Por Gustavo Lima

Com exatamente uma semana do carnaval, a atual campeã Mancha Verde realizou nesta última sexta-feira seu último ensaio técnico no Anhembi visando a preparação para o carnaval de 2020. O treino foi marcado pelas atitudes do presidente Paulo Serdan, tanto na concentração, como no meio da pista. Primeiro, no discurso antes da entrada da agremiação na pista, ele liberou a comunidade para se divertir, passar na avenida sem responsabilidade alguma, pediu para o componente brincar, até solicitou que as marcações de espaço das alegorias fossem removidas, deixando apenas a do abre-alas. Segundo, com a escola já na pista, pouco depois de a comissão de frente passar do recuo de bateria, o carro de som e a bateria fizeram uma “paradona”, deixando a comunidade cantar a uma só voz, e logo depois, Serdan pediu para parar tudo para fazer um discurso, o que é bem incomum nos treinos.

A escola parou por inteira na pista, e o presidente disse que, geralmente, o componente dá o seu máximo até o recuo, mas muitos não sabem que até lá só tem a existência de uma torre de jurados, e depois do recuo, possui mais três torres. Sendo assim, ele pediu que a escola tirasse um algo mais do seu canto após o recuo, e obteve um retorno imediato com aplausos da comunidade. Tudo começou de novo, com a introdução do samba e a bateria subindo logo depois. E, de fato, a escola atendeu o pedido e fizeram com que o quesito harmonia fosse o quesito destaque da noite.

“Foi mais um ensaio gostoso, no qual a gente teve a convicção de que a comunidade está cantando bem, porque quando a bateria parou o povo continuou cantando, e é muito do que a gente vem conversando, de repente pode acontecer algum problema, ter uma pane de som na avenida e eles não se assustaram, mostrou que nossa comunidade está bem centrada. Sobre a parada, a gente já fez isso uma vez, é importante porque a maioria das pessoas acabam entendendo e a gente sentiu a necessidade de mostrar que nós temos três jurados depois do recuo. Nós temos uma grande descarga de emoção na concentração, as pessoas entram em uma pegada forte e chega aqui no meio, dá uma relaxada, e isso é perigoso. Estamos com todo trabalho finalizado, é muita coisa, a gente está grande e eu particularmente gosto mais desse projeto do que o do ano passado, vamos brigar pelo título e o que vai acontecer lá dentro é outra situação, mas trabalhamos, investimos e ensaiamos pra isso”, disse o presidente Paulo Serdan.

Samba-Enredo

O samba tem uma letra reflexiva, com o intuito de passar uma mensagem de paz para quem está ouvindo, além de possuir uma melodia impactante, alegre, e que permite o componente se divertir na pista. A obra foi bem conduzida pelo intérprete Fredy Vianna, mostrou muito entrosamento com seus cantores e com o time de cordas, que interagiu na melodia em algumas partes do samba.

“A Mancha Verde já vem fazendo grandes ensaios na quadra, e nosso ensaio técnico foi muito positivo. É lógico que nosso presidente pediu pra retirar as marcações das alegorias, deixou o pessoal bem livre, e o que eu posso falar é que nossa evolução e harmonia está dando um show, nossa escola está cantando muito forte, e isso é um ponto muito positivo. Depois que fomos campeões, a comunidade já começou a acreditar no bicampeonato, a comunidade está formada, canta e vibra como ninguém e hoje a Mancha Verde é uma escola grande. Sobre a parada, meu presidente é maluco, ele faz essas coisas e dá certo, porque como ele falou, o ensaio é pra essas coisas, parou pra dar um recado muito importante pra comunidade, dizendo que os setores ainda são julgados depois do recuo. Casou muito o entrosamento com a bateria do mestre Guma, é uma grande pessoa, um maestro e eu sou maluco com a minha ala musical e ele tem uma bateria dinâmica, deu um casamento perfeito e vamos arrebentar na avenida”, declarou o intérprete Fredy Vianna.

Bateria

A bateria de mestre Guma, que é estreante na agremiação, trouxe um andamento mais cadenciado e bossas bem executadas, com todos os instrumentos sendo bem escutados. As caixas e os surdos de terceira ditaram o ritmo da bateria, sendo os naipes mais notórios na Puro Balanço.

“Eu acho que o ponto positivo foi a questão do canto, a galera está participando muito no quesito harmonia. A bateria passou dentro da proposta que a escola precisa, depois a gente vai poder avaliar melhor. A relação com a comunidade está sendo a melhor possível nesse meu primeiro ano, a Mancha é uma família, todo mundo é muito acolhedor, tenho um carinho enorme já por eles, estou muito feliz e grato. Parar o ensaio é realmente quebrar um tabu, parar a evolução da escola pra dar uma motivada, dar um gás e colocar as palavras certas, foi muito bom, uma sensação inexplicável”, contou o diretor de bateria, mestre Guma.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Marcelo Luiz e Adriana Gomes, trajados em verde e branco, evoluíram fazendo sua coreografia pela pista inteira, mesmo fora da visão da torre dos jurados. Por conta do forte vento, a porta-bandeira Adriana, em determinados momentos, teve uma certa dificuldade de controlar o pavilhão, não deixá-lo enrolar, mas logo conseguiu controlar a situação. O casal mostrou muita simpatia e sincronismo em todos os movimentos realizados, fizeram um bailado seguro e não houve erro grave neste último treino.

Harmonia

Foi o quesito destaque da noite. A comunidade da Mancha Verde cantou em todos os setores, ainda mais depois das palavras do presidente Paulo Serdan no meio do ensaio. É nítido a felicidade dos componentes com o enredo e samba da escola. O intérprete Fredy Vianna, como de característica, jogou muito o samba para a comunidade cantar e a resposta dos integrantes da escola foi imediata.

Evolução

A escola veio bem descontraída neste ensaio. Com o comando do presidente Serdan, os componentes tiveram a oportunidade de brincar neste ensaio, desfrutar do carnaval, sem a responsabilidade total de ocupar os espaços que é exigido no regulamento, pois segundo o presidente, houve muitos ensaios com bastante pressão e não teria problema tal fato ocorrer neste último treino. Os harmonias até removeram as marcações das alegorias, para possibilitar que o componente tivesse mais espaço para se divertir.

Comissão de Frente

A ala veio com uma espécie de vestido na cor marrom em seu figurino. A comissão optou por uma coreografia, realizada por integrantes que aparentam representar uma espécie de guardiões, no qual uma mulher, que interage com o público, é protagonista. A ala vem com um tripé que não tem muita utilidade, mas que aparentemente, no dia do desfile, deve representar alguma escultura apresentando o que vem pelo desfile.

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