É provável que se você perguntar para dez torcedores do Paraíso do Tuiuti, pelo menos nove vão colocar o desfile de 2018 como o grande carnaval da escola. Isso por diversos motivos: o vice-campeonato, melhor colocação da história da escola, com o título escapando por um décimo. O samba que foi entoado por todo o mundo do samba e até hoje é lembrado e pedido. A volta por cima depois de ter terminado em último lugar em 2017, atrás da Unidos da Tijuca que havia passado por um problema semelhante ao do Tuiuti, e mesmo assim a diferença de 22 décimos, em um ano sem rebaixamento. Ou, o simples fato de aquele carnaval, além de ter sido muito bonito e criativo, ter apresentado discursos muito fortes contra o racismo, a escravidão e a exploração do trabalhador.

Quatro anos depois, a escola está consolidada no Grupo Especial e vai para o seu quinto desfile seguido na elite do carnaval carioca. E, após o décimo primeiro lugar em 2020 com o desfile sobre o padroeiro São Sebastião, a escola tem diversos motivos para sonhar em voltar a fazer um carnaval não só visando o desfile das campeãs, mas também a disputa do título.

Seja a chegada de mestre Marcão que já começou os trabalhos sacudindo a Cidade do Samba e depois o Sambódromo. Ou, a escolha de uma temática que volte a tocar na valorização das contribuições do negro para a humanidade, em conjunto com o discurso contra todas as formas de racismo. Ou, com certeza, o retorno de um artista consagrado, inovador de desfiles, quatro vezes campeão do Especial, como Paulo Barros, que iniciou sua carreira em 2003 no Paraíso do Tuiuti antes de surpreender o mundo do samba na Unidos da Tijuca em 2004.

Esse clima de confiança e esse bom astral foi claramente percebido pela reportagem do site CARNAVALESCO ao conversar com alguns componentes da escola de São Cristóvão. Para o passista do Tuiuti, Bruno Ferraz, que trabalha como sushiman, o fato de Paulo Barros nunca ter feito um enredo afro é mais um motivo para que ele faça um trabalho espetacular, mostrando que é capaz de produzir carnaval sobre qualquer tema.

“Eu acho que ele vai trazer bastante inovação, porque ele nunca fez um enredo afro. Então, eu acho que ele apostou tudo nesse enredo para mostrar que ele também é capaz de fazer. Eu acho muito bacana ele voltar para escola depois de estar consagrado, acho ele muito profissional e ele traz uma chance a mais para a gente pensar em título”, declarou o passista.

Já para o senhor Sidney de Oliveira, integrante da velha guarda da escola, de 61 anos, a chegada de Paulo Barros está dando para a escola uma confiança maior pela capacidade criativa do profissional. Ele também entende que o samba de 2022 arrepia e pode funcionar na Sapucaí tanto quanto o de 2018.

“Eu sou da velha guarda, então, pela experiência de desfiles que a gente participa, tem duas coisas importantes, é o enredo e o samba-enredo. Então, o carnavalesco cria o tema, propõe o tema, a escola aceita e o grupo de compositores pega a ideia e transforma tudo em arte, assim como a arte sai em forma de música e o carnavalesco coloca as coisas de forma plástica. Então, está todo mundo feliz com tudo. É muito importante isso. Então, é como um time de futebol, muitas vezes um jogador importante que entra pode mudar a história de um campeonato. Tudo incentiva. Assim a vinda dele (Paulo Barros) pode mudar muita coisa. Todos nós sentimos confiança. A percepção que eu tenho é essa. E há semelhança com 2018 porque o samba arrepia. Se o samba arrepia a gente, provavelmente arrepiou o carnavalesco e ele vai criar muito mais”.

Dona Noelma Luiza, assistente social e baiana do Tuiuti, que desfila há 7 anos na escola, respondeu sobre se o enredo e o samba de 2022 podem ajudar a escola a igualar ou superar seu melhor carnaval em 2018.

“Com certeza, com certeza, até por conta do samba, dos autores do samba que são os mesmos do carnaval em que nós ficamos em segundo lugar, tem tudo para estar lá em cima, entre as campeãs. E ter o Paulo Barros nos dá as melhores possibilidades possíveis. Espero me surpreender muito com o desfile. Por conta da pandemia a gente não tem tido muito contato, não sabe como está a evolução da escola a nível barracão, mas acho que na Avenida vai superar, vai ser uma surpresa muito grande”, acredita Dona Noelma.

Outra componente confiante é Dona Maria Vitória, mais conhecida como Vitórinha, presidente da velha guarda do Paraíso do Tuiuti, de 74 anos, que vê semelhanças entre o enredo de 2022 e o de 2018, e tem muita confiança que Paulo Barros possa levar a escola ao título.

“Esse enredo vem falando muito da nossa cor, vem falando dos orixás, uma coisa importante para gente. Esse enredo vai arrebentar. Nós estamos esperando que ele nos conceda o décimo que nós perdemos em 2018. Então, esse enredo é excelente, o Paulo Barros está de parabéns. Ele é o homem da novidade, o homem que está sempre fazendo mudanças nas escolas que ele vai, e acho que na nossa não vai ser diferente. Eu acho que ele voltou para a nossa escola para galgar o campeonato com a gente, porque nós estamos esperando muito”, declarou confiante a presidente da velha guarda.

Com o enredo “Ka Riba Tí Ye – Que Nossos Caminhos se Abram”, o Paraíso do Tuiuti vai abrir a segunda noite de desfiles do Grupo Especial no dia 23 de abril.

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