O diretor de harmonia da Imperatriz, Junior Escafura, é um dos maiores militantes do quesito no carnaval. Experiente, ele revela em entrevista concedida ao site CARNAVALESCO que 80% dos décimos descontados se baseiam no carro de som e não no canto da escola. O dirigente abre o coração na entrevista, fala da possibilidade de se candidatar à presidência da Portela e revela que ainda sonha em ter filhos com sua esposa, a porta-bandeira Rafaela Theodoro. Confira o entrevistão com Escafura.

Por que a Imperatriz perdeu décimos em harmonia nos últimos desfiles?

“Acho que fizemos nosso dever de casa, um trabalho bom de canto, entrosamento entre a bateria e o carro de som. O julgamento está muito pautado no carro de som. Fomos julgados totalmente em cima do Arthur. Eu acho que isso precisa ser mais esclarecido. Eles estão julgando apenas o carro de som. Se você tem um instrumento mais alto, descontam. Em 2017, os jurados alegaram que o microfone do cantor principal estava mais alto. Isso é óbvio. A Série A subdividiu o quesito. Acho que é um avanço”.

Você considera que a Imperatriz se acomodou?

“A Imperatriz em nenhum momento desistiu de ganhar. Tanto que o presidente vem ano a ano substituindo aquilo que na visão dele não vem dando certo. Se pegarmos, por exemplo, o desfile de 2014, na homenagem ao Zico, a escola poderia ter sido campeã. E eu nem estava aqui ainda. Não tem tanto tempo assim. Fui convidado em 2015. A bateria não vinha acertando e o presidente foi buscar o Lolo e hoje é referência. Comissão de frente ele também vem tentando buscar. A escola foi premiada em outros anos. Em 2016 entrou como favorita. Em 2017 merecíamos uma posição melhor. Ano passado tivemos um problema logo na entrada e isso deu uma murchada. Faltou um pouco de sorte também”.

Por que a Imperatriz parou de disputar as primeiras colocações?

“Eu acho que pode ser um mix de coisas. Não vou dizer aqui que somos perfeitos. Temos falhas, mas temos todas as condições de melhorar. Eu vejo que são situações pontuais. Em 2015 e 2016 realizamos desfiles para brigar. A Tuiuti ano passado pegou na veia. Tinha um grande samba e uma comissão histórica. Isso tudo conduziu o desfile e pode ocorrer com qualquer uma”.

Não ter ensaio de rua prejudica o trabalho?

“Dificultar dificulta. Mas tecnicamente o espaço precisa ser bom. Existem ensaios de rua que é mais evento e celebração, que algo que vá agregar tecnicamente. Ano passado ensaiamos na Quinta da Boa Vista, pois não tivemos a Sapucaí. Eu não acho que isso possa servir como desculpa para eventuais deficiências em harmonia na avenida. A quadra atende perfeitamente às necessidades técnicas que possuímos. O importante é o trabalho de base, pois nenhuma escola consegue ensaiar com 100% do contingente. Os harmonias precisam incentivar os componentes”.

Como fazer para não perder o mestre Lolo?

“O carnaval hoje é profissional. O presidente da Imperatriz é correto. O que ele combina ele acerta. Mas quem tiver insatisfeito e quiser sair, vai sair. o Lolo é um cara responsável demais, pé no chão, talentoso. Ele tem o pé no chão. Aqui ele está muito bem”.

O Junior Escafura vai se candidatar à presidência da Portela?

“Hoje, o Junior Escafura só pensa na Imperatriz e em fazer um grande carnaval pela escola. Nesse momento só falo da Imperatriz. O futuro pertence a Deus. Quero que a Portela faça um grande carnaval, todos sabem que sou portelense”.

O que você acha daquela estratégia de alguns harmonias que mandam os componentes mascar chicletes?

“Eu acho que cada um tem a sua estratégia. A minha não é essa. Te garanto que em frente à cabine nenhum componente fica sem cantar”.

O que você mudaria no julgamento de harmonia?

“Eu acho que deveria ser subdividido o quesito, em carro de som e canto da escola. Em 2015 perdi um décimo pois encontraram erro na bateria. Aí o cidadão julgou a bateria duas vezes. Às vezes a nota não vem e não é um problema da direção de harmonia. Te falo que 80% dos décimos descontados são em cima do carro de som”.

Defende que o jurado de harmonia julgue da pista?

“Para julgar da forma que se julga é só da pista. Mas para descer tem que ter conhecimento de causa. É músico? Conhece harmonia de corda, afinação de bateria? Descer para fazer bobagem não adianta”.

Você e Rafaela pensam em ter filhos?

“Conversamos sim. Sou doido para ter mais filhos. Mas a Rafaela hoje vive o auge. Eu não fico falando muito para não dar moral (risos). Tem que ser bem pensado e programado. Daqui uns três anos quem sabe vem o herdeiro?”

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