O Vai-Vai realizou o seu segundo ensaio técnico na noite da última sexta-feira visando o seu desfile no próximo dia 23 de abril. O treino foi marcado pela melhora em relação ao primeiro ensaio, além da garra da escola do Bixiga na passarela do Anhembi. Com certeza, isso impacta diretamente na harmonia da escola. O canto sobressaiu bastante e foi o quesito destaque. Inevitavelmente, a pista molhada, atrapalhou o casal de mestre-sala e porta-bandeira, Reginaldo Pereira (Pingo) e Ana Paula Penteado (Paulinha). A dupla optou por fazer uma dança de segurança. Outra grande citação vai para o público, que mesmo com a forte chuva que caiu antes do ensaio da agremiação, não abandonou as arquibancadas e esperou para ver a escola do Bixiga passar e fazer a festa junto com a comunidade.

“Nosso povo cantando, nosso povo evoluindo. É lógico, é um ensaio preparativo para o desfile. Temos sim sempre coisinhas para corrigir. A perfeição não sei nem se irá acontecer no dia do desfile. É um carnaval difícil. A gente acredita em fazer um trabalho para voltar para os desfiles das campeãs, esse é o nosso objetivo. Aqui é para a gente parar, corrigir, olhar, filmar e gravar. A comunidade do Vai-Vai é a maior. Não tem chuva, não tem sol, ela vem pra guerra, vem pra luta. Com dinheiro ou sem dinheiro. Nós vamos fazer um carnaval com o regulamento debaixo do braço em busca de dar uma resposta para quem viu o ensaio da outra vez e o de hoje da nossa comunidade. Essa semana tivemos mudança no critério de julgamento. As alas de ação justificadas não existem mais. É um trabalho que se refaz, é um novo pensamento, é um novo andamento. Essas ações justificadas eram alas que você não teria que apresentar o figurino, você não seria julgado em evolução, em harmonia e em enredo. Agora, elas não existem mais”, explicou Buiú, diretor de harmonia.

Harmonia

Como dito anteriormente, foi o quesito destaque da escola. Nitidamente, os componentes estavam naquela gana de entrar na avenida. Quem conhece muito bem o carnaval paulistano e os componentes do Vai-Vai, sabe do que se trata esse sentimento.

Claro que de fato ainda não é aquele chão do Vai-Vai de anos anteriores, onde a Saracura estava no auge, mas pelo visto, está dando indícios de que o objetivo é recuperar tudo o que foi feito lá atrás. Para efeito de comparação, as baianas cantavam o samba com muita garra.

Dentro de todo o canto da escola, vale destacar o segundo setor. O hino se fez muito presente nas alas.

Mestre-sala e Porta-bandeira

Um dos melhores casais do carnaval paulistano, Reginaldo Pereira (Pingo) e Ana Paula Penteado (Paulinha), foram extremamente prejudicados pela pista molhada. Por isso, a dupla optou por fazer uma dança mais segura, com o objetivo de se resguardar e evitar qualquer tipo de contratempo, pois a dança de mestre-sala e porta bandeira em uma pista escorregadia, é um perigo. Apesar disso, dentro do que se pode, a dupla mostrou elegância. Não tiraram o sorriso do rosto e apresentaram o pavilhão com garra, para o grande público que estava na arquibancada vendo a escola do Bixiga.

 

Nas vestimentas, Paulinha estava com um vestido estampado, adereço de cabeça laranja e correntes no rosto. O mestre-sala, Pingo, estava todo de preto, além de vestir uma camisa por baixo combinando com o vestido da porta-bandeira.

Samba-enredo

Tido por muitos como o melhor samba-enredo do carnaval paulistano, o hino do Vai-Vai realmente pegou. A resposta disso também veio das arquibancadas. Além de ter uma letra que é de fácil leitura do enredo, também mostra o que é o Vai-Vai, pois exalta a negritude, a cultura de rua e a sua representatividade dentro do carnaval paulistano. Além disso, homenageia grandes ícones da escola.

Na arrancada, a introdução do samba começou com os últimos versos e já partiu para o refrão principal. Vale ressaltar novamente a consolidação do intérprete Luiz Felipe e seu carro de som. O cantor, que é revelado na escola, vem evoluindo cada vez mais. Isso é fundamental para um crescimento. Outro ponto também é que a ala musical do Vai-Vai ganhou o reforço do experiente intérprete Fernandinho SP. Ele já vem ensaiando há um tempo com a agremiação e é um grande nome para engrandecer o carro de som da Saracura.

Além dos refrões, as partes mais cantadas, são os últimos versos: ‘É dona Olímpia, é seu Livinho, nosso Henricão, eterno caminho… Se o filme marcou, eu não estou sozinho… Vem Sankofa, de volta pro seu ninho’

Bateria

A bateria ‘Pegada de Macaco’, é conhecida por fazer uma forte marcação do samba e embalar o componente e as arquibancadas. Realmente, é isso o que acontece. Já é uma bateria renomada do carnaval paulistano, que hoje é regida por mestre Tadeu e mestre Beto. A batucada não executou tantas bossas e não tem variedades nessa questão, mas esse é o estilo da ‘Pegado de Macaco’.

A bossa de destaque se localiza no refrão principal, onde os surdos de primeira e segunda se sobressaem. Os outros naipes diminuem o volume e apenas os surdos sustentam o samba. É uma bossa que dá para medir bem os compassos, além de notar como a bateria volta na marcação do samba.

Evolução

Devido às alas coreografadas e o conjunto da escola, dá para avaliar que o Vai-Vai teve um desempenho satisfatório no quesito evolução. Porém, talvez não seja o melhor. A escola tem samba no pé, mas as alas comuns não se movimentam muito. Na maioria das vezes, andam somente em linha reta, pois componentes ficam juntos demais dentro da ala. É importante fazer isso para não deixar os buracos, mas lado a lado deve-se deixar o espaço para o componente evoluir de um lado para o outro, mais solto. Porém, essa é a estratégia da escola de se fazer o quesito.

Outra estratégia que a agremiação faz é colocar o casal depois da bateria, que diferente das outras escolas, virá no primeiro setor. Sendo assim, a dupla tem mais espaço e tranquilidade para evoluir. Esse fato é até mais importante para o departamento de harmonia. Vale destacar que a saída do recuo ocorreu sem problema.

Outros destaques

O Vai-Vai perdeu uma componente ícone da escola, Cleuzi Penteado (Tia Cleuzi). A histórica integrante da comunidade, tinha 84 anos e desfilou 79 anos de sua vida pela comunidade do Bixiga. Na concentração, o presidente Clarício Gonçalves, fez um discurso e pediu um rufo de bateria, dedicando todo o ensaio à Cleuzi Penteado.

A comissão de frente estava com uma vestimenta, onde partes dos corpos estavam pintados de tinta branca e homens estavam de saias dessa mesma cor. A dança foi compactada, além de ocupar a pista toda durante toda a apresentação.

Diferente do primeiro ensaio, as arquibancadas estavam cheias para ver o Vai-Vai passar. Muitos fogos e sinalizadores estiveram presentes. Algumas alas usavam bexigas e outros adereços de mãos, dando belo contrates visuais na pista.

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