Marcos Rezende, talvez, poucas pessoas saberiam identificar quem é só pelo nome, mas com certeza ao revelar o apelido muitos sambistas reconhecem. Quando era pequeno, acompanhava seu tio pra todo canto, e, através disso surgiu o famoso apelido: “Sombra”. Naquela época ninguém poderia imaginar, mas hoje o mestre Sombra é uma das grandes personalidades do carnaval paulistano.

Antes de firmar sua história na Morada do Samba, Sombra também desfilou pela Tom Maior, Pérola Negra, Águia de Ouro e a tradicional escola de samba Camisa Verde Branco. Além de principal responsável pelo som da batucada, ele também assume o cargo de vice-presidente da agremiação, ao lado de sua esposa Solange Cruz, atual presidente. São 25 anos de envolvimento com a Mocidade Alegre. Mestre Sombra é respeitado por muitos sambistas consagrados, não estranhe quando ouvir: “Eu aprendi tudo com esse cara aqui”, essa é uma das frases mais repetidas quando citam o nome dele.

“É muito bom saber que o trabalho é reconhecido e que as informações que a gente passa estão sendo úteis, isso é gratificante. Acho que a nossa função de diretor de bateria é essa, passar informação, corrigir, cobrar e fazer as pessoas entenderem o trabalho proposto, e acho que temos que fazer valer o nome ‘escola de samba’. Sou um diretor com perfil disciplinador, sou rígido na cobrança de resultados, mas procuro momentos de descontração, porque eu sou chato no trabalho, entendo que o carnaval é sério, mas precisamos de um ambiente agradável para todos”, afirma Sombra.

A Bateria Ritmo Puro carrega características fortes, a começar pela formação de início do desfile, a primeira linha de naipes é formada só por cuícas, e logo atrás vem a famosa cozinha (Surdos, Repiques e Caixas). Os instrumentos leves, tamborim, chocalho e agogô, vem no final da formação. Após o recuo a proposta se inverte, fazendo com que os leves formem a frente da bateria. A batida de caixa da morada é igual desde a formação da escola, que segue as características do partido alto, acentuando no tempo. As terceiras seguem o desenho proposto seguindo a melodia do samba-enredo. Os tamborins da Ritmo Puro são uns dos destaques, qualidade nos desenhos e execução são notórios.

A expectativa sobre quem será o sucessor do cargo de mestre Sombra é um assunto de muita indecisão, sobre isso ele defende: “Não pensei nisso, por enquanto estamos caminhando. Acho que dá pra ir um pouco mais ainda, sucessores é o que não faltam, Graças a Deus. Vamos ver o que o Sombrinha vai amadurecer ainda”.

Atual vice-campeã do carnaval de São Paulo e detentora de 10 títulos do Grupo Especial, a escola de samba Mocidade Alegre será a terceira escola a desfilar na noite de sábado, 02/03, às 00h40, com o enredo indígena: “Ayakamaé – As Águas Sagradas do Sol e da Lua”.

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