Segundo o manual do julgador, distribuído pela Liesa aos jurados e divulgado em seu site oficial na internet, no quesito harmonia deve-se observar “a perfeita igualdade do canto do samba-enredo, pelos componentes da escola, em consonância com o puxador e a manutenção de sua tonalidade; o canto do samba-enredo, pela totalidade da escola e a harmonia do samba”. Mas o que de fato tem feito as escolas do Grupo Especial perderem pontos neste quesito tão importante para um bom desfile?

Em busca dessa resposta o site CARNAVALESCO apresenta um nova série de reportagens, totalmente baseada em um levantamento nas própria justificativas dos últimos cinco anos. ‘De olho nos quesitos’ procura apontar onde, na opinião da comissão julgadora, as escolas precisam estar atentas, os erros mais comuns apontados por aqueles que têm a responsabilidade de dar notas.

No quesito harmonia, especificamente falando, há uma tendência de se julgar o carro de som e não apenas o canto da escola. Muitos dirigentes especialistas no quesito reclamam dessa forma de se julgar o quesito, mas o fato é que o desempenho dos intérpretes, seus apoios, a equipe de cordas e até a bateria estão sob os olhares dos julgadores do quesito, segundo as justificativas dos últimos cinco carnavais.

As penalidades mais comuns apontadas em justificativas são o desencontro entre o canto da escola e o dos intérpretes, junto com a bateria; o excesso de cacos e palavras de empolgação emitidos pelos intérpretes oficiais e andamentos de bateria inadequados que prejudicam o entendimento daquilo que se é cantado.

De fato, segundo as justificativas, os intérpretes se encontram na marca do pênalti. Usando formas de linguagem diferentes, em praticamente todos os anos pesquisados há punições em cima dos cacos dos intérpretes. Foi o que justificou o julgador Humberto Fajardo em 2015, para punir o desfile da Unidos da Tijuca com uma nota 9,8: “A execução excessiva de ornamentos (cacos) por parte do intérprete principal, prejudicou a execução do samba”.

O desempenho da bateria é muito importante para a sustentação da parte musical de um desfile. E o quesito harmonia tem tido muita atenção em um dos temas mais debatidos por mestres e sambistas: o andamento adotado por algumas baterias. Em 2016 a Grande Rio perdeu pontos preciosos, segundo os julgadores, por andamento acelerado demais. O mesmo Humberto Fajardo alertou ao aplicar um 9,9: “o andamento acelerado prejudicou a execução do canto”. Fajardo repetiu a punição, desta vez para a Imperatriz Leopoldinense em 2017, também 9,9: “a execução do canto pela escola foi prejudicado pelo andamento acelerado”.

O carro de som é um dos aspectos mais complexos do desfile. Primeiro por não depender apenas da escola o seu bom desempenho, uma vez que a empresa contratada para realizar o som da avenida é alvo de severas críticas. A equalização mal feita pode colocar todo um trabalho no lixo. Já foram justificadas algumas vezes que as vozes principais ou estavam muito mais altas ou muito mais baixas que as auxiliares e também o inverso. As cordas são outro crasso problema. Elas foram alvo de justificativas sete vezes desde 2015. Isso representa que a cada 40 justificativas em harmonia uma é em cima de problemas de cordas. Como justificou neste ano Deborah Levy, ao aplicar um 9,9 à Vila Isabel: “houve alguns momentos de embolação na base, devido ao excesso de desenhos dos cavacos, violões e tamborins, causando ‘polirritmias'”.

Aspectos mais citados pelos jurados em harmonia desde 2015:

– Falta de sincronia entre o canto do carro de som, da escola e a bateria;
– andamento excessivamente acelerado da bateria, prejudicando o canto;
– irregularidade no canto, com alas cantando muito mais que outras;
– excesso de cacos emitidos pelos intérpretes;
– equalização mal feita no carro de som, acarretando desencontros entre cantores, cordas e o canto dos componentes.

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