São mais de 30 anos de carnaval. Uma trajetória de conquistas, prêmios e uma identidade que transformaram Selminha Sorriso na personalidade feminina mais emblemática do samba. A porta-bandeira da Beija-Flor conversa com a reportagem do CARNAVALESCO para a série ‘Entrevistão’.

Qual o grande desfile da sua vida?

Selminha Sorriso: “O desfile de 2001 foi o que mais me marcou. Tinha acabado de ser mãe, em novembro. Voltei a dançar em janeiro. Ficamos em segundo lugar por um décimo, aquele desfile foi marcante, para muitas pessoas poderíamos ter sido campeões”.

O que você estava sentindo naquele momento do desfile de 2011 com a pista cheia de óleo?

Selminha Sorriso: “Eu não estava com medo de cair mas de atrapalhar o andamento da escola. Eu não estava pensando na minha nota mas no coletivo da Beija-Flor. Aquele desfile eu torci para acabar na verdade. Esse e o de 2005, quando minha mãe estava doente, foram desfiles que eu torci para acabar. Eu estava tão nervosa que não tinha nem saliva na boca”.

É verdade que você não tem salário na Beija-Flor?

Selminha Sorriso: “Aqui não tem contrato. É uma família. A escola nos ajuda, mas salário eu não tenho. Estou aqui há mais de 24 anos feliz da vida. Nunca faltou nada para mim e o Claudinho. Não me importa quem ganha mais ou menos que eu. Não me comparo com os outros. Minha energia está concentrada em mim”.

Como está hoje a relação com o Laíla?

Selminha Sorriso: “Tive com o Laíla várias vezes desde sua saída. Para mim e o Claudinho ele foi muito importante. O trato como mestre sempre. No começo foi difícil entender a ausência dele no palco. Mas ele está feliz e foi ensinar a outra comunidade tudo aquilo que ele nos ensinou”.

Falta algo para a Selminha no carnaval?

Selminha Sorriso: “Sempre falta algo. Eu penso que a cada momento você aprende. Nunca estou 100% confiante e acomodada. Quando você acha que já sabe você desaprendeu. Um crescimento profissional só vem com muito exercício e ensaio. Sempre me sinto uma iniciante. Quando toca a sirene eu não tenho mais insegurança. A minha vida está ali naquela avenida. São duas pessoas em constante avaliação. Trinta anos de carnaval é motivo de muita gratidão”.

Como você faz para nunca perder o sorriso?

Selminha Sorriso: “É uma coisa de alma e espiritualidade. Consigo separar a chateação do carinho com o público. Eu vi uma palestra recentemente em que o palestrante diz que qualquer problema a pessoa já se entrega, não entende a dificuldade. Os problemas passam. Se a gente enfrenta com otimismo ele vai embora mais rápido. A esperança minimiza tudo”.

Quando dizem que você é a mulher mais importante do carnaval, como você reage?

Selminha Sorriso: “Eu fico feliz e orgulhosa, mas considero um exagero. A vida é feita de conquistas diárias. Superar seus medos, inseguranças, incertezas. Saber que conquistei credibilidade ao longo dos anos me deixa orgulhosa mas considero outras mulheres mais importantes que eu”.

Você imagina a Beija-Flor um dia sem o Anísio?

Selminha Sorriso: “Não dá para imaginar. Impossível a Beija-Flor sem o Anísio. Ele vai seguir tendo muita saúde por muitos anos. Para mim é motivo de muita felicidade ouvir dele que sou uma pessoa unânime. É um pai não só para mim mas para toda a escola”.

Você temeu que sua parceria com o Claudinho fosse desfeita?

Selminha Sorriso: “Não temi em momento algum. A minha fé e a certeza era de que ele era inocente. Meu coração não ficou triste. Eu ia na casa dele ensaiar. Ocupei o tempo dele. Passava tudo e cobrava dele. Não deixei ele se entristecer e estive o tempo inteiro ao seu lado. Na hora da dificuldade que você vê quem é o amigo. São 27 anos de parceria. Meu sentimento por ele é de irmã e mãe às vezes. É o meu compadre”.

Já se imaginou dançando fora da Beija-Flor?

Selminha Sorriso: “Nunca fui nem convidada. As escolas que desfilo são de outros estados. Eu criei um laço familiar aqui na Beija-Flor, embora eu não tenha começado aqui”.

Comentários

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui