Por Matheus Mattos. Fotos: Felipe Araújo/Liga-SP

A Mancha Verde, atual campeã do Grupo Especial de São Paulo, entrou no Sambódromo do Anhembi, na noite deste sábado, para realizar o primeiro ensaio técnico visando o desfile de 2020. A agremiação trouxe uma bateria mais ousada, canto bem definido e componentes soltos, brincando de desfilar. Na primeira passagem do samba de 2020, a agremiação soltou uma grande quantidade fumaças na cor verde.

O começo do treino contou com um breve discurso do presidente Serdan, que resumidamente pediu alegria para todos os setores.

“Só vamos fazer o que a gente tem feito em nossa quadra. A começou a ensaiar em Setembro, vamos repetir, que eu tenho certeza que vamos fazer um grande ensaio. Não se esqueçam, carnaval é pra gente se divertir, tirar um barato”, disse o Presidente Serdan.

Comissão de frente

A agremiação trouxe componentes com traje de cor marrom e rostos pintados de branco.A coreografia apresentada trabalha com passos que procuram preencher grande parte da pista. Os movimentos são realizados com muita velocidade, em alguns momentos passavam a percepção de correr. Mas no momento observado, o quesito demonstrou bom sincronismo, principalmente ao interagir com a plateia. A comissão também contou um tripé com uma mulher logo acima, mas com pouca interação.

Um trecho específico em que fazem a alusão à crucificação, os bailarinos gritam e estabelecem um contato visual com o público. O carnavalesco Jorge Freitas acompanhou cada movimentação e deu dicas até chegar ao recuo da bateria.

“A impressão é boa por ser primeiro ensaio técnico. O trabalho foi muito bom, acredito que temos o que melhorar, o objetivo é ser bicampeão”, contou Marcou, coreógrafo da comissão.

Mestre-sala e porta-bandeira

O casal Marcelo Luiz e Adriana Gomes evoluiu com a fantasia do ano passado, onde predominam dois tons de verde. Na arquibancada monumental, a porta-bandeira sentiu um desconforto com a parte de costeiro, e decidiu removê-lo. O mestre-sala fez o mesmo com adereços de cabeça. Mesmo com o imprevisto, a dupla apresentou um bailado coerente com o que o regulamento pede. A dança trabalha as características clássicas, foco em cada movimento e sutileza do cortejo.

“Foi o nosso primeiro ensaio, e a gente fez questão de vir fantasiados justamente pra colocar em prática tudo aquilo que a gente vem ensaiando. É óbvio que esse ensaio foi pra acertos, a gente veio acertar. A gente conseguiu conduzir a dança conforme o regulamento”, analisou o Marcelo.

Sobre o desconforto com o costeiro, porta-bandeira Adriana Gomes revelou:

“Essa é a 19ª vez que a gente usa essa fantasia. Ela realmente é muito pesada, e conforme vai usando, ela vai cedendo, e hoje ela pesou muito. Tirei pra poder conduzir o melhor da dança”, explicou.

Samba-enredo

A ala musical da Mancha Verde mantém a característica forte de ser ousada, trabalhar com contra-cantos, variações melodias e aberturas vocais. Por exemplo, no trecho: “Em nome do pai, amém. Justiça e paz aos homens de bem”, os cantores dividem pra realizar uma variação vocal. Além do citado, eles trazem segunda voz e terças com certa frequência. O time de cordas também tem arranjos dentro do samba, e acompanham as bossas com ótimo desempenho.

“A gente que tá ali no carro só vemos uma evolução de longe, mas deu pra ver que a escola estava cantando. Muitas alas que estavam passando por mim estavam evoluindo bem também. Esse primeiro ensaio o ponto positivo foi o canto da escola”, defendeu Freddy Vianna.

Bateria

A postura da bateria Puro Balanço era uma expectativa, principalmente por ser o primeiro técnico geral do Mestre Guma na escola. Comparado com o ano anterior, a batucada trouxe mais corpo, mais peso na sustentação da cozinha. As bossas trabalham com mais ousadia, e aproveitam a sonoridade de todos os instrumentos.

“O primeiro ensaio é sempre um tabu e hoje a gente quebrou o gelo. Logo no primeiro setor eu senti que oscilou um pouquinho, dentro do box também. Mas assim, no geral foi um ótimo ensaio” ressaltou Mestre Guma.

Evolução

O quesito foi realizado sem preocupações. A escola optou por não preencher totalmente a avenida, ou seja, a maiorias das alas estavam cerca de um metrô afastadas da grade, uma possibilidade pra estender os componentes. Foi notado também uma agremiação bem solta, com poucas coreografias pra não robotizar. Algumas movimentações de braços são feitas com todos, porém em pequenos trechos.

Harmonia

O quesito também pode ser considerado um destaque. Todas as alas apresentaram um bom volume de canto e bom domínio do samba. Analisando exclusivamente o volume, o terceiro setor se destacou.

Outros destaques

Pelo que foi percebido, praticamente todas as alegorias terão grupos cenográficos, uma movimentação esperada nas alegorias.

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