Quem me contou essa foi o lendário e saudoso mestre-sala da Portela, Benício, primo e companheiro de Wilma Nascimento, em tantas glórias. Dizia ele que o azar do Bibiu, ex-presidente de ala, foi ter-se apaixonado por uma fã do Roberto Carlos. Bibiu era um mulato alto, cabelo black power; e ela, filha de alemães, uma loura de olhos verdes, que vagavam
romanticamente pelo infinito quando ouvia as canções do Rei.

Um dia, para desespero do Bibiu, a loura bateu pé e saiu para assistir a um show do Roberto. O mulato teve uma crise de ciúmes e resolveu apelar. Misturou colorau, erva doce, orégano, alpiste, água e sal, virou o copo e, maquiavelicamente, espalhou a solução macabra na penteadeira. Parecia formicida, estricnina, uma receita do diabo.

Foi o que a loura imaginou quando chegou em casa, horas depois. E teve certeza imediata do “suicídio” quando viu Bibiu estirado na cama, fingindo-se de morto.

Entrou em parafuso, chorou e se disse arrependida por aquele vacilo momentâneo. Trocaria tudo no mundo, inclusive o Roberto, para ter o seu Bibiu de volta.

Emocionado, o sambista abriu os olhos, deu um largo sorriso e disse: – Você me ama!

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