Considerado maior desfile da história do carnaval, “Ratos e Urubus, Larguem Minha Fantasia”, de 1989, venceu o “Duelo dos Desfiles” o estonteante “Áfricas: Do Berço Real à Corte Brasiliana”, de 2007. O resultado foi 59,3% contra 40,7%.

Joãosinho Trinta, apontado como o maior carnavalesco da história, fez algo inimaginável na Marquês de Sapucaí. Década de 1980, precisamente o ano de 1989. “Este enredo é um protesto. Vamos tentar, também, mostrar por outro lado, o luxo que servirá de contraste. Será o LIXO DO LUXO”, dizia um trecho da sinopse.

Beija-Flor 1989 (Por Renato Palhano): “Um desfile repleto de polêmicas e êxtase coletivo, “Ratos e Urubus, larguem minha fantasia”, provocou completamente o conceito estético de um desfile de escola de samba. Levando o lixo e a miséria, misturadas com religiosidade e protesto, a Beija-Flor sucumbiu os críticos naquela madrugada recheada de simbolismo popular. O ousado Joãosinho Trinta, que teve sua maior escultura censurada, o Cristo Mendigo não agradou a cúria e foi vetada pela mesma. Mas o que parecia uma censura pura e simples, se transformou num dos maiores símbolos do carnaval até hoje. Aquela alegoria coberta com plástico preto trazia a frase “mesmo proibido, olhai por nós” fez uma verdadeira revolução no carnaval, fazendo a imagem rodar o mundo e a Beija-Flor trouxe para si o protagonismo daquele carnaval. Enquanto o desfile rolava, os componentes da escola, com sangue nos olhos e cheios de orgulho, iam retirando o plástico preto da escultora e cantando a plenos pulmões o samba da escola, atravessaram a avenida emocionados e levando o público com eles. Até o lendário carnavalesco Fernando Pamplona, na época comentarista, fez um discurso emocionado em defesa da Beija-Flor e de Joãosinho Trinta, entrando para os anais da TV brasileira. A escola ficou com o vice-campeonato, mas o desfile está marcado para sempre na história do carnaval e da escola de Nilópolis”.

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