A Live do Samba, promovida pela Beija-Flor de Nilópolis, e, que reuniu outras seis escolas de samba do Grupo Especial, na noite deste sábado, na Cidade do Samba, teve quase seis horas de duração, com 184 mil visualizações (até às 23h50 de sábado) e arrecadou 60 toneladas de alimentos. Participaram também as escolas: Mangueira, Portela, Tuiuti, Vila Isabel, Unidos da Tijuca e a campeã Viradouro. O comando foi de Milton Cunha, como sempre, dando um grande show de apresentação do espetáculo. Dudu Azevedo, diretor de carnaval da Beija-Flor, conduziu com maestria a Live do Samba.

Palmas também para os mestres de bateria, músicos e ritmistas que acompanharam todas escolas. Antes de cada exibição, o locutor oficial do Sambódromo, Vanderlei Borges, fez a apresentação oficial em vídeo gravado.

As cinco escolas que não participaram (Mocidade, São Clemente, Grande Rio, Salgueiro e Imperatriz) foram chamadas pela organização, mas não aceitaram o convite. O encontro dos sambistas, no meio do duro período de quarentena no combate ao novo Coronavírus, trouxe um alívio para todos que puderam festejar e aliviar a cabeça no momento de fundamental isolamento social.

Neguinho da Beija-Flor abriu a Live do Samba. Todos os cantores ficaram em cima de uma alegoria utilizada no Carnaval 2020. A organização disponibilizou álcool em gel e máscaras de proteção. Durante a apresentação da escola de Nilópolis, Anísio (presidente de honra), Gabriel David (conselheiro da escola) e Almir Reis (vice-presidente) apareceram em vídeos gravados.

Segunda escola a se apresentar a Vila Isabel teve a participação do presidente de honra, Martinho da Vila, enredo para o Carnaval 2021, em um vídeo gravado. Tinga passeou por diversas sambas da escola do bairro de Noel. Ele abriu com o histórico “Kizomba”.

A Unidos da Tijuca foi a terceira escola a se apresentar. Wantuir abriu com o samba de 1999 (“O Dono da Terra”) e também cantou o inesquecível “É Segredo”.

Quarta escola da Live do Samba foi o Paraíso do Tuiuti. A escola promoveu a estreia de Carlos Jr, que pela primeira vez cantou ao lado de Celsinho Mody. O intérprete do Império de Casa Verde agradeceu a acolhida no Rio de Janeiro e citou que ainda estava se ambientando com todos os sambas. Não faltaram os sambas históricos “Um mouro no quilombo” (2001) e “Meu Deus, Meu Deus, Está Extinta a Escravidão?”, do vice-campeonato em 2018.

Gilsinho subiu na alegoria para cantar os sambas históricos da Portela. A Águia de Oswaldo Cruz e Madureira exibiu toda sua gama de obras-primas, inclusive, sendo elogiada em um post do carnavalesco Leandro Vieira. Os sambas “E o Povo na Rua Cantando é Feito Uma Reza, Um Ritual” (2012) e “Quem nunca sentiu o corpo arrepiar ao ver esse rio passar”, do título de 2017, fizeram parte do setlist portelense. O presidente Luis Carlos Magalhães gravou uma mensagem, exibida em vídeo, falando sobre o período de quarentena.

Sexta escola da Live do Samba foi a Estação Primeira de Mangueira. O intérprete Marquinho Art Samba abriu a apresentação com “Atrás da verde e rosa só não vai quem já morreu” (1994). O cantor explicou após o sábado das campeãs teve um problema de saúde com sua esposa e que por ter ficado exposto no hospital precisou ficar de quarentena em casa. Entre os clássicos da Verde e Rosa foram cantados: “100 Anos de Liberdade, Realidade Ou Ilusão” (1988) e o “História pra Ninar Gente Grande”, que deu o título em 2019. O presidente mangueira, Elias Riche, participou em vídeo gravado.

A Viradouro, atual campeã do Grupo Especial de 2020, foi a sétima a subir na alegoria. Com “Bravíssimo – Dercy Gonçalves, o Retrato de Um Povo” (1991) o cantor Zé Paulo abriu a apresentação da escola de Niterói. O intérprete fez um show espetacular, com destaque para a interpretação da obra “O Alabê de Jerusalém” (2016) e a música de “O bêbado e a equilibrista”, de Aldir Blanc (que faleceu recentemente) com João Bosco, imortalizada na voz de Elis Regina. Marcelinho Calil, presidente da vermelho e branco, gravou mensagem exibida em vídeo.

O encerramento ficou por conta da anfitriã. Novamente, Neguinho da Beija-Flor voltou para alegoria e cantou “Araxá – Lugar Alto Onde Primeiro Se Avista o Sol” (1999) e “Manôa – Manaus – Amazônia – Terra Santa… Que Alimenta O Corpo, Equilibra A Alma E Transmite A Paz” (2004).

Antes de fechar a Live do Samba, Neguinho passou o comando para Bakaninha, integrante do carro de som da Beija-Flor. Mais uma vez, o experiente cantor repetiu que o jovem será seu substituto na azul e branco de Nilópolis. A live terminou com refrãos das cinco escolas que não participaram. Chave de ouro e alma lavada na união dos sambistas.

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