Por Gabriella Souza

Intérprete da Tom Maior e da São Clemente, Bruno Ribas já projeta sua parada na carreira. O cantor possui uma larga trajetória no samba e no carnaval. É neto do compositor Manacéia e desde pequeno vive no meio. Aos 27 anos, em 2002, iniciou fazendo parte do carro de som da Estácio de Sá no Grupo A (“Nos braços do povo, na passarela do samba… Cinquenta anos de O Dia”), juntamente com Serginho do Porto. Sua estreia como intérprete principal veio no ano seguinte, quando comandou a Inocentes da Baixada, também no Grupo A (“O Gênio da Inocentes e Lâmpada Maravilhosa” – 2003), no mesmo ano fez parte da equipe de intérpretes auxiliares de Jamelão na Mangueira. Na série ‘Entrevistão, do site CARNAVALESCO, Bruno Ribas fala de diversos assuntos. Confira abaixo a entrevista completa.

A Tom Maior devolveu o espírito daquele Bruno Ribas que cantou o samba “É Segredo” (Tijuca 2010). O que a escola mudou na sua vida?

Bruno Ribas: “A Tom Maior me trouxe uma recarga de bateria, mas eu já estou até me desfazendo dela, estou de verdade pensando em me aposentar. O carnaval está ficando meio chato e difícil de lidar. Mas, isso não é para agora, ainda vou ter um tempo para poder me organizar, organizar a vida e deixar tudo legal para que isso possa acontecer e eu poder parar. A Tom Maior foi muito importante nesse sentido para mim e para a minha trajetória”.

Aliás, o “É Segredo” é o samba da sua vida?

Bruno Ribas: “Não foi o samba da minha vida, mas sim o desfile da minha vida, já que foi o primeiro campeonato que eu conquistei como intérprete oficial de uma escola de samba na minha carreira, foi muito importante e tenho boas lembranças”.

Por que você já cogita a hora de parar?

Bruno Ribas: “O ‘parar’ que eu falo não é parar de cantar, mas sim como o carnaval, é o que pretendo. Estou pensando e ajeitando uma nova estratégia para a minha carreira, eu e a minha equipe ainda estamos em análise para planejarmos isso. Quero descobrir outras funções também no carnaval, além de cantar. Eu vim de bateria, me propus a cantar, e acho que não deixei muito a desejar. Fui e sou um mediano cantor e daqui um tempo quero ver outros horizontes. Trabalhar mais para dentro da confecção do carnaval, estar mais dentro desse horizonte me interessa também”.

Qual a diferença entre cantar no Rio e em São Paulo?

Bruno Ribas: “A única diferença que separa o Rio de São Paulo é a logística. É o que São Paulo tem de melhor para oferecer, algo que realmente falta no Rio. O som é magnífico, todo o operacional de São Paulo é muito bacana. Mas, no restante, creio não ter diferenças, às vezes até tem sim no sentido de tamanho do carnaval deles para o nosso do Rio, mas no geral não. Se considerando a parte musical, não. A música é universal, a gente faz em qualquer lugar, estando no meu setor isso não muda”.

E como é cantar em trio com o Leozinho e a Grazzi?

Bruno Ribas: “Junto com eles eu tenho mesmo é um grande aprendizado, a gente aprende muito um com o outro. Eles até brincam muito comigo dizendo que eu sou o mais antigo deles, então tenho que carregar essa carga maior. É tudo muito bem dividido no nosso carro de som, nos entendemos muito tanto musicalmente como pessoalmente e acontece tudo bem, temos um aprendizado muito legal”.

Cada vez temos mais mulheres no carro de som. O que você pensa sobre o assunto?

Bruno Ribas: “Bom, a gente vê ainda o preconceito contra a classe feminina e que ainda é muito difícil se ter mulheres como cantoras nesse meio. Acho esse preconceito ridículo, porque a mulher é o ser humano mais importante do universo desde que o mundo é mundo, se não existisse as mulheres não existiria a humanidade. Mas o meu o ponto de vista quanto a mulher cantando e sendo intérprete é que acho muito importante isso, super bacana a mulher fazendo esse papel no carnaval”.

Qual é seu maior ídolo como intérprete e por que?

Bruno Ribas: “Pela bilionésima vez, eu volto a dizer com muita satisfação, e vou falar isso para o resto da minha vida até que Deus me leve, e se Deus me levar e me deixar gritar de lá eu vou gritar o nome do Neguinho da Beija-Flor”.

Qual samba você não cantou e gostaria de ter cantado?

Bruno Ribas: Samba, eu realmente não sei. Mas desfile eu que eu gostaria de ter  participado de vários, mas teve um na Portela que eu gostaria muito de ter estado, que foi o “Adelaide, A Pomba da Paz” (1987) que eu achei muito bacana e me emocionou muito”.

Qual foi o desfile na sua carreira que mais te marcou?

Bruno Ribas: “O desfile que mais me marcou foi o da Mocidade em 2008 (“O Quinto Império: de Portugal Ao Brasil, Uma Utopia Na História”) foi um desfile grande e fantástico na minha vida. Porque foi um período muito complicado no qual eu passei na Mocidade 16 meses sem receber. E nesse ano eu fui também para São Paulo cantar no Império de Casa Verde e houve muitos problemas até que chegou o carnaval e eu não tinha para onde correr mais. Tive problemas sérios tanto em São Paulo quanto no Rio, tinha gente no carro de som que estava sendo despejada de casa porque não estava recebendo e não tinha dinheiro para pagar um aluguel. Em São Paulo eu já tinha um carro de som formado, um baita carro de som e de repente não tinha mais ninguém no carro de som, tive que levar o Marquinhos Art’Samba, que está na Mangueira hoje para lá, que é meu compadre, e o Dudu, filho do Deré da Grande Rio, tive que levar os dois para São Paulo para cantar comigo, porque eu não tinha mais carro de som. Foi bem complicado. Mas quando cheguei aqui no Rio, o desfile para mim da Mocidade foi fantástico”.

Qual foi sua maior decepção na Avenida? E o motivo?

Bruno Ribas: “Um desfile ruim na minha vida foi em 2009 na Tijuca. Quando eu acabei o desfile e saí da Avenida, pensei ‘devo estar demitido’, porque eu não senti o desfile, foi muito complicado.

O que falar do Adnet como compositor e do samba que ele fez?

Bruno Ribas: “Achei a participação do Adnet no samba muito interessante, uma pessoa que não participava e não estava no meio do carnaval e chegar com um samba inteligente, uma outra visão e bem destacada do que temos visto no resto do carnaval. Achei bem bacana e agregou muito bem a pessoa dele ao carnaval. E eu gosto muito desse samba, está bem encaixado com todo o carro de som e com a escola. Está fluindo muito bem”.

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