Morreu na madrugada desta segunda-feira um dos mais importantes personagens do mundo do samba. Domingos da Costa Ferreira, o Dominguinhos do Estácio, aos 79 anos de idade. O cantor estava internado desde 11 de maio no Hospital Azevedo de Lima, em Niterói, após sofrer uma hemorragia cerebral.

Dominguinhos foi um dos personagens lendários da história dos desfiles das escolas de samba. O sobrenome artístico claro remonta ao morro de São Carlos e à Estácio de Sá, primeira escola de samba do Brasil. Foi pela vermelho e branco que o então compositor deu os primeiros passos na carreira musical, até receber a primeira oportunidade como intérprete oficial nos anos 1970. É de autoria do puxador o antológico samba da agremiação ‘Festa do Círio de Nazaré’. A obra fez de Dominguinhos um fervoroso devoto da Virgem de Nazaré e presença assídua no cirio, realizado em Belém do Pará.

* HOMENAGENS DOS CANTORES
* ESCOLAS DE SAMBA PRESTAM HOMENAGENS

A voz dolente e as divisões perfeitas do cantor, chamaram a atenção do presidente da Imperatriz Leopoldinense, Luizinho Drumond. A emergente agremiação do bairro de Ramos tirou Dominguinhos da Estácio no carnaval de 1978. Foi na voz marcante de Dominguinhos que a Imperatriz ganhou seus dois primeiros campeonatos em 1980 e 1981.

Dominguinhos do Estácio retornaria à Estácio para o Carnaval 1984, ano em que a agremiação adquiriu o nome que ostenta até hoje. Na inauguração do Sambódromo o intérprete cantou o samba ‘Quem é você?’, outro clássico eternizado por sua voz. Até o Carnaval 1988 Dominguinhos defendeu as cores da escola que o revelou.

Em 1989 Dominguinhos viveu o ápice como intérprete de samba-enredo. Defendeu na avenida, de volta à Imperatriz, ‘Liberdade, liberdade, abre as asas sobre nós’. Um dos maiores sambas de todos os tempos. Mais um título para o currículo de Dominguinhos. Ele voltaria à Estácio mais uma vez para o Carnaval 1992 e novamente marcaria sua fama de pé quente. Cantou outra obra lendária, conquistando o até hoje único título da vermelha e branca no Grupo Especial: ‘Pauliceia Desvairada: 70 anos de modernismo’.

Em 1997 Dominguinhos do Estácio aportou em Niterói. Na cidade viveu o período mais longevo em uma escola de samba, a Unidos do Viradouro. E de novo uma estreia com título com outra apresentação antológica. ‘Trevas, luz, a explosão do universo’. O cantor permaneceu na vermelha e branca de Niteroi até o desfile de 2007. Nos últimos anos Dominguinhos chegou a ter rápidas voltas à Estácio, Imperatriz e Viradouro. Em 2017 foi sua última apresentação na avenida.

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