A Acadêmicos do Turucuvi está de volta para o Grupo Especial de São Paulo e teve o grito na garganta realmente estava guardado nos componentes, afinal, o canto foi um dos grandes destaques do ensaio técnico, na noite de sábado, no Anhembi, junto a bateria. Em 2022, a escola vai cantar “Carnavais… De lá pra cá o que mudou? Daqui pra lá o que será?”, ou seja, uma breve volta no tempo, e busca refletir sobre a essência do carnaval.

Harmonia funcionou

Com bastante componentes, o Tucuruvi fez seu primeiro ensaio técnico digno do Grupo Especial de São Paulo. A escola cantando e fluindo com leveza. A comissão de frente, comandada por Fernando Lee, veio com um visual indígena, saia amarela, e a parte de cima cor de pele, em uma dança envolvente. Ala das baianas veio toda de branco. Enquanto trouxe um tripé com o símbolo no dourado e Thaís Moreira como destaque central nele, além de uma destaque de chão, a frente. O diretor de carnaval da escola, Rodrigo Delduque, fez um balanço geral justamente sobre o sentimento da escola ter cantado bastante.

“Saio muito feliz com a entrega do componente. Com a entrega das pessoas que se propuseram fazer o ensaio pela Tucuruvi. E saio mais feliz pelo momento que nós passamos, acabamos de passar. E agora esse povo todo nosso cantando e dançando com alegria, não tem coisa igual. Estar no Grupo Especial é uma honra para o Tucuruvi”.

Por fim, o diretor disse: “Sempre tem erros nos ensaios, acabei de conversar com direção. E é mais um degrau, mais um que vamos voltar para casa agora, estudar, analisar, e tenho certeza que vamos conseguir no dia do desfile apresentar um belo trabalho para vocês”.

Casal é sincero e diz sobre melhorias

O casal da Tucuruvi, Luan Caliel e Waleska Gomes, mostrou entrosamento durante o ensaio. Um bailado jovem, leve, mas para o site CARNAVALESCO, foram sinceros sobre leves melhorias averiguadas neste primeiro ensaio técnico.

“Olha eu sou muito chata e perfeccionista. Nosso ensaio de hoje, o desenvolvimento foi bom, mas se eu pudesse dar uma nota, eu daria 9.8”.

E o mestre-sala Luan também deixou sua opinião:”Somos muito rígidos em questão de evolução e andamento foi muito bom. Tem alguns pontos a acertar na nossa coreografia dos jurados. Que provavelmente na terceira feira que vamos vir aqui ensaiar de novo, já vai estar tudo certo. Deu para sentir o andamento da escola que a gente precisava, sentir o andamento para casar com a coreografia, e nosso próximo ensaio estará tudo certo”.

O casal ainda avaliou sobre nervosismo, Wasleka disse: “É muito diferente. Porque a gente ensaia aqui, é melhor no ensaio geral, pois tem o calor do público, da nossa comunidade. Mas a gente conta com muitas adversidades que é o andamento da escola. Quando a escola para, para fazer o recuo. O nervosismo, claro, esse friozinho na barriga de voltar depois de dois anos e em um período tão difícil. E as condições climáticas também, que dificulta muito para o casal de mestre sala e porta bandeira. Chuva, vento, entre outras coisas. Então a gente tem de ficar muito ligado em tudo. Mas tenho aqui do meu lado, meu filho, que é mais do que um parceiro, é meu protetor, então a gente ensaio muito e estamos preparados para tudo”.

Samba-enredo funcionou na avenida

Um samba que busca a essência do carnaval, e relembra o passado, dos tempos da Tiradentes, onde ocorriam os desfiles de São Paulo há muito tempo. O interprete Leonardo Bessa, que é o comandante do carro de som, foi um ponto positivo no ensaio. Ele fez uma reflexão após o primeiro ensaio da Tucuruvi.

“O enredo da Tucuruvi faz uma reflexão. Como era o carnaval? Como está? Como será daqui para a frente? Então é uma grande pergunta: Como o samba e o carnaval vão se comportar no futuro. Então acho que a mensagem vai ser muito bem passada e será muito importante nesse momento que estamos vivendo”.

Analisando melhorias, acertos, Leonardo Bessa avaliou: “Quando estou ali não temos muita noção da escola. A nossa parte, o samba e a bateria, foram realmente muito bacanas. Tem sim algum detalhe ou outro, e domingo que vem temos outro ensaio aqui para ajustar mais alguma coisa e chegar no dia 22 na ponta dos cascos”.

E para finalizar, o interprete do Zaca avaliou: “O principal é a garra da escola. A emoção de poder voltar a pisar no Anhembi depois de dois anos, no meio de tanta turbulência. A gente poder celebrar a vida não tem preço. E o nosso samba fala muito sobre a resistência do samba. Estamos lutando contra tudo e contra todos para manter a chama do carnaval acesa. Aqui somos todos sobreviventes dessa grande loucura que passou pelo mundo, e com certeza esse será o ‘carnaval da vida’”.

Bateria brincou, interagiu com o samba e foi destaque

Comandada por mestre Serginho, estreando no Grupo Especial de São Paulo, a bateria do Zaca fez um ensaio técnico com muitos pontos positivos. Em entrevista para o CARNAVALESCO, ele revelou que buscará o básico no regulamento, mas que a ideia é dar ritmo a escola, ou seja, interagir com o samba, comunidade, e foi isso que vimos através de bossas durante o samba-enredo.

“Dois anos sem fazer ensaio técnico, minha estreia no Grupo Especial, cinco anos no grupo de acesso. Com certeza tem detalhes, falar que está tudo pronto hoje é mentira. Então um detalhinho aqui, outra coisa ali, acerta no andamento aqui, acerta alguma coisinha. Se for pegar no total, foi bom. Não é tanta novidade (brincadeiras) para a gente da escola. Já executava esquema das bossas, aí o pessoal mudou regulamento com a parada da performance. Mas a gente não mudou nosso esquema ainda. Vamos lá, faz o básico, faz na hora o que tem fazer na cabine. E o resto é ritmo para a escola”.

Mestre Serginho ainda revelou novidades: “São três bossas, e tem uma parte que é o paradão. A gente derruba primeira e segunda. E o resto faz o ritmo, faz os desenhos que tem normal. E a gente faz o apagão. Aí zera, vira para a arquibancada, punho cerrado, sorriso e ‘sou resistência, você tem que respeitar’. Essa hora vai ser demai. Gosto muito do andamento. Sou um cara que gosto muito do andamento mais tranquilo. Ajuda bastante na divisão da caixa. Senão quando está um pouquinho para frente é bem complicado. Mas cada um tem o seu jogo, cada um faz o que acha que é bom para sua escola aí dentro”.

Sobre o desfile, mestre Serginho revelou que a bateria será o Peruchinho em homenagem a Unidos do Peruche, atualmente no Grupo de Acesso II do carnaval paulistano. Ele revelou que é cria da comunidade do Peruche, sua mãe é diretora da escola que busca retomada para o grupo de acesso. Contou ainda que serão 220 componentes na bateria no desfile oficial, e comemorou momento na escola. “Time bom, equipe boa, direção da escola dá todo suporte, dá uma olhadinha nos instrumentos nossos, são ótimos. Instrumento bom, clima bom, samba bom, vamos para as cabeças, querendo ou não”.

Evolução passou bem no Anhembi

Mesmo vindo do acesso, o Tucuruvi veio com muitos componentes e com uma evolução que funcionou bem neste primeiro ensaio. Ou seja, um desfile compacto, alas fluindo, movimentando, cantando o samba, no geral com tranquilidade, feliz. Com isso, o fluxo da escola foi elogiável, mostrou que voltou mais estruturada do que estava na última passagem.

Outros destaques: Trio forte na frente de bateria e musas

A rainha de bateria, Cintia Mello, veio com um look prateado, brilhante, e transparente, mostrou muito samba no pé. A musa Livia Nayara com um decotão e chamou atenção com sua roupa e o samba. Completando o trio, a madrinha da bateria, Sheila Hachas vestiu azul, em um visual que combinou com a escola. Musas como Suzana Simonet e Kamilla Barzagli sambaram muito, foram destaques. Assim como Giselly Romanelly que veio com a faixa de ‘Rainha Lacração Gay’. A Miss Mônaco de 2022, Mariani Piaget, também esteve presente no desfile. As passistas do Zaca vieram com uma parte azul, outra amarela e branca. Com muito samba e bom humor no ensaio. Assim como a ala Plus Zaca, que mostrou muito samba no pé e brincou bastante com o povo. As alas utilizaram elementos como bexiga, bastão, e também uma ala de mímicos que foi bem interativa.

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