Por Matheus Mattos

Os desfiles das escolas de samba são a principal fonte de cultura do Brasil, porém engana-se quem acha que isso está resumido em apenas quatro dias de desfiles, apuração e, dependendo da colocação da agremiação, mais um dia das campeãs. O sambista doa grande parte da sua rotina no ano para atividades da escola. Os portões da dispersão se fecham e outro carnaval já está sendo planejado e até mesmo executado. Quem trabalha diretamente sabe que colocar uma escola na avenida não é uma tarefa fácil. (Fotos: Liga-SP)

No olhar de um paulistano, o ponto alto do carnaval é os ensaios técnicos. Para os profissionais dentro das entidades, pisar no Sambódromo mais de uma vez é importante para enxergar a evolução do trabalho no mesmo ambiente do desfile. A equipe de direção faz a avaliação, altera a montagem da escola, distribui ou compacta os seus componentes, cronometra o tempo de passagem e, dependendo da grade organizada junto à Liga-SP, pode voltar a pisar no Sambódromo uma semana depois e colocar todas as alterações em prática.

Os ensaios técnicos são importantes também para a bateria que tem a liberdade de ensaiar um BPM (batidas por minutos) diferente, realizar bossas e sentir como a escola reage, treinar diferentes entradas no recuo e até realizar uma possível surpresa para os foliões presentes no Anhembi. Assim como os casais de mestre sala e porta-bandeira, alguns até ensaiam com a roupa do último desfile para se acostumar com o peso. Para o próprio componente o ensaio é tratado com seriedade, cada ala tem a sua camiseta personalizada, o traje quase sempre é padrão para todos. Uniformidade até na cor do tênis em alguns setores.

Durante muito tempo, os ensaios técnicos atrasavam horas, porém durante o planejamento para o carnaval de 2018, os horários marcados começaram a ser cumpridos quase que rigorosamente. Talvez, por esse motivo, muitas escolas encurtaram o tempo de esquenta, se resumindo em hino, exaltação e apenas uma passagem de um samba histórico. Em relação ao som do Anhembi, as agremiações ensaiam durante um tempo apenas com o carro de som. Chegando perto do desfile, algo próximo de três semanas antes, é disponibilizado a mesma qualidade de som do desfile, todas as caixas espalhadas estão ligadas, instrumentos da bateria microfonados, etc.

Um ponto pra ser levado em consideração também é o livre acesso ao Sambódromo. As entidades tem direito de marcar um horário e “reservar” o espaço só pra eles. Por exemplo, o casal de mestre sala e porta-bandeira pode aproveitar um horário de pouca movimentação, como 10 horas da manhã ou 16 horas, e ensaiar sozinhos. Assim como alas coreografadas, comissão de frente, passistas e até bateria. Além de contribuir positivamente paras as escolas de samba, os ensaios técnicos, com a organização da Liga-SP, promovem um belo evento para os paulistanos.

Nas entradas das arquibancadas é certa a presença de quiosques de alimentação, com pastel, lanche, churrasco e diversos tipos de bebidas. No intervalo entre uma escola e outra, o Grupo Pagode da Arquibancada fornece um samba de roda na arquibancada monumental (Setor B) acompanhada por um ambiente de descontração. As torcidas das escolas de samba também são um espetáculo a parte. Bandeirões, fumaças, sinalizadores, fogos e rojões são facilmente encontrados. No Sambódromo do Anhembi existem exatos 10 setores diferentes nomeados em ordem alfabética. Durante a época de ensaio técnico oito setores são aberto ao público, apenas dois (I e J) são fechados.

A conclusão é que a partir do dia 11 de janeiro, todas as sextas-feiras e finais de semana até os últimos dias de fevereiro, o sambista encontrará um local onde a rivalidade é deixada de lado e os componentes de outras agremiações se juntam para curtir uma coisa em comum: o SAMBA.

A questão do transporte público é um ponto a ser melhorado. A locomoção da estação de metrô mais próxima para o Sambódromo é complicada. Os ônibus demoram para passar e o trajeto a pé dura cerca de 15 minutos. As vans não regulamentadas e o transporte por aplicativos são uma das alternativas mais rápidas. Nos dias de desfile oficial são disponibilizados ônibus gratuito nas estações próximas.

É importante ressaltar o ponto mais importante de toda a análise feita. Cada vez mais caminhamos para um mundo onde quem tem mais, é muito, e quem não tem nada… Bom, acho que entenderam. Não se pode esquecer de que o gênero foi trazido para o nosso Brasil através dos escravos. O samba foi marginalizado, perseguido, censurado, mas que serviu de refúgio para muitos brasileiros de origem humilde. Pode parecer exagero, mas os ensaios técnicos são a única opção para a classe mais carente de apreciar as grandes escolas do carnaval de São Paulo juntas e sem custo algum, isso significa que, sua família também pode estar presente. É muito mais representativo do que um simples “treino pra carnaval”, envolve um sentimento que qualquer palavra encontrada para explicar seria considerada eufemismo.

O CARNAVAL NÃO É APENAS 65 MINUTOS!

A equipe do site CARNAVALESCO acompanhará ao vivo todos os ensaios técnicos do Grupo Especial de São Paulo. Você poderá conferir em nossas crônicas a análise tradicional do veículo, que é baseada no carnaval competição, e traça um panorama de todos os quesitos que podem ser avaliados em um treino na Avenida. Para essa cobertura, a nossa equipe viajará do Rio para São Paulo com o conforto e segurança da Viação Útil e ficará hospedada no melhor hotel da cidade o Holiday Inn Parque Anhembi, o hotel do carnaval paulistano.

Em parceria com a SASP, ainda teremos a tradicional transmissão ao vivo pela Sintonia SASP. A programação paulistana começa nesta sexta-feira. Veja abaixo e compareça ao Anhembi.

Sexta – 11/01
23:00 – CAMISA VERDE E BRANCO

Sábado – 12/01
19:15 – LEANDRO DE ITAQUERA
20:30 – INDEPENDENTE TRICOLOR
21:45 – NENÊ DE VILA MATILDE

Domingo – 13/01
20:30 – IMPÉRIO DE CASA VERDE

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