Recuperado da Covid-19, o carnavalesco Flávio Campello, da Tom Maior, contou detalhes do período difícil que viveu e da experiência que fica após a doença. Ao falar com o site CARNAVALESCO, o artista foi bem claro sobre a força do vírus: “O pior dos sintomas é a falta de ar, como muitos descrevem, a sensação é de afogamento, de sufocamento”.

Confira abaixo a entrevista completa com Flávio Campello.

Como foi quando você soube da notícia e qual foi o procedimento que você seguiu?

“Comecei a sentir os sintomas leves, tosse, febre, dor no corpo, perda do olfato, paladar, dor de cabeça. E como foi recomendado, só deveria procurar um hospital, caso sentisse falta de ar, ou algo mais grave. E assim foram 14 dias. Aí no 15° dia, comecei a sentir um incômodo para respirar, como se o ar fosse escasso, era como se minha respiração não fosse necessária para encher os pulmões, aí no 16° dia, se agravou a falta de ar e decidi por fim procurar um hospital”.

Como foi o tratamento no hospital, estrutura e o clima emocional?

“Procurei o Hospital Municipal Vereador José Storopolli, na Vila Maria, por indicação de uma prima médica, pois havia urgência para ser atendido, e lá eles tinham uma emergência para casos de Covid-19. Fui atendido rapidamente, e lá o médico que me atendeu disse que precisava ficar internado para observação. E lá fiquei por dois dias. Devido ao agravamento do meu estado, eles pediram transferência para o Hospital de Campanha do Anhembi, sendo a minha última lembrança. Pois apaguei, e só acordei 8 dias depois no Hospital das Clínicas. Foram 13 dias na UTI, e mais 8 dias no quarto, até receber alta. Por todos os hospitais que passei, fui prontamente bem atendido, não posso reclamar. Quanto ao emocional, talvez, seja a pior parte, pois você vive um isolamento dentro do isolamento. Você se sente sozinho, sem poder ter contato com ninguém, sem poder receber visita, nada. Você não sabe nada do que acontece no mundo exterior”.

Quais sintomas você sentiu?

“O pior dos sintomas é a falta de ar, como muitos descrevem, a sensação é de afogamento, de sufocamento. Parece que todo o oxigênio do mundo não se faz necessário. Você não consegue encher seus pulmões, é uma sensação horrorosa. No meu caso, a pior dor que senti, foi na cabeça, isso antes de sentir a falta de ar, o resto é suportável. A falta de ar que realmente é o pior de todos os sintomas”.

Muitas pessoas ainda não entendem a gravidade da Covid-19. O que você falaria pra elas?

“Essa doença tem diversas formas de afetar as pessoas. Conheço pessoas que no máximo sentiriam dor de cabeça, febre e tosse, por alguns dias, e do nada ficam boas. Outras, sentem falta de ar logo nos primeiros sintomas. Algumas ficam 10 dias, 15 dias internadas, outras 20, 30, 40 dias… para os médicos e para os pacientes é um mistério. Mas eu posso garantir que essa doença não é uma gripezinha, um resfriado… Ela é grave, muito grave… não podemos encarar como algo simples. Eu tive a benção de sair dessa bem e recuperado, mas você vê pessoas morrendo, na maioria, com mais de 60 anos, mas também vi pessoas de 23, 31, 34 anos morrerem. É uma doença misteriosa, e a melhor notícia que temos atualmente, é que vacinas já estão sendo testadas em humanos, e com isso acende-se a chama da esperança. Pois tudo isso, esse pesadelo todo precisa de um fim, de um final feliz. Essa é minha prece todos os dias, que Deus ilumine as mentes dos cientistas, para que a cura venha e se Deus quiser rapidamente”.

E pra fechar, o que você leva pra vida dessa experiência?

“Com certeza, após passar por tudo isso, você volta diferente. Sua forma de pensar, de enxergar as coisas, sua sensibilidade fica aflorada, você se sente mais próximo de Deus, sua fé se renova, você volta feliz, com uma felicidade inexplicável, e uma vontade louca de fazer tudo que você ainda não fez. Você volta fortalecido de alguma forma e com uma vontade absurda de viver, e viver cada vez mais, melhor. Parece loucura, mas é real. Como disse Gonzaguinha: viver e não ter a vergonha de ser feliz! Simples assim”.

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