A série “Duelo dos Desfiles” chega na Viradouro. A escolha dos desfiles é até surpreendente. O confronto não envolve dois desfiles campeões, apenas um foi o vencedor, exatamente, o apresentado em 2020. Do outro lado, está o inesquecível “Orfeu”, de 1998, produzido um ano após o título da escola de Niterói. Sempre muito falado entre os torcedores da vermelho e branco, o desfile de 1998 feito por Joãosinho Trinta é considerado campeão pelos componentes, mas terminou na quinta colocação. A obra de 2020 ficou famosa pelo “ensaboa” no samba-enredo e por todo o conjunto exibido pelos carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon. Você pode ver a opinião dos nossos debatedores e depois deixar seu voto. O resultado será divulgado no sábado.

O enredo “Orfeu, o Negro do Carnaval”, apresentado em 1998, traz a marca de Joãosinho Trinta. Um trecho da sinopse diz: “A Escola do Morro é vencedora. E no desfile das campeãs, ela retorna com todo a vibração da bateria, a beleza do samba, a poesia das baianas e a empolgação de toda a Escola. Cantando e dançando a Vitória, fazem da alegria a louvação e glorificação de ORFEU – O NEGRO DO CARNAVAL”. O enredo “Viradouro de alma lavada” coloca a dupla de carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon no mais alto patamar do carnaval do Rio de Janeiro, o que reserva espaço apenas para os campeões do Grupo Especial. Um trecho da sinopse diz: “Histórias que se cruzam à beira da Baía e refletem no espelho d’água o futuro, sem se esquecer da luta de um passado recente. De mãos dadas, ganzás embalam chocalhos, atabaques versam caixas, pandeiros cadenciam o choro das cuícas. Lágrimas que se revigoram no sagrado altar do samba sob as bênçãos de Xangô e São João Batista – protetores da minha Viradouro. Viradouro que, de alma lavada, abraça as Ganhadeiras de Itapuã, espelho da mulher brasileira”.

Viradouro 1998 (Por Fiel Matola): “Depois do campeonato de 1997, a Unidos do Viradouro apresentava uma “tragédia grega brasileira” para o carnaval de 1998. O carnavalesco Joãosinho Trinta apresentava mais um de seus delírios, “Orfeu Negro do Carnaval” era o enredo, dizia o mito que Orfeu Negro vivia no morro, um deus da música, ele arrasava corações das mulheres só com sua música tocada em seu violão. Apesar de tantas damas aos seus pés, o seu único amor era Eurídice, mas no dia do desfile em que sua escola de samba iria o homenagear, ela morre com um tiro. Não participa do desfile, como ele desprezou as outras mulheres, elas por vingança jogam ele do alto do morro para morte. A escola de samba vence o carnaval e Orfeu é aclamado! Na época, o samba já explodia nas rádios antes mesmo do carnaval, com um refrão empolgante onde dizia: “Hoje o amor está no ar//Vai conquistar seu coração//Tristeza não tem fim//Felicidade sim//Sou Viradouro, sou paixão”. No dia, Dominguinhos conduziu com maestria, mestre Jorjão também apresentou bossas em sua bateria. Joãosinho Trinta que trouxe no ano anterior a cor preta, mais uma vez, optou por cores mais escuras, no final do desfile. Na aclamação de Orfeu usou outras cores, com outros tons, mostrando seu talento nato. O público acompanhou a escola cantando muito no final o grito de “bicampeã”. Até hoje, os componentes da Viradouro falam desse desfile com emoção. Mas, como toda tragédia grega, no final a escola amargou a quinta colocação, muitos dizem que injustamente. Minha escolha se dá para exaltar o enredo sensacional da cabeça de João e o samba que eternizou, o verso: “Sou Viradouro, sou paixão!” é dito até hoje pelos componentes com orgulho. Quando tocado na quadra ou em qualquer festa é cantado como se fosse o samba do ano”.

Viradouro 2020 (Por Dandara Carmo): “O desfile da Viradouro 2020 foi certamente um desfiles mais inesquecíveis da escola por conta de um conjunto de acertos do início ao fim. A escolha de um enredo que valoriza a cultura nacional foi, sem dúvida, o primeiro e um dos maiores acertos da escola. A surpresa da comissão de frente com Oxum surgindo das águas foi magnífico. O samba era bem fácil de cantar e pegou na boca dos componentes e do povo que estava na arquibancada, graças também a incrível interação de Zé Paulo e mestre Ciça. Foi um desfile belíssimo de assistir, de agradar aos olhos com tanta beleza, sensibilidade e bom gosto nas alegorias e fantasias. Esse com certeza foi o meu desfile inesquecível da Viradouro”.

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