Vivendo uma falta de recursos sem precedentes o modelo de gestão das escolas de samba é apontado como um dos grandes responsáveis pela crise financeira que atingiu o maior espetáculo da terra. A reportagem do CARNAVALESCO conversou com alguns dirigentes para que eles pudessem dar as próprias sugestões na área de gestão que pudesse melhorar a arrecadação.

Um dos mais experientes dentro da Liesa é sem dúvida o presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta. Segundo ele, é hora de cobrar por uma mudança na forma de se fazer o carnaval.

“Eu acho que a Liesa está bem entregue com o presidente Jorge Castanheira. Ele mesmo sente que tem de fazer mudanças. Eu acredito que para 2020 o carnaval passe por uma profunda mudança. Não podemos comparar com os desfiles de antigamente. Hoje em dia as receitas vem apenas da TV e de ingressos. Acostumou-se com patrocínios e subvenção pública. Sobre o prefeito, eu prefiro nem comentar. Ele acha que está ajudando as escolas. De um faturamento gigantesco ele tira um fatia mínima para o carnaval. Apenas estamos cobrando por uma arrecadação que é gerada por nós. A gente tem de se unir. Eu posso ser considerado um bom gestor, mas como gerir o zero? É preciso repensar o que será feito daqui para frente”.

Para Dudu Azevedo, diretor de carnaval da União da Ilha, e com passagens por Salgueiro e Grande Rio, o segredo está em reaproximar as escolas de samba do povo, buscando eventos nas quadras que saiam da mesmice dos ensaios.

“A gente precisa criar mais atrativos hoje. Só o samba na quadra, os ensaios não atrai mais tanta gente. O momento é de pensar um pouco fora da caixa e fundamentalmente ocupar as escolas de samba com mais povo, o que se perdeu nos últimos anos”.

Fernando Fernandes assumiu a Unidos de Vila Isabel este ano, mas sugere que os presidentes das escolas de samba passem por cursos de formação na área de gestão, ministrados pela Liesa.

“Eu proponho que a Liesa faça  cursos de gestão para os presidentes. É preciso formar, deveria ser obrigatório. O carnaval seguirá sofrendo profundas mudanças. Não adianta fazer uma coisa radical. É preciso um dinamismo maior, maior qualificação. Houve uma parada no tempo com relação a isso. O produto tem muita qualidade, mas há um considerável déficit de trabalho”.

Wilsinho Alves, diretor de carnaval e ex-presidente da Vila, com experiência na Viradouro e União da Ilha, cita a importância das redes sociais e do marketing para angariar recursos para as agremiações.

“Eu sempre fui um defensor da Liesa e seguirei. Dentro da Liga há muito tempo a gente vem pedindo alterações em segmentos da administração, que serão seguidos. Um marketing que permita um consumo melhor do produto. Informatização da venda de ingressos. O sucesso passa pelas redes sociais. Um canal no Youtube, um Instagram atuante. Uma eleição presidencial acaba de ser decidida nas redes sociais, é bom lembrar”.

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