Por Gustavo Lima e Matheus Mattos

A Liga-SP organizou uma plenária com os veículos de imprensa do carnaval para divulgar as alterações no regulamento para o carnaval de 2020. A primeira alteração, e a mais ousada, foi no quesito bateria. A inserção do item “Performance” provoca variantes de ritmo durante o campo auditivo do jurado. O quesito precisa apresentar uma bossa/arranjo/paradinha com mais de 16 compassos para somar 0.2 à nota, contando o beat binário. Caso apresentem algo com menos de 8 compassos, acrescentam apenas 0,1.

Lembrando que, a bateria precisa realizar essas variações de ritmo pra atingir o 10. Caso contrário, a bateria atinge o 9.8, que é a nota máxima dos outros pontos de julgamento.

Ainda no quesito bateria, o regulamento ainda analisa outros pontos.

Sustentação: A bateria precisa apresentar um ritmo sem oscilações, que é a penalização caso acelerem ou atrasem o som produzido. Se oscilar 3 BPM (batidas por minuto) no campo auditivo, tanto pra mais quanto pra menos, o jurado pode tirar nota.

Entrosamento: É o perfeito conjunto entre todos os instrumentos. Um não pode sobressair em comparação ao outro, e nem tocar em ritmos diferentes.

Equilíbrio Instrumental: todos os naipes devem ser escutados com clareza.

Precisão rítmica: É a execução perfeita de todos os instrumentos.

Afinação: Esse ponto também sofreu uma leve alteração. Antes, apenas os surdos eram julgados. Pra 2020, todos os instrumentos serão analisados no item afinação, que é a padronização guiado pelo gosto da agremiação e mestre.

Outro detalhe importante a ser destacado é, o julgador de bateria localizado no recuo será posicionado exatamente dentro do local. A Liga montará uma cabine exclusiva para que o jurado tenha um campo auditivo justo pra analisar.

Os quatro jurados terão um gravador pra justificar e apresentar pra escola no caso de uma retirada de décimos.

Ainda no quesito musical, o samba-enredo mantém alguns pontos de julgamentos em comparação ao último carnaval.

Como por exemplo; Fidelidade do samba com o enredo, Adequação da letra com o desfile, Riqueza poética (penalização por falta de variantes de melodia) e a Divisão melódica (pouca letra dentro uma extensa melodia, e vice-versa).

Já o quesito de harmonia julga diretamente o canto dos componentes. O item entrosamento avalia se o canto atravessou ou não, ou seja, a ala 10 precisa contar na mesma sincronia que a ala 2, por exemplo.

Outro ponto é a “Clareza”. Os componentes precisam cantar de uma forma que o público e os jurados entendam cada letra. Pronúncia clara da letra do samba-enredo.

É importante ponderar que o volume do canto não é julgado. Caso uma escola cante baixo, mas de que dê pra ouvir o componente e o samba com boa definição, a escola cumpre o regulamento e atinge a nota máxima.

Visual

O enredo segue analisando o tema proposta e a forma que a história foi contada através do desfile. A criatividade do carnavalesco ao confeccionar a ala e o que ela representa, também será julgado.

Caso a ordem das alas apresentadas na pasta não for seguida pela escola, isso também se caracteriza como penalidade.

No quesito fantasia, as pastas estão com um grau maior de importância no momento do julgamento. Caso um componente esteja fora do padrão da imagem cedida ao jurado, a escola sofrerá a penalização. Quanto maior o número de componentes sem uniformidade, mais a retirada de décimos.

A forma também será avaliada, ou seja, a base, a estrutura não pode se igualar de uma ala para outra.

A escola precisa estar homogênea. O primeiro setor não pode conter fantasias luxuosas enquanto o terceiro está com um molde simples.

Já em alegorias, a forma em que o elemento é passado nas pastas também se alterou. A agremiação seguirá um padrão, mais claro e objetivo, e apontando todos os itens exigidos, como os locais com componentes.

A questão das proporções das esculturas também está inserida. Por exemplo; caso a cabeça não concordar com a estrutura do corpo, o jurado pode apontar conforme o manual.

Comissão de frente

Este quesito decidiu o acesso e descenso no carnaval de 2019. A Liga fez um estudo e observou que o foco do julgamento da comissão de frente estava mais na fantasia do que pela dança em si, sendo assim, fez algumas mudanças. Para analisar o quesito, são três pontos de julgamento:

Fundamento – No regulamento a comissão de frente deve ter no mínimo 6 e no máximo 15 integrantes. Precisam estar na pista no mínimo 6, apresentando a escola e saudando o público de forma sincronizada

A comissão de frente não pode desgarrar da escola e do olho do jurado, jamais deve ficar longe de outra ala.

Plástica artística – Os componentes devem valorizar e se atentar mais à dança, que é a qualidade visual, a proposta da escola, ou seja, deve ser sincronizada ou teatralizada e a fantasia do componente deve permitir que ele faça tal movimento.

Se é uma proposta de coreografia e por exemplo forma-se um triângulo, ele deve ser geometricamente bem desenhado na pista, paralelo e um de frente para o outro. Se for teatralizado, o jurado deve conseguir olhar toda a expressão corporal e identificar toda a proposta da comissão de frente.

Uma mudança importante é que, tanto para o teatro como nas coreografias, tem que ter limpeza dos movimentos, ou seja, um determinado integrante da comissão de frente não pode fazer movimentos que se desencontram com o movimento de outro componente.

Acabamento (figurino e integridade) – Integridade é o dano que a fantasia está tendo no desfile, como por exemplo rasgar, cair o chapéu ou quebrar algo. O figurino deve ser colocado na pasta dos jurados e eles devem conseguir identificar tudo na pista, tem que ser perfeito, exatamente como está na pasta.

Evolução

É o mesmo critério de julgamento do ano passado, só que foi excluído o efeito sanfona. Os itens para julgar são:

Expressão corporal – Algo que a escola de samba deve treinar muito, pois é algo individual, por exemplo, de 3 mil componentes, cinco não estão se movimentando, deve ser penalizado. Não pode estar andando, como se tivesse na obrigação de estar lá, isso será detectado.

Variação de velocidade – Será penalizado sempre quando acelerar. Às vezes a escola diminui o passo por uma entrada de bateria no recuo, apresentação de comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira, isso não será penalizado. Só tirará ponto da escola se por algum motivo tiver que aumentar o passo.

Invasão de alas – Quando o componente de determinada ala fica paralelo à outra, já é considerado invasão pelo regulamento. Se um destaque de alegoria somente encostar em um componente de outra ala, também é considerado invasão. Esse é um tópico bem rigoroso que a agremiação deve ficar muito atenta, porque ocorre com frequência nos desfiles.

Choque de alegoria e componente – Normalmente isso acontece quando a escola tem um projeto de um desfile mais compacto e acontece de o carro alegórico atropelar o destaque ou invadir a ala da frente, isso será penalizado.

Buraco – Ocorre entre alas e dentro da própria. A escola estabelece um padrão que deve vir uniforme com o tempo de desfile. Lembrando que não tem uma metragem certa para detectar um buraco, o jurado já deve considerar um espaço considerável para penalizar a agremiação.

Divisão de escola – Ocorre quando se divide no meio. Para não confundir com o buraco, foi orientado para os jurados que, se determinada ala separar de outra em um perímetro que cabe outra ala, é considerado divisão de escola, não buraco. Por exemplo, às vezes o casal está evoluindo e a alegoria que está atrás dele não acompanhou e abriu um perímetro de uma ela, isto é considero divisão de escola.

Mestre-sala e porta-bandeira

A Liga faz um trabalho de levar um casal do Rio de Janeiro, (para não expor ninguém de São Paulo) como exemplo, e ano passado foi o casal da Vila Isabel, onde fizeram um trabalho de narrar todos os movimentos para ficar claro para os jurados.

Entrosamento – É julgado o que eles fazem entre si, eles não podem conversar, não pode encostar um no outro, e voltou o que tinha há 3 anos atrás, que é a finalização de movimentos, ou seja, a dupla precisa parar ou pontuar para realizar outro movimento.

Postura – É analisado individualmente. O mestre-sala não pode encostar o joelho no chão, a porta-bandeira não pode se curvar a qualquer um e deve ter postura de rainha.

Acabamento e integridade – É analisado o dano que deve comprometer a fantasia, pois acontece de cair algumas penas ou pequenos detalhes, isso não é considerado como dano. Agora, se for danificado um pedaço grande da fantasia, deve ser penalizado, como saias, costeiros, adereços de cabeça, etc.

O regulamento de São Paulo não é comparativo. A escola precisa ter a ciência do que ela vai apresentar, e executar com excelência.

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