Por Diogo Cesar Sampaio

Destaque por seus trabalhos na Série A, o coreógrafo Jardel Augusto Lemos recebeu em 2019 a oportunidade de debutar no Grupo Especial. Com passagens apenas como bailarino nas comissões de frente da elite do carnaval carioca, Jardel terá a missão de estrear assinando a azul e amarela do morro do Borel.

Em conversa com a reportagem do site CARNAVALESCO após o ensaio técnico realizado pela escola, no último domingo, na Marquês de Sapucaí, ele se mostrou seguro com o desafio. Porém, não escondeu que sente um frio na barriga com a aproximação do desfile oficial.

“Sempre tem um frio na barriga, ainda mais sendo estreia. Mas o Especial é como os desfiles da Série A, é a mesma coisa. Eu todo ano choro, me dá dor de barriga, tanto faz se é Série A, Série B, Três Rios ou Vitória. O importante é a gente ter a certeza que fez o melhor trabalho, o melhor possível pela nossa comunidade. E saber que a nossa comunidade está muito feliz com o nosso trabalho”.

Tendo arrancado aplausos do público presente na Sapucaí durante o ensaio técnico, Jardel declarou estar contente com o trabalho realizado por ele e seus bailarinos na escola.

“O ensaio foi maravilhoso, deu tudo certo para gente, e não tem como explicar a energia. A comissão passando, sendo aplaudida, fazendo um bom ensaio, passando bem a coreografia. A expectativa é essa, de 40 pontos, nada menos do que isso”.

Mas engana-se quem pensa que o que foi visto na Sapucaí domingo entrega o que prepara o coreógrafo. Jardel faz questão de fazer mistério sobre o que a comissão de frente da Unidos da Tijuca reserva para o público em 2019. Até mesmo o que os integrantes vão vir representando é segredo. No entanto, ele deixa uma pista do que se pode esperar da apresentação.

“É segredo, não conto para ninguém (risos)! O que posso falar é que a comissão de frente da Tijuca ela é histórica, ela é poética e tem muito segredo e surpresas por aí…”

O coreógrafo garantiu que o trabalho já está pronto, e que já foi aprovado pela direção e outros segmentos da escola.

“Nós estamos com o trabalho completamente pronto. Há cerca de 20 dias para o carnaval, a nossa comissão de frente já está aprovada por todos da comissão, incluindo o Laíla, pelo presidente Fernando Horta, pela direção de harmonia. Nosso tripé já está pronto, o figurino está sendo feito e confeccionado, já fizemos alguns testes com o sapato. Agora é aprimorar para o carnaval”.

Jardel também comentou sobre a experiência de trabalho que vem vivenciando na Unidos da Tijuca. Ele contou como é a relação dele com a comissão de carnaval que desenvolve o desfile da escola. Além de falar da participação dos integrantes, na elaboração do que será apresentado pela comissão de frente.

“Esse era o meu maior receio quando vim para a Tijuca. Na Série A, eu estava acostumado a lidar com um carnavalesco. E aqui no Especial, eu estou tendo a oportunidade de trabalhar com cinco. E está sendo muito bacana porque eles são cinco pessoas, cinco artistas, cada um com o seu olhar e a sua visão, e todos eles acrescentaram muito ao meu trabalho. Eles me deixaram livre para criar o que eu quisesse. As duas propostas que eu apresentei para a escola eram minhas, e eles acrescentaram e ajudaram. O que vocês vão ver na avenida, no dia do desfile oficial, é um pouco do que eu trouxe para vocês com a junção das ideias dos carnavalescos”.

Segundo o coreógrafo, exceto pela restrição do uso de tripés no Acesso, o processo de montagem e elaboração de uma comissão é o mesmo.

“Não existe nenhuma mudança dentro da concepção artística entre o trabalho que vinha fazendo no acesso, para esse agora no Especial. É claro que nós temos a entrada do tripé, e isso faz toda uma diferença. Mas no meu caso, que já fui bailarino por anos no Grupo Especial, e tenho toda uma vivência com tripés, não houve problema nenhum. Mas em concepção e criação, não existe diferença”.

O coreógrafo ainda deu sua opinião sobre o uso dos tripés, também chamados de elementos cenográficos, nas comissões de frente do Grupo Especial. Uma prática que vem sendo feita em larga escala pelas escolas que, porém, divide opiniões.

“Eu não acho que o tripé seja fundamental. Eu acho que ele tem de estar dentro da coreografia, inserido nela e a comissão de frente possa usá-lo. Que ele não venha só para esconder alguma coisa. E é isso que vocês vão ver na minha comissão de frente. A comissão da Tijuca esse ano, vai usar muito o tripé”.

A Unidos da Tijuca será a sétima e última escola a desfilar no domingo de carnaval. A agremiação do morro do Borel levará para a avenida o enredo “Cada macaco no seu galho. Ó, meu pai, me dê o pão que eu não morro de fome!” assinado pela comissão de carnaval formada por Laila, Annik Salmon, Marcus Paulo, Hélcio Paim e Fran Sérgio.

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