Abrindo os desfiles da Série Ouro do carnaval de 2022, a Em Cima da Hora fez uma reedição do enredo “33 – Destino Dom Pedro II”, desenvolvido pelo
carnavalesco Marco Antônio Falleiro. E nada melhor do que falar sobre o trem e toda a viagem que é feita de Japeri até a Central do Brasil.

Constantemente é falado que os trens da Supervia estão com algum tipo de problema. Seja, o furto de cabos, atrasos nos ramais e até paralisações, os usuários que utilizam esse transporte sofrem bastante. Enfrentando adversidades diárias, a população não aguenta mais a precariedade da condução.

A equipe do site CARNAVALESCO conversou com algumas pessoas que utilizam o transporte e que desfilaram na azul e branca de Cavalcante. A motorista do conselho tutelar, Kelly Grande Rio, de 42 anos, conta sobre a dificuldade de usar
o veículo.

“É superlotado, as pessoas não respeitam nenhum pouco, falta respeito com as mulheres também. Fora que os atrasos são muitos, tem dia que chego atrasada no trabalho e não acreditam que foi por causa do trem”, diz Kelly.

O dia a dia no transporte é precário, muitas das vezes a circulação dos ramais são interrompidas e os usuários ficam sem ter como chegar ao trabalho ou em casa. Com isso, alguns chefes não entendem o que o funcionário passa até chegar ali, o que foi o caso da advogada Viviane Rocha, de 41 anos.

A advogada relata sobre os problemas que enfrenta ao utilizar a locomoção.

“Quando o trem enguiça é o maior transtorno e temos que andar no meio do trilho até a próxima estação. É complicado para o meu chefe entender que moro longe, que dependo do transporte público e que infelizmente aqui no Rio ele é precário”, aponta.

Sempre é válido deixar claro o quanto o serviço que a Supervia oferece é precário. Mas o transporte também se tornou um meio em que pessoas que não encontram um emprego formal, trabalham para ter uma renda. Os vendedores ambulantes, conhecidos como ‘camelôs’ são os passageiros quando bate a fome ou sede. Provavelmente sem eles não teria graça pegar o trem. Além disso, é importante que os governantes olhem com mais cuidado para os trens e também para a quantidade de usuários que usam o meio. A professora de dança Stephanie Hansen, de 24 anos, fala como é necessário essa visão do governo para os passageiros.

“A falta de organização da prefeitura com a gente que usa o transporte é muito ruim. Acredito que precisam de um alerta, para que entendam que todos possuem o direito de usá-lo e que se torne mais acessível”, explica.

Os trabalhadores ultimamente estão sofrendo bastante com a precariedade do serviço oferecido pela Supervia. O que dificulta demais no cotidiano dos passageiros é a lotação do transporte. A auxiliar de contas, Thaís Duarte, de 22 anos, é uma entre milhares de usuários que sofrem com isso.

“O serviço é sucateado, a passagem está cara demais e os trabalhadores não aguentam mais os atrasos constantes. Quando o trem não está em bom estado, acaba ficando parado por muito tempo e isso nos prejudica demais. A viagem de Japeri até a Central é demorada e sufocante, e por muitas vezes o serviço deixa a desejar. Porém, com o trem conseguimos fugir um pouco do trânsito da cidade”, comenta Thaís.

As entrevistadas estavam no carro abre-alas “Embarque no famoso 33”, que era uma representação de um trem. Com as cores da escola, em azul e branco e também com alguns detalhes na cor cinza.

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