Ele ficou fora da escola quatro carnavais. O suficiente para o salgueirense sentir um enorme vazio, mesmo com bons resultados obtidos na avenida. Se você chegar na quadra do Salgueiro e citar o nome de Melquisedeque, talvez, pouca gente compreenda de quem se trata, mas é claro que o assunto é Quinho do Salgueiro. Com a escola em seu nome artístico, o intérprete abriu seu coração em uma conversa com a reportagem do CARNAVALESCO.

Quando entoar na avenida seu inigualável “Arrepia Salgueiro”, Quinho completará 22 carnavais pela agremiação. Sua estreia se deu em 1991. Ficou na escola até 1993, ano do antológico ‘Peguei um Ita no Norte’. Depois de uma breve saída retornos entre 1995 e 1999. Após passagem pela Grande Rio, novo retorno à academia entre 2003 e 2014. A saída mais longa se deu após tentar se candidatar à presidente e perder pra Regina Celi. Quinho revela que não se arrepende.

“Eu fiz uma opção. Fiquei quatro anos fora, embora tenha recebido convites. Mas não queria desempregar um colega. Eu sou uma pequena partícula no carnaval. Nesse período cantei em outras praças, como São Paulo, Vitória. A minha vontade e objetivo sempre foi o retorno para o Salgueiro. Estou de volta e a escola está feliz”, conta o cantor.

Ninguém cantou mais sambas do Salgueiro que Quinho na avenida. O intérprete superou Noel Rosa de Oliveira, que entre 1960 e 1977 foi intérprete da escola e cantou os mais significativos sambas da história do Salgueiro. Ele confessa que quando foi convidado faria apenas dois carnavais.

“Graças a Deus completo 22 carnavais só pelo Salgueiro. Vim da União da Ilha para fazer apenas dois carnavais. Ganhei visibilidade, amor, carinho e eu sou salgueirense. Ter cantado 1993 mudou o meu patamar, a minha vida. E o nosso samba de 2020 possui a cara da escola, o meu estilo e do meu parceiro Emerson Dias”, derrete-se Quinho.

Ao citar Emerson Dias, Quinho deixa o olho brilhar. Orgulhoso de ser um dos mentores de um dos grandes intérpretes do carnaval. Foi pelas mãos de Quinho que Emerson ganhou a oportunidade de iniciar uma belíssima carreira na Grande Rio, de onde só saiu para retornar para sua escola de coração.

“Ele construiu sua trajetória lá, mas como ele mesmo fala, ele também é salgueirense. É muito gratificante cantar com ele. Ano passado chegamos depois do samba já gravado, chegamos para somar. Eu e Emerson nos entendemos no olhar. A parceria é maravilhosa e quem ganha é o Salgueiro. Eu e Emerson somos desprovidos de vaidade”, elogia.

Do alto de 36 anos de carreira (Quinho começou na União da Ilha em 1988) um dos mais longevos intérpretes da avenida destaca dois nomes da nova geração que seguem renovando a filosofia de alegria na avenida. O intérprete, porém, alerta que ninguém é maior que o samba.

“Temos grandes cantores. O segredo é não se achar maior do que é. Como diz o samba do Salgueiro, ‘quando cair saber levantar’. Eu gosto muito do Igor Sorriso, que foi para São Paulo. Tem o Tinga, o Wander Pires, que já são consagrados. Eu acho o Nino do Milênio um menino de muito talento”, elogia.

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