Entrevistão com Dudu Azevedo: ‘A Ilha tem uma energia muito boa’

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Depois de sofrer o maior volume de críticas pelo que aconteceu no desfile da Grande Rio em 2018, Dudu Azevedo teve a redenção em 2019 na União da Ilha. Renovado para 2020, ele conseguiu fazer um bom trabalho na escola insulana. Dudu e o presidente Djalma Falcão capacitaram os chefes de ala da comunidade a virarem diretores de harmonia. Confira o bate-papo completo com Dudu para a série ‘Entrevistão’.

Como foi o processo até vir para a Ilha?

“Tive um convite de uma escola do Acesso e a União da Ilha. Uma outra escola do Especial tentou conversar comigo, mas eu já havia deixado encaminhado aqui. Após o processo eleitoral, o Djalma decidiu fazer uma valorização da prata da casa. Percebi que o time era forte. Ele me pediu para assumir carnaval e harmonia. Eu não queria acumular tudo e aí o presidente sugeriu pegarmos os líderes das alas e capacitá-los a virarem diretores de harmonia. A Ilha tem uma energia muito boa”.

O que você mudou desde que entrou na União da Ilha?

“A escola vinha de um trabalho de quatro anos do Válber Frutuoso. Ele conseguiu notas que tiraram a Ilha do descenso. O meu modelo de trabalho foi um pouco diferente. As alas da Ilha não são apenas uma inscrição. Elas tem uma relação quase familiar. Tem ala aqui dentro que é um bloco no bairro no carnaval. Os chefes dessas alas trabalham melhor com essas pessoas com um diretor de harmonia sem nenhuma relação direta com essas pessoas”.

O que você mudaria no julgamento dos quesitos harmonia e evolução?

“Eu acho que o julgamento precisa ter o subquesito. O que é o canto da escola e o que é a atuação do carro de som. Em evolução eu acho que tem de fazer valer a espontaneidade. Sou contra aquelas alas formadinhas, com a mão para cima. Se eu abro o braço em determinado momento do desfile, isso é espontaneidade, e precisa ser valorizado”.

O carnaval é muito cruel com quem erra?

“Eu acho que está na cultura do país. Fui massacrado no pós carnaval de 2018. Eu acho que erros sucessivos te prejudicam, mas se você se redimir as pessoas acabam esquecendo”.

Que balanço é possível fazer do que aconteceu no desfile da Grande Rio em 2018?

“Claro que o fim do último carnaval foi muito ruim, a primeira vez que passei por uma situação daquela. Em 15 carnavais, foi o terceiro fora das campeãs. Conquisteis seis vice-campeonatos. Não sou vascaíno, mas me orgulho desses vice-campeonatos. O carnaval é uma disputa muito intensa. O resultado em 2018 foi ruim, mas não fui o único culpado. Existe toda uma equipe. As escolas contratam profissionais capacitados em cada área. Foi muito dolorido. A decepção do descenso e a certeza que eu seria dispensado. O chefe da equipe é sempre o dispensado. Com demissão eu vi que era necessário eu começar tudo de novo”.

O que você tira de bom do Carnaval 2018 na Grande Rio?

“A entrega dos profissionais da equipe em 2018 era muito grande. Era um time muito forte, comprometimento com o resultado para a escola. A gente tomava decisões por nós. A dinâmica do Emerson como toda a equipe, era algo muito impressionante. O casal tirou 40 em 2016, perdeu dois décimos em 2017 e não perdeu décimos em 2018. Foi muita entrega da gente. O bom foi até 40 minutos de desfile, o ruim foi a quebra do carro e tudo que aconteceu”.

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