O regulamento do Grupo Especial é baseado na punição de erros cometidos na avenida. Se por um lado há críticas a esse modelo punitivo, por outro ele é bastante claro no que diz respeito ao quesito alegorias e adereços, um dos mais punidos pelos jurados. Este é o tema da série de reportagens ‘De olho nos quesitos’ que o site CARNAVALESCO preparou para mostrar onde as escolas mais precisam estar atentas em cada um dos nove quesitos em julgamento.

Uma escola de samba inicia seu desfile com 10 pontos e a cada falha cometida vai perdendo décimos. O quesito alegorias e adereços envolve muitos parâmetros de julgamento. Como é julgado dentro da parte estética do desfile, avalia a concepção e a realização. Com a evolução do quesito, uma alegoria hoje em dia possui movimentos em suas esculturas, grandiosidade em seus projetos, iluminação, volumetria. Cada falha é um décimo a menos.

Nossa reportagem levantou todas as justificativas divulgadas pela Liesa nos últimos cinco anos e encontrou o calcanhar de aquiles das escolas no quesito alegorias e adereços. Dentro da concepção de cada carro alegórico o julgador observa a ideia do carnavalesco, a adequação da proposta ao enredo e se o conceito estava apresentado de maneira clara.

Nesse sentido, assim como no quesito fantasias, a falta de leitura e clareza dos carros é apontada como a principal causa de perda de décimos. É bastante comum ao se ler as justificativas dos julgadores e encontrar a falta de leitura dos carros como fatores para a perda de décimos. Um exemplo foi o desfile da Beija-Flor no Carnaval 2019, onde o conceito do conjunto alegórico foi bastante criticado pelos jurados, como Mauro Senna.

“Excessiva liberdade poética nas fábulas ‘As raposas e as uvas’ e ‘A cigarra e a formiga’, alusivos a fatos reais atuais, prejudica o entendimento da mensagem a ser transmitida pelas alegorias”, avaliou.

No outro sub-quesito de alegorias e adereços, realização, estão as maiores punições sofridas pelas escolas. É nesse aspecto que se encontram os problemas mais visíveis encontrados nas alegorias: falhas de acabamento, problemas no projeto luminotécnico, ausência ou falha de elementos que constavam no livro abre-alas. Em 2018 e 2019 os desfiles do Império Serrano sofreram com fortes problemas de alegorias que evidenciam as falhas de realização, como o julgador Mauro Senna deixou claro em sua justificativa: “Tripé pede passagem: letreiro luminoso com o nome da escola parcialmente apagado”.

É curioso constatar como raramente as escolas são punidas na concepção artística. Se o julgador vir aquilo que estiver exposto no abre-alas e compreender, geralmente a nota aplicada é 5,0. É na realização que ocorre o maior número de punições, devido às falhas e erros visíveis ao olho humano.

Aspectos mais citados pelos jurados em alegorias desde 2015:

– Falta de leitura
– Falhas de acabamento
– Elementos estranhos na alegoria
– Alegoria apagada
– Pouco impacto visual
– Conjunto irregular

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