O Tucuruvi abriu o Carnaval 2022 do Grupo Especial de São Paulo com o enredo “Carnavais… De lá pra cá o, que mudou? Daqui pra lá, o que será?”. O desfile foi marcado pelo forte canto da comunidade, uma comissão de frente que emocionou, onde homenageou todas as escolas do Grupo Especial e, principalmente, pela crítica social feita. Os carnavalescos Dione Leite e Fernando Dias, conseguiram desenvolver isso de uma forma lúdica. Todos conseguiram entender a mensagem. Vale destacar as inúmeras vezes que sambistas e outras agremiações foram lembrados na apresentação. As fantasias foram de fácil entendimento. A escola optou por não usar nenhum tipo de luxo. Por fim, o ‘Zaca’ fez um desfile técnico, justamente para tentar se manter no Grupo Especial, visto que voltar e ser a primeira de todas, desfilando na pista ‘fria’, não é uma tarefa fácil. A apresentação da agremiação fechou com 1h04m. * VEJA FOTOS DO DESFILE

Comissão de frente

A ala da escola, lidera pelo coreógrafo Fernando Lee, veio simbolizando a mensagem: “A força da nossa raiz ninguém pode calar”, contando com 15 dançarinos. Desses integrantes, 14 representavam ‘os guardiões do legado’ e um deles, a ‘força da ancestralidade’. A fantasia foi composta por uma saia e uma cauda. Nessa saia, dentro da apresentação, ela abria e o grupo se alinhava e, juntos, formavam a frase ‘sou resistência’ e, na cauda, havia uma abertura, onde o efeito se dava em um pavilhão de todas as escolas. Cada componente da ala trajado com o símbolo de uma escola de samba do Grupo Especial nesse costeiro. Um ótimo efeito que arrancou muitos aplausos do público presente no Anhembi.

Para a abertura dos desfiles, realmente foi algo que de se reverenciar, pois essa questão se identifica muito com tudo que o carnaval passou atualmente também. Além de ter sido uma abertura para a apresentação do Tucuruvi, de fato, passou a sensação de ser uma abertura para todas as escolas pisarem na pista nos desfiles que estão para acontecer.

Mestre-sala e Porta-bandeira

O casal Luan Caliel e Waleska Gomes, representando “A forma mais pura de alegria”, bailaram de maneira satisfatória. A fantasia era leve, e isso fez com que a porta-bandeira pudesse realizar os seus movimentos no sentido horário e anti-horário sem problemas. O mestre-sala sambou de forma intensa e fez movimentos rápidos juntos aos giros de Waleska Gomes. A coreografia dentro do samba também foi executada com sucesso e, quando mostraram o pavilhão para a cabine de jurado frente ao recuo, arrancou aplausos do jurado. Sobre as vestimentas, a porta-bandeira vestiu uma roupa dourada com a saia na cor vinho. Luan Caliel, também usou o dourado brilhoso, mas a combinação feita foi com uma espécie de cor laranja claro.

Harmonia

A ansiedade e responsabilidade de abrir os desfiles do Grupo Especial, fez com que a comunidade do Tucuruvi entoasse o hino com uma força tremenda. Na questão do volume do canto, tudo o que se viu nos ensaios técnicos, se confirmou na apresentação oficial. Esse quesito sempre foi uma característica da escola e a felicidade estampada no rosto dos componentes era nítida.

O carro de som, liderado por Leonardo Bessa, teve uma apresentação dentro do que se pede. Levantou o astral da comunidade e do Anhembi. No carnaval paulistano, a primeira agremiação que desfila nas noites, sempre tende a levantar as arquibancadas e, o ‘Zaca’, junto ao seu carro de som e canto, de certa forma, conseguiu.

Enredo

A escola teve uma apresentação satisfatória dentro do que se pede. É interessante observar um gesto legal, onde durante grande parte do desfile, a agremiação fez alusões às coirmãs. Vimos várias vezes pavilhões das outras escolas do Especial, principalmente as mais antigas e que marcaram época, afinal, o tema volta ao passado para resgatar a história dos baluartes e tudo o que foi feito para chegarmos até aqui.

Porém, a proposta principal do enredo da comunidade da Cantareira, é fazer uma crítica social ao que virou o carnaval nos dias de hoje e, notou-se isso em todos os setores do desfile, onde se fala muito de dinheiro e que a ganância ficou em primeiro lugar. O destaque vai para o terceiro setor, onde o carro “Cassino Carnaval” abriu as alas fazendo fortes questionamentos.

Evolução

O departamento de harmonia foi extremamente técnico nesse quesito. Optou por colocar a bateria no primeiro setor para assim, se ‘livrar’ do recuo rapidamente. A batucada entrou de forma correta, respeitando o limite técnico. Sobre as alas, elas evoluíram de maneira correta. Bem como a alegria do samba, a evolução funcionou. Um complementou o outro. Com qualquer tipo de fantasia dá para evoluir bem, mas as leves, como o Tucuruvi usou, fez com que muitos componentes, sambassem no pé em vários momentos. Alas coreografadas também foram de bastante destaque, onde interagiam com o público a todo instante. Destaque para a primeira encenação, que ficava posicionada no carro abre-alas.

Samba-enredo

Apesar de teoricamente, o samba do Tucuruvi ter uma melodia para baixo, a bateria e o carro de som, liderados por mestre Serginho e Leonardo Bessa, respectivamente, desde os ensaios, fizeram estratégias para isso mudar. A aceleração do ritmo da batucada culminou bastante para essa mudança. A letra fala muito de como o carnaval de antigamente era melhor e mais alegre, de ganância dentro do carnaval, de baluartes esquecidos e, sobretudo, de resistência. Porém, também enaltece algum tipo de esperança.

As partes mais cantadas são os dois últimos versos: ‘o choro da velha baiana, a esperança no olhar, a força da nossa raiz ninguém pode calar’. Após essa parte, entra o primeiro refrão que também é muito entoado pela comunidade. Destaque para a frase ‘sou resistência e você tem que respeitar’, onde alguns componentes até batiam no peito ao cantar essa parte forte do samba.

Fantasias

A escola optou por fazer igual o seu enredo. Não quis nada de luxo nas fantasias. Apesar disso, os materiais utilizados e o acabamento, estavam bons. A proposta foi muito clara, sendo esquecer toda a beleza luxuosa e optar pelo simples com o intuito de propor uma fácil leitura ao público e aos jurados. Quem assistiu o desfile e prestou atenção, com certeza prestou atenção em cada detalhe.

Vale destacar a ala 2: “O trevo do Camisa Nairanã chegou”, onde homenageava a escola de samba Camisa Verde e Branco. Alas 3 e 4 que faziam uma homenagem à Mocidade Alegre, respectivamente e, por fim, a ala 8: “Nova realidade: Gaviões da Fiel Torcida e seu manto preto e branco”, uma homenagem aos Gaviões da Fiel, onde os componentes carregavam bandeiras.

Alegorias

Assim como as fantasias, o entendimento da alegoria foi muito claro. A primeira alegoria veio representando o carnaval elitizado e não elitizado, com alas coreografadas que interagia e encenava para o público. Tais integrantes, dançavam no chão, pois o carro tinha aberturas.

Segunda alegoria simbolizou a Avenida Tiradentes, palco dos desfiles mais épicos e populares da história do carnaval de São Paulo. Um carro colorido e recheados de destaques no centro e lados. No topo, uma grande figura do Henricão com uma coroa, segurando um bastão. A escultura se mexia o tempo todo, acenando para o público.

O terceiro carro representava um cassino. Aparentemente, fazia uma referência às apostas que as pessoas fazem dentro do carnaval para ver quem sai vencedor ou não.

A quarta alegoria simbolizava a resistência, onde nele, havia a velha guarda e, também, os pavilhões das escolas do Grupo Especial e Acesso. Como dito anteriormente, na questão do entendimento e proposta de enredo, ficou muito claro o que a escola quis passar.

Outros destaques

A Bateria do Zaca, comandada pelo mestre Serginho, teve um desempenho seguro. A batucada executou bossas esporadicamente. A batucada se destacou por marcar o samba e dar sustentação rítmica ao samba e carro de som, para assim, a harmonia funcionar com fluidez. A bossa destaque vai para o último refrão, onde a bateria brinca com todos os instrumentos e, no final, a batucada faz uma paradinha no verso ‘sou resistência e você tem que respeitar’.

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