Imagine realizar o sonho de trabalhar na escola que você cresceu e da qual é torcedor? Essa é a rotina de Marquinho Marino, um sambista que passou por todos os estágios dentro da Mocidade Independente de Padre Miguel. Hoje com a responsabilidade de ser o comandante do projeto da escola, Marino recebeu o CARNAVALESCO para a série ‘Entrevistão’.

Sincero, Marino confirma que estava fora da Mocidade após o desfile de 2019, mas garante que as coisas de fato mudaram. O dirigente, que já foi compositor de samba campeão na escola, revela o segredo das safras recentes na escola: “Não escolhemos samba por política”. Confira o papo com Marquinho Marino.

Esses resultados da Mocidade passam diretamente pela sua chegada. Você concorda?

“Não concordo 100%. Fui uma peça que se encaixou na equipe. De 2016 para 2017 era praticamente o mesmo pessoal. Mas concordo que dei liga. Eu tive minha contribuição? Tive. Mas todos que estavam e ainda estão por aqui também tiveram”.

Ser um independente te ajuda quanto no trabalho?

“Já trabalhei em outras agremiações e procurei entender a essência de cada uma. Cada escola tem uma cultura. O segredo é identificar isso. Não existe receita de bolo. Ser um torcedor da Mocidade, ter crescido aqui dentro, me ajuda 100% no meu trabalho”.

E como é se relacionar com uma torcida tão participativa como é a da Mocidade?

“Para mim é natural, eu já conheço, sei de onde vêm as críticas construtivas e as negativas. Se você buscar agradar a todos, alguém você vi desagradar. Muitos gostam de mim, me viram desde criança. Outros nem tanto. Eu trabalho para a Mocidade, e é por ela que tenho que buscar objetivos. Alguém sempre vai ficar contrariado em algum momento, mas eu procuro abstrair e fazer o que acho que deve ser feito”.

Que lição você tirou da crise que culminou com a saída do antigo casal e do ex-vice-presidente Rodrigo Pacheco?

“Toda empresa passa por mudanças. Daqui a pouco pode chegar a minha vez. É igual a um clube de futebol, que contrata e dispensa jogadores. As pessoas vão passar e a instituição fica. Natural”.

Como está o Diogo depois de tanta rejeição na chegada dele?

“O Diogo quando veio eu tinha certeza de seu potencial. A Mocidade tem uma estrutura para os dois casais. Tem acompanhamento técnico, psicológico, físico. Sinto o Diogo bem tranquilo, todos merecem uma segunda chance. Com isso e talento a pessoa consegue. A forma com que ele saiu era natural a rejeição. Mas só quem estava aqui dentro conhece os reais motivos pelos quais o Diogo saiu da escola”.

O que o Marino diretor de carnaval diria para o Marino compositor?

“Que hoje a Mocidade escolhe o melhor samba e tem consciência total da importância de um samba para o desfile. Escola que escolhe samba errado está fora da disputa. O compositor tem que buscar um diferencial pra vencer. O nível é alto. Política não pode escolher samba. 90% das mudanças na Mocidade nos últimos anos são graças aos sambas-enredo”.

Qual o segredo do sucesso da ala de compositores da Mocidade?

“Quando cheguei em 2017 muita gente na escola me via ainda como um compositor. Na minha época eu era muito competitivo. Surgiu uma desconfiança inicial. Mas eu falei com cada um, mostrei que ganharia o melhor. Isso só se mostra fazendo. Após a escolha naquele ano todos passaram a ter respeito por mim. Cada ano ganhou uma parceria. Os compositores passaram a confiar no processo. De 2017 para cá, a cada ano a gente tinha mais opção de escolha. E tem que ser assim. Ganha o melhor para o carnaval”.

O enredo ser a Elza traz um peso a mais de ser obrigado a ter um grande desfile?

“Ninguém me pressionou até hoje por conta disso. Tem que ser melhor por que é a Mocidade. Evidente que no torcedor tem um peso emocional. A Elza é uma personagem que mexe com o coração do componente, do independente. Tenho absoluta certeza que vai dar tudo certo. Afirmo que tecnicamente a Mocidade disputa o título”.

Por que a Mocidade aceitou trocar com a Beija-Flor no sorteio?

“Primeiro que a Beija-Flor ganha quando fecha pois fez um trabalho para isso. Não é porque simplesmente fecha. Isso aí é balela. Historicamente para a Mocidade os Correios são uma opção melhor. Logisticamente interfere no projeto o lado de concentração. Assim como a Mangueira prefere o Balança. Nós nos sentimos à vontade daquele lado. Tenho o maior respeito pela Beija-Flor, mas será uma briga boa. A Mocidade não teme ninguém. Entramos na avenida para ganhar. Quem propôs a troca fomos nós. Podem até dizer que a culpa é minha”.

Você quase saiu da Mocidade, o que te fez ficar?

“No sábado das campeãs de 2019 informei que não continuaria e cheguei a esvaziar a minha sala. Na semana seguinte o alto escalão da escola me chamou, chegamos a um acordo e eu segui. Sou um profissional e o lado torcedor precisa ficar de fora. Coloquei os pontos que me atrapalhavam e eles me garantiram que não se repetiria. Esse ano está tudo caminhando bem”.

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