Na década de 60, quando as paradinhas da bateria da Mocidade eram a sensação na Avenida, a maioria das Agremiações resolveu criar a sua bossa também.

Com a Vila Isabel não foi diferente. Já na semana do Carnaval, Mestre Vrande resolveu aderir à moda. Reuniu seus batedores e expôs o projeto:

– É o seguinte: quando a gente se aproximar do palanque dos julgadores, vou dar um apito e todo mundo para de tocar. Logo depois, vou apitar duas vezes; o repique entra e vem todo mundo no embalo. Entenderam?

Não foram precisos muitos ensaios para deixar a rapaziada bem entrosada.

No dia do desfile, porém, esqueceram de passar as instruções para o Wilson, o tocador de pratos, um mecânico de automóveis que morava na Baixada e não podia frequentar os ensaios, por causa da distância.

Quando a bateria da Vila se aproximou da cabine dos jurados, mestre Vrande apitou. Todo mundo parou, menos o Wilson, que não sabia de nada. Continuou tocando pratos freneticamente, fazendo malabarismos espalhafatosos no asfalto.

Mestre Vrande gelou. Mas não teve outra alternativa, senão instruir, discretamente, que Wilson continuasse o seu solo. À saída da cabine, apitou duas vezes; o repique entrou e, com ele, os demais instrumentos. O julgador de Bateria não se conteve. Ficou de pé, aplaudindo e gritando, vibrando com o show:

– Bravos! Bravos! Bravos! – e deu uma nota 10, rasgada de elogios. Wilson virou herói.

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