Desde 1960, quando falou sobre o “Quilombo dos Palmares”, passando pela história de “Xica da Silva”e tantas outras vezes mais, uma marca do Salgueiro é realizar enredos que enaltecem personagens negros da cultura e da história do Brasil. Desta vez, o homenageado será o palhaço Benjamim de Oliveira que em 2020 completará exatos 150 anos de seu nascimento.

A reportagem do CARNAVALESCO conversou com as três parcerias presentes na final e seguindo a linha do enredo, os compositores repetiram que buscaram fazer um samba com a cara da escola, trazendo na obra alegria, explosão e valentia.

Segundo Artur das Ferragens, da parceria do Sereno do Fundo de Quintal, a obra tem o que o Salgueiro precisa para embalar o enredo de forma especial na Sapucaí.

“Acho que o nosso samba se difere dos outros por ter uma pegada com a cara do Salgueiro. É uma pegada pra frente, alegre e que se enquadra totalmente no contexto do enredo. É o que eu diria de ser um samba explosão, que é aquilo que o salgueirense gosta. O meu trecho predileto é o que diz “Academia a desfilar” pois ele mexe com o sentimento do salgueirense. Sobre o enredo, eu gostei muito do que o carnavalesco e a direção de carnaval fizeram de não ir tanto para o lado afro e sim para o lado alegre, o lado da superação do personagem. Isso facilitou muito o nosso trabalho”.

Já Marcelo Motta, que ganhou a disputa para o Carnaval 2019 ao lado de Demás Chagas, falou da relação especial da obra de sua parceria com a tradição do Salgueiro de trazer a resistência dos negros e dos excluídos para a escola pisar ainda mais forte na Avenida.

“Nosso samba traz em sua totalidade a energia e a emoção com a qual nossa comunidade se identifica e que se tornou tradição através dos carnavais. Exalta este grande personagem como vencedor que foi, trazendo em sua letra a integralidade do enredo, sendo extremamente forte e pulsante em sua melodia sem cair no “oba oba”. Retrata sua luta, que é vitoriosa, de uma forma poética, verdadeira e original com a alegria própria de Benjamin de Oliveira, que como brilhante artista da alegria, nunca se curvou à melancolia”.

Marcelo também disse se sentir representado pela escolha de enredo da agremiação para 2020.

“Trata-se de um enredo muito especial, pois a história de Benjamin de Oliveira, apesar de se passar em tempos distantes, revela-se muito atual, pois nos mostra um cenário onde o negro ainda precisa driblar com força e coragem todos os obstáculos que lhe são impostos. Inspiração que serve para todos nós, não só no samba, mas também para a vida. Um enredo para nota máxima, certamente”.

Já Antônio Gonzaga também aposta na alegria e valentia do samba de sua parceria mas ressalta que a obra não cai no “oba oba” tendo a intenção de trazer também a conscientização social do tema.

“Acredito que conseguimos traduzir a história de Benjamin ao relacionar seu sonho com o de cada menina e menino que enfrenta o mundo pra se libertar através da arte. Quisemos mostrar que todo filho do Salgueiro tem um Benjamin dentro da si, porque somos artistas do samba, ou seja, somos a herança negra expressa em um palco de resistência. Acredito muito que conseguimos passar isso em nossos versos e, por isso, nosso samba deve ser escolhido. Que possamos vestir vermelho e, com ginga de malabarista, cantar por Benjamin e por cada moleque do salgueiro no Carnaval 2020”

Antônio Gonzaga também falou sobre a relevância que o enredo tem no contexto dos dias atuais.

“O Salgueirense é Benjamin de África porque canta e se orgulha de suas heranças. Particularmente, me sinto contemplado e emocionado em ver minha escola exaltar uma figura que leva a força da raça e que pode inspirar não só a mim, mas a tantos outros meninos Benjamins”.

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