Wantuir é o nome artístico de Wantuir de Oliveira Tavares, nascido em Belo Horizonte e criado desde menino em Duque de Caxias, onde iniciou sua carreira como cantor no extinto bloco Acadêmicos de Caxias. Sua carreira de intérprete começou a tomar forma quando acompanhou Dominguinhos do Estácio pelas escolas em que passou. Em 94 veio a sua estreia à frente da Acadêmicos do Cubango. As 62 anos de idade, ele construiu sua trajetória no carnaval em cerca de 20 escolas ao longo dos anos. Em conversa com o CARNAVALESCO, o cantor conta sobre seu retorno para a Unidos da Tijuca em 2019, fala dos os momentos que viveu em sua carreira e cita ainda do carinho que sempre terá pela Grande Rio.

O que representa para a sua carreira ter voltado para a Unidos da Tijuca em 2019?

Wantuir: “Voltar para a Tijuca é mesmo estar matando a saudade daqui e de toda essa gente, do carinho, respeito e profissionalismo que eu sou e sempre fui tratado aqui dentro. E acima de tudo, de voltar a fazer parte dessa família, não é só um símbolo ou mais um escudo, essa é mesmo minha família tijucana”.

Conta para gente como surgiu o ‘adoro, adoro’?

Wantuir: “Esse ‘adoro,adoro’ é do Alex de Oliveira, que já foi rei momo. Nós já viajamos muito juntos e uma vez nós fizemos uma temporada boa no Japão de 5 anos e ele sempre chegava assim nos locais e falava direto essa expressão, daí eu brinquei com ele, falando que um dia iria botar isso no samba. E acabei colocando mesmo e deu certo, onde eu chego as pessoas me recebem com o ‘adoro, adoro’ e sempre gostam, é bem legal você fazer um símbolo desse, que é pequeno, mas tomar essa grandiosidade que teve no meio do samba. E agradeço o Alex também, porque acabou virando minha marca mesmo”.

Como foi a experiência de trabalhar com o Laíla em 2019?

Wantuir: “Foi um ano mesmo de aprendizado, ainda mais poder trabalhar ao lado desse monstro sagrado do carnaval. Você tem que aproveitar que se está do lado dele para aprender mais, tanto para mim quanto para a Tijuca também foi um ano de grande aprendizado”.

Quando você saiu da Grande Rio foi uma bomba no mundo do samba. Foi uma decisão fácil?

Wantuir: “Foi um desentendimento, um mal entendido que até hoje, infelizmente, por mais correto que você seja, sempre sobra para o profissional. Claro que a grande estrela do carnaval é a escola, mas em certos momentos as pessoas acabam sendo injustas, principalmente comigo que não foram muito legais. Mas não posso também reclamar muito, eu sou fruto da casa lá, sou ‘minhoca da terra’. Tenho minha família e meus amigos que desfilam na escola e torço para que ela se mantenha sempre no Especial, que está demorando tanto para conquistar um título mas sei que uma hora ele vem sim. Não é mágoa, mas é tristeza mesmo, de saber que eu estava dentro de casa e acabei não ficando mais”.

Os julgadores questionam muito os cacos dos cantores. Mas um intérprete precisa mexer com a comunidade. O que você pensa sobre os cacos no desfile?

Wantuir: “Sem ser melhor ou pior do que ninguém, mas eu costumo fazer o meu caco e continuar cantando, quando eu faço a minha brincadeira eu não paro e depois retorno o canto. Quando eu faço a chamada é só mesmo em algum intervalo de uma estrofe para a outra, é onde eu procuro fazer isso. E eu acho que os julgadores deveriam ter um pouco mais de cuidado também, porque às vezes se penaliza um cantor ou uma harmonia com uma justificativa pífia e que muitas das vezes não tem nada a ver, o que a gente fica triste é de ser mal julgado”.

O seu entrosamento é perfeito com o mestre Casagrande. O que pode falar dele?

Wantuir: “Isso veio da convivência mesmo, essa parceria. A Pura Cadência é uma bateria laureada, já ganhou diversos prêmios no carnaval e hoje a bateria da Tijuca é mesmo um espelho para as outras, você nos nossos ensaios técnicos os diretores de outras baterias chegam para tocar com ela, virou uma referência, pela disciplina, pelo jeito de tocar. A bateria da Tijuca toca para a escola, porque existem aquelas baterias que fazem o que o jurado quer para não tomar a nota errada. Aqui é diferente, não se tem essa preocupação, é feito para o samba enredo escolhido, e há um estudo em cima disso, a gente conversa bastante para encontrar o melhor caminho. Para que, acima de tudo, não seja só eu aparecendo ou sou o Casão e a bateria, mas sim a nota boa para a escola com uma boa colocação”.

Você despontou lá atrás na Porto da Pedra com o samba de 96 (“A Folia No Mundo – Um Carnaval dos Carnavais”). É o maior samba da sua vida?

Wantuir: “Eu tenho vários sambas que poderia falar que foram ‘o da minha vida’, mas esse foi o meu começo, para ser sincero eu particularmente achava que não ia ser muito bem recebido, achava o samba muito simples, eu sou um cara mais apaixonado por sambas enredo como aqueles de grandes melodias, mas esse me surpreendeu e foi mais uma prova de que samba é na Avenida, porque pode se estar com um samba lindo e maravilhoso e chega lá na hora e nada acontece. E esse chegou na Avenida e cresceu. A gente tem que esperar esse momento mesmo para ver o rendimento e se o samba
acontece”.

Se você pudesse escolher um samba que você não cantou e gostaria de ter cantado, qual seria?

Wantuir: “Tem um samba que eu estava cantando aqui na Tijuca em 2003 (“Agudás, os que levaram a África no coração, e trouxeram para o coração da África, o Brasil”) e acabei saindo daqui, fui para o Império Serrano, e naquele ano a Tijuca estava com um samba maravilhoso, sensacional eu gostaria de ter cantado ele na Avenida com certeza”.

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