Por Alberto João, Geissa Evaristo e Lucas Santos. Fotos: Magaiver Fernandes

De alma lavada com o vice-campeonato do Grupo Especial em 2019, a Viradouro escolheu
seu samba-enredo para o Carnaval 2020, quando novamente será a segunda a desfilar
no domingo de carnaval, e apresentará o enredo sobre as Ganhadeiras de Itapuã. A
agremiação premiou a parceria de Dadinho, Lair Machado, Rildo Seixas, Manolo, Anderson Lemos Carlinhos Fionda e Alves com a vitória no concurso.

“Não dá pra explicar a minha felicidade. Não consigo nem falar. Estou emocionado e muito contente. Campeão pela oitava vez. Minha parte favorita eu não preciso nem dizer: é o bis do final do samba para colar no refrão principal que fala Ó mãe ensaboa”, disse o compositor Dadinho.

“É bonito demais, muita emoção, é a primeira vitória aqui na Viradouro. Eu acho que esse samba tem uma melodia bem própria, uma cadência, uma melodia que diz muito da cara da Viradouro. Acho que é um samba que em beleza vai conseguir se apresentar muito bem e deixar um desafio para a Mangueira, a próxima escola que virá. É um samba que pode impulsionar o desfile”, acredita o compositor Júlio Alves.

“A emoção é muito grande, muito grande mesmo. Faz a diferença poder finalmente ganhar um samba na minha escola. Acho que o diferencial foi que o nosso samba teve sabor, sabor foi o segredo. Sabor de Bahia. Agora poder ver o samba sendo cantado no Grupo Especial é uma emoção indescritível. Estou em casa, a Viradouro é minha escola”, contou o compositor Anderson Lemos.

Na Viradouro é minha primeira vez. A emoção é gigante em poder representar uma comunidade tão grande quanto essa. Mais feliz ainda de ter ganho nas duas escolas de Niterói. Sonho realizado, sonho perfeito de vencer com meu pai e mais irmãos Rildo Seixas, Manolo e Dadinho”, afirmou o compositor Fionda.

A noite foi muito especial em Niterói. Pelo segundo ano consecutivo, a direção da Viradouro conseguiu promover um grande evento para escolher seu hino do desfile de 2020. Tudo feito com muita atenção e perfeição, totalmente de acordo com a temática do enredo, inclusive, a direção do trouxe da Cidade do Samba, o fênix que fechou o conjunto de alegorias em 2019.

A quadra ficou lotada durante toda final. A festa começou com um show feito pelas Ganhadeiras de Itapuã. O público se emocionou por diversas músicas com as músicas repletas de brasilidade e força da Bahia e da raça negra.

Chegou a hora do show da Viradouro. Um primor. Repleto de fundamentos do samba. Zé Paulo exibiu todo seu talento cantando inúmeros obras marcantes na história da vermelho e branco de Niterói. O espetáculo preparado por Valci Pelé, mais uma vez, foi uma aula de cultura, tradição e amor ao carnaval. Mestre Ciça e seus ritmistas mexeram com todos os presentes.

Gestão premia o público com um grande espetáculo

Em entrevista ao site CARNAVALESCO, o presidente Marcelinho Calil falou do trabalho de gestão na Viradouro e que está virando referência para todas escolas de samba.

“O segredo da gestão que rapidamente mudou o perfil da escola é amor e trabalho. A dificuldade faz parte hoje do carnaval, mas com amor à nossa cultura e escola, e, arregaçando as mangas, a gente supera isso tudo e consegue proporcionar à comunidade da escola e do samba grandes espetáculos”.

Perguntado sobre o impacto da saída do carnavalesco Paulo Barros e a entrada da dupla Tarcísio Zanon e Marcus Ferreira, Calil elogiou o trabalho dos novos contratados.

“A saída do carnavalesco antigo foi de certa forma num período mais adiantado. Quando
pensamos no mome do Marcus e do Tarcísio, que já são parceiros na vida, mas não tinham
trabalhado ainda juntos, já ficamos satisfeitos com a possibilidade. São jovens que não apostas, já estão consolidados. A estrutura que foi vista no carnaval passado se mantém para o próximo, apenas com a mudança da direção artística do projeto. Podem manter o nível de exigência pela Viradouro porque viremos com certeza para brigar pelo carnaval”, garantiu.

Carnavalescos vivem um sonho na Viradouro

Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon estão preparados para o desafio. O primeiro estreia no Grupo Especial e o segundo já esteve na elite do samba com a Estácio.

Ferreira comentou como é o trabalho com o parceiro Zanon. “Estamos unindo o que temos de melhor, trazendo conceitos jovens para o carnaval da Viradouro. Apesar de ser um enredo cultural, que tem uma base histórica tremenda, estamos alinhando um pouquinho do modernismo que a Viradouro gosta com o clássico do conceito do enredo”.

Tarcísio afirmou que vive um sonho trabalhando na Viradouro e desfrutando da estrutura montada pela agremiação.

“Era um sonho muito grande estar numa escola como a Viradouro, com uma diretoria como essa e poder realizar um trabalho de alto nível. É um grande enredo que retrata essas mulheres que retratam nas musicas cantadas à beira da lavoura as suas ancestralidades”.

Ciça prepara bateria ainda mais audaciosa

Vivendo novamente um momento espetacular no carnaval, mestre Ciça garante que o desfile de 2020 é fundamental para a consolidação do trabalho na Viradouro.

“Acho que esse ano é um grande ano, de afirmação da Viradouro, estamos trabalhando para isso, uma bateria muito quente, audaciosa. Estamos fazendo um trabalho aqui de correção. Hoje, o desfile é muito técnico, temos que cuidar desse aspecto”.

Ciça revela que vai desfilar com 285 ritmistas no Carnaval 2020.

“Vamos vir com uma representação legal da região de Itapuã, vocês vão gostar muito. Já conversei com o presidente e ganhei a autorização para bateria na frente das cabines dos jurados, mesmo com o cancelamento da obrigatoriedade”.

Dudu Falcão e Alex Fab seguem na direção de carnaval e carregam com eles o desfile coeso da Viradouro em 2019. Ao site CARNAVALESCO, Dudu revelou que a escola desfilará com seis carros e 2600 componentes. Ele falou também como desenvolver o desfile com a crise no carnaval.

“A expectativa é que os ensaios de quadra comecem em outubro e de rua comece em novembro. Nossa ideia foi não fechar um projeto de forma tão conclusiva. Confiamos nos nossos próprios bastidores, as pessoas que tem capacidade de captar esse recurso”.

Alex Fab falou do trabalho da dupla de carnavalescos Marcus Ferreira e Tarcísio Zanon e ainda comentou sobre o samba-enredo.

“Não é aposta, eu acho que é baseado em uma avaliação de trabalhos anteriores somado a capacidade que nós enxergamos na dupla para fazer um carnaval para a Viradouro. O nosso samba possui alegria, fibra, emoção, e orgulho de ser Viradouro”.

Zé Paulo está nos braços da comunidade

Craque e um dos melhores intérpretes do carnaval, Zé Paulo está no coração dos torcedores da Viradouro. A sinergia entre o cantor e a comunidade é perfeita. Ao site CARNAVALESCO, ele falou sobre a safra de sambas e a decisão de não representar mais um personagem no desfile oficial.

“A safra de sambas me traz uma responsabilidade do bem. Emoção é a palavra samba para o samba campeão. Eu não penso muito nisso não (de representar personagem no desfile). Eu já sou um personagem, do jeito que eu me imponho, a minha forma de cantar. Quando eu entro no palco eu viro um personagem”.

Como foram as apresentações dos sambas finalistas

Parceria de Cláudio Mattos – Wander Pires foi monstruoso do início ao fim da apresentação. Carregou o samba e conduziu com maestria. Os primeiros minutos foram avassaladores, mas aos poucos a obra foi perdendo rendimento. A torcida tentou segurou, mas o samba não teve interação com os segmentos da escola.

Parceria de Dan Passos – A surpresa foi a entrada de Igor Sorriso. O cantor da Mocidade defendia a obra da parceria de Dominguinhos do Estácio, que foi eliminada na semifinal. Ao lado de Emerson Dias e Leléu, ele reforço o palco da parceria. Ponto forte da apresentação foi a letra e o rendimento da samba na quadra. Como na primeira parceria faltou a maior interação com os segmentos.

Parceria de Dadinho – Tinga, o Mister Final, deu um espetáculo na condução do samba. A torcida muito forte segurou o samba o tempo inteiro. Destaque para o verso “Ensaboa, mãe”. Foi a participação mais clara dos segmentos da escola com uma parceria, inclusive, integrantes da Harmonia e da Bateria cantaram o samba.

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