Por Gustavo Lima. Fotos: Felipe Araújo/Liga-SP

A Tom Maior realizou na noite deste domingo, seu segundo e último ensaio rumo ao carnaval 2020. O destaque do treino foi o samba-enredo interpretado por Bruno Ribas, onde tem uma letra que questiona e exalta a importância da raça negra, dizendo que o reconhecimento de seus feitos não pode ser reconhecimento como uma espécie de esmola, e sim deveria ser algo normal. Um ponto negativo foi a evolução, por causa da chuva a escola diminuiu o andamento na pista, o que culminou no tempo de 65 minutos. A direção de harmonia explicou que para escola não houve atraso, já que ela considera que a contagem começa apenas quando a bateria sobe e assim o treino teve duração de 63 minutos.

“Nós viemos em um crescente, hoje foi mais difícil trazer todo contingente, mas nós temos muitos ensaios de rua. Então a minha avaliação é que nós estamos no caminho, a excelência a gente tem que atingir no dia 21. Eu ainda tenho ensaio de rua dia 16 e estou muito contente, porque a minha comunidade abraçou e tem cantado esse samba como se tivesse realmente fazendo um clamor, e essa é a nossa intenção. Não é exatamente uma crítica social, nós realmente cantaremos a nossa história, uma parte que ficou oculta, nossos personagens que são citados no enredo, eu acredito que 80% o pessoal não tinha nem conhecimento. Sobre o samba, acredito que quando você canta algo que se identifica, a coisa flui com mais tranquilidade. Os componentes se identificaram com essa história, que é afro-brasileira e eu acho que 90% da nossa população brasileira tem o sangue negro e acho que é isso faz com que os componentes venham com mais vontade”, disse a presidente Luciana Silva.

Samba-Enredo

Muito bem interpretado pelo intérprete Bruno Ribas, que vive boa fase e está indo para seu quarto carnaval na agremiação, é um dos melhores sambas do ano, a obra se destaca muito mais por sua letra, que questiona e exalta a importância dos negros. O samba destaca bem as intenções da escola na avenida, que é contar os feitos dos negros na história do Brasil e a luta pela igualdade e liberdade, como é citado.

“Hoje foi hiper positivo, agora a gente acertou tudo o que a gente precisava acertar, o som, o chão, faltava mais um volume e agora estamos prontos, vamos pra guerra, que seja o que o nosso senhor Jesus Cristo quiser. O entrosamento com a bateria está tudo lindo e perfeito, graças a Deus”, afirmou o intérprete Bruno Ribas.

Bateria

Com um andamento mais cadenciado, a bateria da Tom Maior optou pela execução de algumas bossas, que eram feitas esporadicamente. Destaque para o arranjo que é feito nas duas últimas estrofes do samba e termina no começo do refrão principal. É uma bossa que tem a presença de todos os instrumentos e exalta a harmonia da escola.

“O ensaio foi bem positivo, quando chove eu fico até feliz porque a energia é renovada. Eu estou com o sentimento de que nós alcançamos um nível pra fazer uma boa apresentação no dia do desfile e agora é ir pro dia e tentar reprisar esses ensaios técnicos que nós fizemos, e a escola está de parabéns, é um contingente muito bom, a harmonia tem feito um bom trabalho e estou confiante na nossa escola. Na bateria, nós temos três convenções e uma virada de três que tem doze compassos, então vai depender muito do momento que nós vamos apresentar para os jurados. O entrosamento com o carro de som está fantástico, são anos trabalhando juntos e estamos bem confiantes”, declarou o mestre Carlão, diretor de bateria da escola.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O casal teve um ótimo desempenho nesta última noite. Apesar da pista molhada, mostraram um alto sincronismo no bailado e na coreografia, afinal, estão há muito tempo juntos ostentando o pavilhão da comunidade de Sumaré, e claramente a dupla se entende apenas no olhar, parecem deslizar na pista pela tamanha facilidade de evoluir.

Harmonia

A escola cantou com clareza do início ao fim. Quando se olha para os componentes, dá para notar praticamente todos com intimidade com o samba. A bateria de mestre Carlão também contribuiu para isso, pois executou algumas bossas em que dava ênfase para se notar o canto da comunidade.

Evolução

A escola optou por algumas alas coreografadas. Não houve presença de buracos na pista e as alas estavam sincronizadas, a escola preencheu a pista. A maioria das alas carregavam “bexigões”, o que deu um efeito especial na avenida. Vale ressaltar que a Tom Maior estourou o tempo de 65 minutos, talvez devido a chuva, mas de toda forma, é algo em que o departamento de harmonia juntamente aos coordenadores de ala deve se atentar e corrigir.

Comissão de Frente

A ala teve uma apresentação com bastante coreografia. Vestidos com roupa afro, a comissão levou muitos integrantes para a pista, que dançaram de forma sincronizada e fizeram a coreografia compactada, posicionados em formas geométricas. Mesmo com a forte chuva, a ala obteve êxito em sua apresentação e cumpriram com o desejado. A ala não optou pelo uso de tripé.

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