O ex-prefeito Eduardo Paes (DEM) é o terceiro entrevistado da série de entrevistas que o site CARNAVALESCO vem realizando com os candidatos à Prefeitura do Rio. A gestão de Paes (2009-2016) foi apontada como a melhor da história para o carnaval. Paes reformou e ergueu quadras do zero para tradicionais agremiações, subsidiou os desfiles com um subvenção e era nítido que ele foi um prefeito sambista, sempre presente nops desfiles e feijoadas quando era possível. Tudo isso fez com que o ex-prefeito recebesse nesta campanha o apoio institucional das agremiações para o pleito de 15 de novembro.

Eduardo Paes é afilhado político de Cesar Maia, outro prefeito que possui muito cartaz com o sambista (foi Maia quem ergueu a Cidade do Samba). Na primeira gestão do tradicional político, Paes foi sub-prefeito da Zona Oeste, entre 1993 e 1997. Nas eleições de 1996, foi eleito vereador pela primeira vez na capital fluminense. Sua ascenção na política foi meteórica e ele sequer cumpriu uma legislatura completa, pois foi eleito deputado federal em 1998. Permaneceu na câmara por duas legislaturas, até sair em 2007. Com a vitória de Sérgio Cabral para o Governo do Estado em 2006, Pares se tornou secretário de Turismo, Esporte e Lazer. Nas eleições de 2008, apoiado pelo governador, Paes se elegeu prefeito em uma apertada votação no segundo turno contra Fernando Gabeira. Em 2012 foi reeleito no primeiro turno. Deixou a prefeitura em 2016 e não conseguiu fazer o seu sucessor. Em 2018 Paes foi derrotado no pleito para o Governo do Estado pelo ex-juiz Wilson Witzel (PSC).

Confira a entrevista com Eduardo Paes:

A atual gestão comandou uma cruzada contra o carnaval e as escolas de samba? A sua gestão vai dar apoio institucional e financeiro à festa?

Eduardo Paes: “Sempre apoiei o carnaval não porque amo a Portela, as escolas, o samba. Sempre separei meus gostos pessoais dos meus deveres institucionais como prefeito. O carnaval é uma manifestação cultural fantástica e que tem um impacto econômico importantíssimo na cidade do Rio. Isso tudo tem a ver com a nossa identidade, com o jeito de ser do carioca, uma marca que exportamos para outros lugares do Brasil e do mundo. Quando fui prefeito me dediquei a reformar as quadras das escolas de samba porque o meu objetivo era dar sustentabilidade a elas. Porque essa dependência do poder público, de um patrono não é o ideal e as agremiações são muito maiores do que isso. O caminho ideal é o poder público oferecer condições de sustentabilidade, para que as escolas se tornem independentes. E é isso que vou fazer ao dar o apoio que sempre dei.”

As escolas da Série A têm cada vez mais dificuldades em construir o seu desfile sem barracões. Qual a sua opinião sobre a Cidade do Samba 2?

Eduardo Paes: “Sou totalmente a favor e quis construir a Cidade do Samba 2, só que o mundo e o Brasil enfrentaram uma grave crise econômica nos meus últimos anos de governo e não consegui fazer. Mas cheguei a comprar um terreno que era do Exército para erguer a Cidade do Samba 2, destinada às escolas do Grupo de Acesso. O local é ao lado do Maracanã, de fácil acesso, próximo ao Morro da Mangueira e do Sambódromo. Infelizmente, o prefeito atual nada fez lá e esse é um projeto que vou tirar do papel.”

Como a prefeitura pode fomentar o carnaval de rua e os blocos, que trazem milhares de turistas para a cidade no período de carnaval?

Eduardo Paes: “Essa resposta temos de pensar em dois cenários. O primeiro, em 2021, sem a vacina para o Covid-19, que poderemos não ter ainda em fevereiro e precisaremos atuar com bom senso. É preciso que iniciativa privada e a Prefeitura do Rio atuem em parceria para evitar aglomerações e seguir os limites sugeridos pela medicina. Em 2022 ou até 2021 com um carnaval fora de época, com todos vacinados, vou continuar a incentivar como sempre fiz. Tanto que foi durante as minhas duas gestões à frente da prefeitura do Rio que o carnaval de rua e os blocos renasceram e atingiram a dimensão que têm hoje. Por isso, terei não só esse compromisso com o apoio institucional, mas também com o financeiro, com a celebração de parcerias público-privada, como já fizemos.”

O que você considera que deva ser feito com o Sambódromo? Passar ao governo estadual ou manter com a prefeitura?

Eduardo Paes: “Com toda a certeza, permanecer com a prefeitura. Não existe qualquer possibilidade de, em minha gestão, eu abrir mão do Sambódromo.”

Como a sua candidatura enxerga a importância do carnaval para a arrecadação da cidade do Rio de Janeiro?

Eduardo Paes: “Como já disse, o carnaval é uma manifestação cultural fantástica e que tem um impacto econômico importantíssimo na cidade do Rio. Por isso, o prefeito precisa entender e ter a compreensão de que o Carnaval é um importante ativo e que movimenta a economia da cidade. Um Carnaval chega movimentar mais de R$ 2,5 bilhões e gera milhares de empregos. O que precisa é ser gestor, saber administrar e ter compreensão institucional. Infelizmente, o maior problema do prefeito Marcelo Crivella não foi de ter deixado de dar o subsídio, algo que por si só é grave, mas o pior foi a falta de respeito com a importância cultural do carnaval. E ele foi covarde ao falar: ‘vou tirar recursos do carnaval para colocar nas creches’. Isso é uma maneira de tentar colocar a população contra o carnaval. Como se R$ 10 milhões tirados do carnaval fossem recuperar todas as creches. Por exemplo, o orçamento da Educação são R$ 5 bilhões e, neste caso, R$ 10 milhões não iriam fazer tanta diferença. Como prefeito, vou trabalhar para recuperar não só carnaval, mas para que todos os grandes eventos na cidade voltem a ter a importância e a magnitude que merecem e que são tão importantes para a cultura e para a economia da nossa cidade.”

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