O Salgueiro explodiu os corações dos sambistas em 1993 no famoso samba-enredo “Peguei Um Ita No Norte”. Agora, durante a pandemia da Covid-19, a “explosão salgueirense” é de solidariedade. A vermelho e branco concentrou seus esforços nos projetos sociais, e, através das campanhas de arrecadação de alimentos, fez a distribuição de duas mil cestas básicas para comunidade. Os números vão além: 3000 quentinhas de feijoada e 6000 garrafas de água distribuídas à população de rua, 15 mil máscaras, 1000 caixas de bombom na Páscoa. É a escola de samba cumprindo sua função social.

Coração salgueirense explode de solidariedade
Salgueiro já distribuiu mais de 2 mil cestas para comunidade. Foto: Rogério Neves/Divulgação

“Uma das nossas primeiras preocupações foi ajudar a comunidade. As pessoas não dão muita atenção, ou até mesmo não têm informação sobre toda a parte social que a escola desempenha, temos muita responsabilidade com nossa gente, isto não é favor, é nossa obrigação com quem, faça chuva ou faça sol, nos ajuda a prepara um espetáculo tão bonito na Sapucaí. Nossos parceiros continuaram nos ajudando com produtos que puderam complementar essa distribuição no morro e também para nossos segmentos. Os passistas, por exemplo, viajam muito nessa época dando aulas, fazendo shows, assim como os ritmistas e, por conta disto, se viram sem oportunidades de trabalho e renda. Fizemos o máximo possível para dar suporte a estes profissionais que estão conosco o ano inteiro”, explicou o presidente André Vaz.

Os funcionários e colaboradores do Salgueiro não ficaram desamparados.

“Continuamos nos esforçando para honrar o nosso compromisso com todos os nossos profissionais, na medida do possível. Conversamos com os segmentos, fizemos alguns ajustes necessários para o momento e estamos nos desdobrando para que eles não sofram mais do que já estão sofrendo, as consequências desta crise. O Salgueiro é uma escola cuja receita da quadra nos ajuda a administrar a folha de pagamento e, sem eventos, sem perspectiva, vai ficando cada vez mais difícil. Não sei até quando poderemos continuar este compromisso e isso nos entristece muito, ainda assim, estamos buscando soluções. O programa Sócio Torcedor vem crescendo e nos ajudando, assim como as vendas dos produtos oficiais. Neste momento, é o que único recurso que temos, além dos nossos parceiros que investem sua marca na escola e que também estão na incerteza do futuro”, comentou o presidente.

Três mil quentinhas de feijoada foram distribuídas pelo Salgueiro nas ruas do Rio. Foto: Rogério Neves/Divulgação

Nos próximos dias começa a capacitação profissional para os funcionários em língua brasileira de sinais.

“Desde a primeira live, os intérpretes de libras fizeram muito sucesso e tivemos um retorno positivo, foram quase mil surdos assistindo o evento. A partir daí, começamos a pensar em como poderíamos atingir esse público nos eventos e fizemos uma parceria com o professor Carlos Fidalgo, que vai ensinar a comunicação básica aos atendentes dos bares, segurança, receptivo e também aos segmentos que queiram se comunicar com a comunidade surda. Também estamos traduzindo alguns sambas na língua brasileira de sinais para que essa interatividade também aconteça nas redes sociais. Acho que vai ser mais uma ação de sucesso da nossa equipe”, finalizou o presidente salgueirense.

* Íntegra do texto publicado no jornal MEIA HORA na coluna Espaço do Sambista

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