A Imperatriz teve seu primeiro encontro de trabalho com os compositores visando a produção do samba que vai embalar o desfile de 2022. Na noite de quarta-feira a Verde e Branca de Ramos apresentou na quadra e divulgou nas redes sociais a sinopse completa para o enredo “O arrepeio do cabra que o excomungado tratou com má-querença e o santíssimo não deu guarida”. Presentes na mesa estavam a presidente Cátia Drumond, o diretor executivo, João Felipe Drumond, o carnavalesco Leandro Vieira, o diretor de carnaval, Mauro Amorim, o diretor musical Pedro Miguel e um dos coordenadores de carnaval André Bonatte. Antes de entrar no tema do enredo propriamente dito, o carnavalesco Leandro Vieira fez questão de demonstrar a sua felicidade de poder produzir na Imperatriz um enredo autoral e ter esse contato com a ala de compositores. Em 2020, em sua primeira passagem pela agremiação, a diretoria da Rainha de Ramos preferiu trabalhar com a reedição do samba de 1981 “Só Dá Lalá”. * LEIA AQUI A SINOPSE DO ENREDO DA IMPERATRIZ

Fotos: Lucas Santos/Site CARNAVALESCO

“Eu preciso falar da minha alegria de voltar a esta quadra para poder apresentar um enredo. Eu tive uma passagem aqui em 2020, que foi uma passagem muito alegre, muito feliz na minha trajetória de trabalho. Mas foi uma trajetória que talvez não tenha sido tão feliz porque eu não tive a oportunidade de apresentar um enredo para ter o privilégio de diante dos compositores da Imperatriz Leopoldinense, ouvir coisas que vocês pudessem ter escrito a partir de ideias que eu pudesse propor a vocês. E acho que traz uma frustração para qualquer carnavalesco que pensa em propor algo para a Imperatriz e que não tem a possibilidade de ouvir as propostas dos compositores da Imperatriz porque a gente está falando de uma ala que tem uma sequência de clássicos do carnaval e quem gosta do carnaval certamente gosta do que a Imperatriz Leopoldinense apresenta”, apontou Leandro.

O carnavalesco explicou antes da leitura da sinopse propriamente dita o fio condutor do desfile da Imperatriz que está baseado em dois cordéis ” A chegada de Lampião no inferno” e “O grande debate que teve Lampião com São Pedro”, de José Pacheco.

“Eu misturei alguns cordéis para que a gente pudesse vislumbrar a chegada de Lampião, uma figura histórica muito bem definida, muito presente no imaginário de todo mundo. Essa figura morreu e foi ao inferno, e foi ao céu. Não conseguiu abrigo em nenhum desses lugares. Existem dois cordéis muito famosos a respeito desse fato, que dizem que o Lampião foi ao inferno e o diabo não quis concorrência, botou ele para fora, e foi ao céu. Em função da vida de Lampião na Terra, São Pedro não deixou que ele ficasse. Nos dois ambientes ele causou uma confusão tamanha. E por não ficar no céu e nem no inferno, ele foi parar em algum lugar, esse algum lugar que ele foi parar é o desfecho do nosso carnaval”, explica o carnavalesco.

Esse lugar citado pelo carnavalesco está explicado na sinopse no trecho em que Leandro apresenta Lampião descendo a terra e sua relação com Luiz Gonzaga. O carnavalesco também colocou aos compositores o seu pedido para que os artistas não sucumbissem a cair em um lugar comum que muitas vezes é apresentado quando se compõe para um enredo que fala de algo relacionado ao Nordeste.

“Acho que os compositores já devem ter ouvido isso ‘ah cordel, o Salgueiro já fez’ , ‘ah Lampião de novo’, ‘ o cangaço de novo’, ‘ah, é forró’. Isso é uma bobagem. Essa bobagem ela deve ser repensada, inclusive pelos compositores, porque isso que está sendo proposto não foi feito. O problema é quando o que vai ser cantado recorre a um pensamento que já foi visitado. Então, quando a gente pensa nesse tipo de universo , as pessoas pensam logo em um vocabulário muito recorrente, por exemplo “ô xente’, ‘vishi Maria’, isso é tratar o tema de uma maneira recorrente , comum, ‘misturar samba com forró’, isso é ser recorrente, isso é estar envolvido com coisas que já foram feitas, inclusive isso é tratar o Nordeste como uma coisa só, não respeitando sotaques que são próprios de determinadas regiões, não respeitando a diferenciação rítmica, achando que forró e xaxado é a mesma coisa”.

O carnavalesco também acrescentou que procurou desenvolver o texto da sinopse apresentando variedades de expressões que pudessem ajudar os compositores a entrar em um universo mais específico daquele contado no enredo.

“A sinopse é toda construída com palavras com sabores sertanejos, com a cultura do sertão, eu quis colher na pesquisa muitas palavras com sabores específicos que é para sugerir que a gente tenha uma repertório linguístico, uma cultura oral que não se limita a um vocabulário comum, tradicionalmente associado a cultura nordestina. Acho que a Imperatriz também é uma escola muito acostumada a contar versões históricas com cunho delirante. Não seria a primeira vez que a Imperatriz iria apresentar algo que tem uma percepção delirante a respeito da história oficial”, acredita o artista.

Também antes da leitura da sinopse, o diretor executivo da Imperatriz Leopoldinense,João Felipe Drumond, fez um apelo aos compositores sobre a aceitação dos resultados que vão acontecer ao final da disputa de sambas.

“Este trabalho tem um único objetivo que é ver a Imperatriz novamente campeã do carnaval. Vai ganhar o melhor samba. Para evitar qualquer tipo de fofoca, e intriga, o pedido que eu faço aos senhores e às senhoras é que a gente tenha uma disputa limpa, respeitosa e que se respeite as decisões que serão tomadas pela escola porque elas são única e exclusivamente para o bem da agremiação. Estamos muito confiantes e eu desejo boa sorte aos compositores”, finalizou João.

Em discurso, o diretor de carnaval Mauro Amorim também desejou boa sorte aos compositores e fez questão de ressaltar a qualidade da sinopse apresentada.

“Desejo sorte e sucesso a todos vocês compositores, que estejam muito iluminados, contamos muito com o trabalho de cada um nesse maravilhoso enredo, retratado nessa maravilhosa sinopse, espero que gostem”.

Datas para entrega de samba e regulamento

Durante o evento de apresentação e leitura da sinopse, também foram divulgadas informações sobre a disputa de samba. A entrega dos sambas será no dia 25 de agosto na quadra da escola de 20h às 22h. No dia 04 de setembro os sambas serão apresentados na feijoada da escola. O sorteio da ordem de apresentação acontecerá ao final da entrega das obras no próprio dia 25 de agosto. Antes destas datas a escola ainda fará cinco tira-dúvidas nos dias 12,19 e 27 de julho e nos dias 02 e 09 de agosto. A escola trabalha com oito datas para as eliminatórias, sempre às sextas-feiras.

As regras para a disputa de samba são as seguintes:

Parcerias
01 O concurso de samba-enredo do GRES Imperatriz Leopoldinense é aberto, ou seja, não é obrigatório aos autores serem membros efetivos da ala de compositores do GRESIL, assim como não é impeditivo que o mesmo tenha obras inscritas em outros concursos de Samba-enredo, no Grupo Especial ou qualquer outro grupo ou liga carnavalesca.

02 As parcerias poderão ser formadas com no máximo seis compositores, sendo facultativa a presença de, no máximo, duas participações especiais.

a) Apenas os autores qualificados como compositores terão seus nomes no CD ou em qualquer outra mídia e veículo oficial de divulgação após a escolha do samba.

b) Todas as questões financeiras são de responsabilidade exclusiva das parcerias, não cabendo ao GRESIL nenhum tipo de interferência sobre valores ou divisões orçamentárias.

Inscrição dos Sambas (25/08 de 20h às 22h)

Para inscrição do Samba as parcerias deverão apresentar, obrigatoriamente:
a) 30 cópias impressas do samba
b)10 CD’s ou pendrive com o samba gravado
c) Pagar a taxa de inscrição no valor de R$ 700,00

Escolha do Samba

01 É de responsabilidade exclusiva da presidência do GRESIL junto a sua diretoria executiva a escolha do samba-enredo. Todos os segmentos da Agremiação podem se manifestar de forma democrática em favor de qualquer samba em disputa.

02 A premiação paga ao samba escolhido será dividida entre a Agremiação (50%) e a parceria vencedora (50%).

Apresentação dos Sambas

01 Serão disponibilizados no palco um total de cinco microfones para cada parceria.
02 Todos os cantores e músicos no palco são de responsabilidade da parceria, incluindo violão, cavaquinho e o surdo de marcação do andamento (pedal).
03 Não é permitido acesso ao palco a pessoas de bermuda ou camisetas do tipo regata.
04 É obrigatória que a parceria esteja apta à apresentação do seu samba no momento em que for convocada ao palco.
05 Toda utilização de efeito especial como papel picado, fogos frios, fumaça, etc, deverá ser comunicada e, consequentemente, aprovada pela direção da escola.

Divulgação dos sambas

As obras inscritas na disputa serão disponibilizadas prioritariamente nos canais oficiais da GRESIL na internet, ficando proibido aos autores sua divulgação total ou em parte antes da liberação oficial da diretoria executiva da agremiação.

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