A Beija-Flor de Nilópolis foi a primeira escola de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro que retomou sua disputa de samba-enredo para o Carnaval 2022. A noite de quinta-feira foi ainda mais especial na Baixada Fluminense. O site CARNAVALESCO esteve presente, e, além de ouvir torcedores e componentes nilopolitanos sobre o enredo “Empretecer o Pensamento é Ouvir a Voz da Beija-Flor”, e o retorno para o solo sagrado do samba. Aliás, a abertura da noite foi com um rufar da bateria em homenagem ao ex-diretor Luiz Fernando Ribeiro do Carmo, o Laíla, que faleceu em junho. * VEJA AQUI FOTOS DA VOLTA

Fotos: Magaiver Fernandes

Ao ser perguntado sobre o retorno do samba, mestre Rodney não escondeu a emoção. “Devolveram nossa vontade de viver. A vida do sambista estava vazia. Sem a sua quadra, a disputa de samba. Estou feliz. Ainda não sei quando voltará o ensaio da bateria. Não faço nada sozinho. Tenho o consenso com toda direção. A escola preza pela vida do componente”. * OUÇA AQUI OS SAMBAS CONCORRENTES DA BEIJA-FLOR

Rodney disse que acredita muito no sucesso do enredo. “O enredo representa o negro tendo voz. Chega de ser o pobre. É o rico, inteligente, educado. O negro sempre foi crucificado”.

‘A Beija-Flor é minha vida’

Desfilando na Beija-Flor há 20 anos, sendo sete na bateria, Carlos Alexandre, que é da ala de cuíca, criado em Nilópolis e personal da rainha de bateria, Raissa, revelou para o CARNAVALESCO o que sentiu quando entrou na quadra da azul e branco. * SIGA O CARNAVALESCO NO TWITTER

“A Beija-Flor é minha vida. Senti uma energia fora do comum. Estava com muita saudade. A Beija-Flor é uma família. Quando entrei e passei pelo portão fiquei todo arrepiado. É uma energia muito positiva. Acredito no desfile em 2022. Tenho certeza que os responsáveis pelo carnaval estão fazendo de tudo para dar certo. A vacinação consiga chegar até 75% da população prevista para agosto e que seja o melhor carnaval de todos os tempos. O nosso enredo representa muito pra mim e para escola. A Beija-Flor vai falar não só do racismo, mas também dos grandes negros da história e que foram esquecidos. Vamos mostrar de um jeito que não foi apresentado na Avenida”.

Para a baiana Eliana de Paula Silva, a previsão é que o retorno com o primeiro encontro cresça ainda mais nos próximos cortes de samba.

“Me senti bem ao voltar para quadra. Gostei de ter voltado. Me apaixonei pela ala de baianas há sete anos e hoje estou também no grupo que faz os shows. Ficamos esse tempo todo sem nada, daqui para frente será melhor. Acredito que teremos os desfiles em 2022. Nosso enredo é muito bom. Importante falar para acabar com o racismo”.

Onze anos desfilando como passista da Beija-Flor, Sabrina Coradini, já vacinada por atuar na área da saúde, também enalteceu o enredo da Beija-Flor para o ano que vem.

“Foi muito complicado ficar esse tempo fora. Trabalho com carnaval. Hoje, eu senti um alívio. Já estou vacinada por trabalhar na área de saúde e tenho uma gratidão muito grande. O enredo da Beija-Flor é muito forte. Ele explica e exalta o que o negro conquistou”.

Os torcedores Yago Borges e Daniel Napoleão citaram a relação de amor e carinho que possuem com a Beija-Flor de Nilópolis.

“Em senti renovado. Voltar no lugar que você gosta muito e se sente bem. A quadra é minha sala de estar da minha casa. Estou muito esperançoso que aconteça o carnaval em 2022”, afirmou Yago.

“Passou um filme na minha cabeça de como a gente tem que lutar pelo carnaval, dar voz para as pessoas, resistir, continuar buscando cada vez mais o carnaval na minha vida. A Beija-Flor é muito comunidade e esse enredo representa o povo preto de Nilópolis. É ver minha história e da minha família na Avenida”, comentou Daniel.

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.