é uma escola que vem na garra, cada vez mostrando, cada ano que passa vem mostrando a garra de Botafogo, a garra da Zona Sul. Antigamente, a gente tinha a escola sendo tratada como ‘vai cair’, mas não está mais assim não, as coisas mudaram, não é que a bandeira está pesando tanto, mas um dia ela vai pesar”, garantiu o comandante da Fiel Bateria.

Participaram da cobertura: Alberto João, Allan Duffes, Gustavo Maia, Leonardo Damico, Lucas Santos e Rodrigo Madureira

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