A Portela realiza no próximo domingo sua eleição presidencial. A atual administração concorre com a chapa “Portela Verdade”. Fábio Pavão é o candidato para presidente e Junior Escafura para vice. Abaixo, você pode conferir uma entrevista com Pavão, que hoje ocupa o posto de vice. O site CARNAVALESCO aguarda também as respostas da chapa “Respeita Portela”, que é de oposição no pleito.

Por que você quer ser presidente da Portela?

Fábio Pavão: “Eu cheguei a Portela em 1995, como componente da ala Mocotó. Tinha 19 anos quando comprei minha primeira fantasia para desfilar. Especificamente nos últimos nove anos, eu fui, na sequencia, vice-presidente do Conselho Deliberativo, Presidente do Conselho Deliberativo e Vice-Presidente executivo. Em todos esses anos, eu trabalhei diretamente com a direção de carnaval, ou fiz parte efetivamente dela. Acho que possuo plena condição de exercer esse cargo, pois entendo da parte administrativa e da produção do desfile. Nosso grupo político não se limita a uma só pessoa. Somos um grupo que se uniu para tornar a Portela cada vez mais forte. A morte do Falcon foi um baque muito grande, mas nós nos reorganizamos e mantivemos a Portela como uma escola forte e competitiva. Se eu for eleito, serei o quarto presidente da Portela Verdade. Somos muitas cabeças pensando, muitas vozes, mas uma só paixão. Este ano, a minha proposta e a do Junior é unir a escola, até por causa do centenário. Queremos trazer de volta quem estava afastado, gente boa que fez parte de outras gestões, pessoas que podem e querem voltar a contribuir com a Portela. Quero ser presidente para seguir com o trabalho sério que vem sendo feito nestes últimos nove anos. As pessoas que tentam assumir a escola já ocuparam postos de comando e nada fizeram. Cobram transparência da gestão mais transparente que a Portela já teve, mas, quando tiveram a oportunidade, mesmo ocupando cargos da área financeira ou jurídica, a Portela sequer fazia prestação de contas de dinheiro público. Sim, até hoje nós temos que brigar na justiça para defender a Portela da não prestação de contas de verbas públicas referentes ao carnaval de 2006, repassadas pelo Ministério do Turismo. O Departamento jurídico da Portela conseguiu vencer o processo pela não prestação de contas no carnaval de 2007, junto ao Ministério do Esporte, mas a do carnaval de 2006 ainda permanece no TCU. Recentemente, teve uma atualização de valores que elevou a dívida da Portela, saltando de 500 mil para 2 milhões. Isso interfere diretamente com os nossos projetos atuais de captação de recursos. É um assunto que precisa ser tratado com o máximo de seriedade, mas o portelense sabe quem é quem. Conhece as nossas trajetórias dentro da Portela”.

Foto: Divulgação

Qual é a principal mudança que a Portela precisa e será feita na sua gestão?

Fábio Pavão: “Mudanças fazem parte da vida. Uma chapa de situação precisa manter o que está certo e mudar aquilo que não está funcionando. Isso é normal. O que não está funcionando? Em função da pandemia, o faturamento de nossa quadra de ensaios caiu de 1.501 mil, entre maio de 2019 e maio de 2020, para apenas 13 mil, entre maio de 2020 e maio de 2021. Inevitavelmente isso compromete a manutenção da quadra, que é nosso maior bem. Passada a correria para a realização deste carnaval, que durou dois meses a mais, temos que fazer algumas intervenções. Queremos melhorar a comunicação com os sócios e frequentadores da quadra, criando um serviço de ouvidoria. Na verdade, isso era um compromisso assumido em 2019, mas, na maior parte destes últimos três anos, a quadra ficou vazia e outras prioridades emergenciais apareceram. Agora é o momento de implantar este projeto. Consideramos isso fundamental para a melhoria dos serviços que nós oferecemos. Precisamos realizar uma Reforma Estatutária. É necessário preparar a escola para o futuro, ratificando a necessidade de uma gestão democrática, o que é para nós um princípio inegociável. Desde 2013, mais que dobramos a quantidade de sócios da escola com poder de voto, mas nós queremos avançar ainda mais. Vamos abrir o quadro social e oferecer vantagens para os sócios estatutários. O pagamento das mensalidades é uma receita mensal importante para a Portela. Temos um equipamento importante, que é a nossa Capela de São Sebastião e Nossa Senhora da Conceição, uma homenagem a Dona Dodô que foi construída em 2015, durante a gestão Serginho Procópio/Marcos Falcon. Acho que ela pode ser mais bem aproveitada, com um calendário constante de atividades. Queremos permitir aos sócios que realizem missas particulares, por exemplo. Pode parecer que não, mas, para quem é da Portela, toda mudança precisa preservar nossos valores tradicionais, como a devoção aos nossos Santos e Orixás. Só assim, vamos voar para os próximos 100 anos e continuar sendo aquilo que nós somos. Nossos valores precisam ser preservados”.

A Portela produz muitos eventos sociais durante o ano. O que sua gestão faria nesta área de shows e atividades sociais?

Fábio Pavão: “A Portela é uma escola que tem atividades durante todo o ano. Além da feijoada mensal, que é nosso carro-chefe, queremos realizar eventos voltados para o público jovem. Também queremos realizar eventos em outras partes da cidade, como a Zona Sul. Temos a tradição de ter realizado eventos no Mourisco. Os tempos são outros, é verdade, mas podemos fazer parcerias para que nos façamos presentes em outros lugares. Temos a bem sucedida experiência do “camarote Portela”, fruto de uma parceria com um grupo de investidores. Esse é um modelo que podemos adotar em outros lugares, já que temos credibilidade e uma marca forte, que vem sendo trabalhada desde 2018, quando fizemos nosso projeto de branding. Temos também os projetos cultuais na quadra, como a “Fliportela”. Nossa feira literária é prova da relevância cultural da Portela, que vai muito além dos desfiles carnavalescos. Este ano, tivemos uma parceria muito legal com a Secretaria Municipal de Educação. Especificamente para 2023, temos o nosso centenário. Nosso projeto está sendo elaborado pela SRCOM e será apresentado logo após as eleições. Ainda não posso adiantar muita coisa, mas vai ser um ano muito agitado, isso eu posso garantir”.

Na área social o que você pensa em trabalhar na escola?

Fábio Pavão: “Nós temos um Departamento de Cidadania que é bastante atuante. Ele tem esse nome porque, como princípio, entendemos que uma escola de samba não pode ser apenas lazer e entretimento. Como parte da Sociedade Civil, cabem as escolas de samba expandir a cidadania para a comunidade que está ao seu redor. Durante a pandemia, este Departamento assumiu o protagonismo da escola, desenvolvendo o projeto` “Águia solidária”, que buscou minimizar os impactos não só da pandemia, mas também da crise econômica, sobre nossos componentes e a comunidade ao nosso redor. Nossa quadra foi transformada em posto de vacinação, em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde, fazendo a Portela assumir seu papel como centro comunitário neste momento tão difícil. Agora, no pós-pandemia, as atividades deste Departamento retornaram em sua plenitude. Temos um pré-vestibular social de enorme sucesso, que já colocou muitos de nossos alunos em universidades públicas, ou como bolsistas de instituições particulares. Este é um projeto fundamental de inclusão social. Criamos uma sala de leitura que está sendo ampliada, virando uma biblioteca. O último projeto que nós implantamos foi o acompanhamento da saúde dos maiores de 55 anos, especialmente velhas guardas, baianas e Departamento feminino. Para o próximo triênio eu assumo o compromisso de continuar tendo a expansão da cidadania e a inclusão social como uma das prioridades da nossa escola, que, como eu já disse, é muito mais que lazer e entretenimento”.

Eleito, você mantém toda equipe que fez o desfile de 2020 ou pensa em alguma mudança e qual?

Fábio Pavão: “Essa pergunta parece simples, mas permite um debate interessante. Quem entende de carnaval sabe que, logo após o desfiles das campeãs, e as vezes até antes, o mercado do carnaval se agita e os bons profissionais são contratados. Portanto, a escola que “perder o time”, vamos dizer assim, fica enfraquecida para o próximo carnaval. As eleições da Portela, normalmente, acontecem três meses depois do desfile. Se as contratações e as renovaççoes ficarem para depois da eleição, nós vamos ter, de três em três anos, uma equipe pouco competitiva. Este ano, quando o mercado de contratações se agitou, mesmo faltando apenas um mês para as eleições, não havia sequer chapas formadas. O que fazer? Deixar a Portela se enfraquecer no carnaval? Deixar a eleição afetar o desfile e enfraquecer a escola, exatamente no ano do centenário? Nós temos uma equipe de carnaval forte e competitiva. Fizemos um desfile que, não fosse uma falha humana, que comprometeu nosso quesito alegoria, teríamos ficado em segundo ou terceiro lugar. Teríamos deixado nossos profissionais serem contratados por outras escolas e ficar de braços cruzados? Por este motivo nós renovamos com a nossa equipe, e, claro, vamos mantê-la após a eleição”.

O enredo de 2023 é o centenário. O que não pode faltar nesse enredo?

Fábio Pavão: “Um enredo sobre o centenário da Portela é consenso dentro da escola. Precisa ser um enredo com conteúdo, que apresente a história da Portela, ao mesmo tempo em que ofereça boas soluções plásticas. Enredo não é só um texto no papel, muita gente esquece isso. O que não pode faltar? Não pode faltar Paulo da Portela, Natal, Candeia, o título de 1935, o supercampeonato de 1953, o heptacampeonato de 1941 a 47….Muita coisa não pode faltar, mas nós temos que sintetizar tudo isso em cinco alegorias, como a grande maioria das escolas estão desfilando. Não é das tarefas mais fáceis, mas, passada a eleição, nós vamos nos sentar com os carnavalescos e definir o desenvolvimento. Já estamos trocando algumas ideias, e, devido ao tempo mais curto que nos separa do desfile de 2023, isso tem que ser resolvido já nas próximas semanas. A Portela não pode parar”.

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