Diz o manual do julgador da Liesa, à respeito do quesito enredo que a proposta do carnavalesco deve ser analisada mediante sua importância e relevância cultural no aspecto da concepção apresentada e se foi passada de forma clara, objetiva e coerente na avenida no subquesito da realização. Mas onde ocorrem as falhas mais comuns em enredo nos desfiles? É o que o site CARNAVALESCO busca responder com a série ‘De olho nos quesitos’, que aborda enredo nesta reportagem.
O sequenciamento histórico de acontecimentos que amarram a narrativa é fundamental para a correta compreensão da proposta. Se a defesa do enredo, entregue à Liesa, meses antes dos desfiles, aborda temáticas históricas ou biográficas, então qualquer erro de sequência precisa perder décimos. Esse é um dos aspectos mais comuns citados em justificativas. Em 2015 o Salgueiro escalonou alegorias de forma errada e o julgador Fernando Bicudo puniu.
“Diante do fio cronológico que segue historicamente a evolução da culinária em Minas Gerais e os fatos que levaram à excelência de hoje, lamento que tenha havido uma inversão entre as alegorias 03 e 04. Foi a descoberta do ouro e a riqueza gerada que viabilizou o surgimento de banquetes”, puniu.
Desenvolver o enredo de maneira pouco clara também é passível de punição. Os setores precisam possuir coerência entre si. É comum em enredos patrocinados por exemplo a inserção de elementos que quebrem a narrativa e cause falha no desenvolvimento. Esse aspecto pode ser claramente identificado na justificativa de Johny Soares para o desfile da União da Ilha em 2016.
“A proposta não foi bem desenvolvida, resultando em uma narrativa fragmentada e confusa. A inclusão do grupo ‘artes marciais’ no setor 4 (‘o carioca nasceu para correr’), parece deslocada e incoerente ao lado de outras alas relacionadas a esportes de corrida”, indicou.
Em 2017 um grande polêmica culminou com a divisão do título entre Portela e Mocidade. Um julgador, baseado em um livro abre-alas com erro, puniu a Mocidade em enredo pela falta de um destaque de chão. A escola provou que havia ratificado a versão anterior do livro abre-alas e dividiu com a Portela o campeonato. Este é mais um exemplo de situações que são penalizadas em enredo. A falta de elementos que constam no livro abre-alas. Como no desfile da Beija-Flor de 2018, conforme cita Persyo Gomide Brasil em sua justificativa.
“A ala número 5 não trouxe maleta de dinheiro (livro abre-alas página 33); no ato número 04 p figurino é diferente do que consta no livro abre-alas (página 32); na indumentária da ala número 18 faltou o elemento inclusivo; após a ala número 8 (‘o bloco dos sujos, um arrastão de alegria’), surgiu um grupo com bandeiras não roteirizado”.
Aspecto mais citados nas justificativas de enredo nos últimos cinco anos:
– ausência de elementos;
– erro de sequenciamento:
– falhas de desenvolvimento;
– pouca leitura;
– falta de criatividade.
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