O site CARNAVALESCO iniciou na quarta-feira as visitas aos ensaios de quadra das escolas de samba de São Paulo. A primeira agremiação foi a Acadêmicos do Tatuapé que, mesmo num dia de semana, levou um número de componentes considerável. Com compromisso no Paraíso do Tuiuti, o intérprete Celsinho Mody não pode comparecer, mas foi substituído pelos integrantes da ala musical. O treino começou no horário programado, às 21h, com o ensaio de bossas para repique e caixas.

Samba-Enredo

O hino da Tatuapé para 2020 segue a mesma característica de anos anteriores, e que vem dando certo analisando os últimos resultados. Samba com diversos trechos de explosão, pouca melodia em menor, partes que empolgam a comunidade e rima padrão, sem muita ousadia, são alguns dos atributos. O refrão principal tem melodia aguerrida e com uma rima padrão. A primeira frase rima com a segunda, e a terceira rima com a quarta.

O refrão cita a cidade homenageada e destaca a escola. O começo da primeira estrofe é melódico, servindo de passagem para um momento de explosão. Essa parte do samba busca valorizar atributos do enredo. O segundo refrão brinca com uma melodia caipira, no caso dançante e irreverente. Já durante a segunda estrofe, a construção do samba caminha para uma característica mais melancólica, citando dificuldades encontradas. Porém, antes da retomada para o refrão principal, o samba cresce e contribui na explosão.

Intérprete que substituiu Celsinho Mody, Douglas Chocolate explicou rotina da ala musical.

“O ensaio vem sendo executado com muita tranquilidade, com muita garra. Com relação aos ensaios da ala musical, a gente faz um rodizio pra descansar a voz de cada um. Periodicamente, a gente se encontra periodicamente pra acertar os pontos necessários pra chegar na avenida com a voz bonita, com o timbre de cada um encaixado na melhor parte do samba, fora a alegria que não pode faltar. Nos ensaios de estúdio, gravamos cordas e vozes, e fazemos a limpeza. O foco do trabalho é chegar nos 300%”.

Bateria

A bateria Qualidade Especial trouxe um ótimo contingente para o ensaio, principalmente, no naipe de caixa e surdo. Cerca de 100 ritmistas compareceram e o quesito da agremiação traz cinco bossas e um apagão. Duas delas trabalham bem a ousadia e explosão da cozinha, porém ainda com trechos sem entrosamento, entendido pela distância pro desfile.

A ala ensaia três vezes na semana. Quinta e domingo, são os ensaios com todos os setores, e terça só bateria. Um ponto de bastante destaque da bateria é a ala de cuícas, 100% da ala é formada apenas por mulheres, inclusive, a diretora.

Mestre Higor destaca ótima frequência dos ritmistas em ensaios.

“A gente está ensaiando quatro bossas e um apagão. Sobre a frequência nos ensaios, graças a Deus a gente tá com 80% dos ritmistas nos ensaios. Lógico que tem a variação, tem gente que vem quinta, outros que vem no sábado. Temos três ensaios na semana, acaba sendo um pouquinho maçante, mas faz parte do nosso projeto”.

Evolução

Mesmo com pouco mais de três meses até o desfile, a direção da escola já separa as alas conforme o desfile oficial. O ensaio começa com uma estrutura padrão, a bateria se concentra logo abaixo do palco. O meio da quadra fica pro casal e alas se concentram nos locais restantes. Após a metade do ensaio, a bateria se locomove ao centro da quadra e todos os setores contornam a bateria, espécie de círculo.

Outro detalhe positivo do quesito é a presença de alas coreografadas com um entrosamento considerável entre os desfilantes. Mesmo com um clima descontraído, integrantes das alas corrigiam companheiros em questão de posicionamento e buracos.

Harmonia

O começo do ensaio é direcionado ao canto da escola, ou seja, focado diretamente no quesito harmonia. As alas são separadas de forma estratégica, as baianas são as primeiras da esquerda para a direita, em seguida vem as alas, sempre com um diretor de harmonia à frente. As passistas se concentram no lado direito da bateria.

O samba influencia na força do canto, que é bem correspondido pela comunidade, principalmente nas primeiras passagens. Com o cansaço, o canto do final do ensaio oscilou. No apagão da bateria, integrantes da escola pedem mais empolgação da escola. É importante destacar que, mesmo disponibilizando papel com a letra do samba-enredo, notou-se poucos componentes acompanhando e lendo durante o ensaio.

“Nós começamos com ensaio de canto, depois a bateria sobe e o casal evolui. A primeira parte nós repetimos dez vezes o samba do ano, principalmente para gente ensaiar as coreografias, e depois começamos a rodar. Os nossos ensaios sempre terminam antes da meia-noite, por causa do transporte público”, explica Fabianna Lopes, diretora de harmonia.

Casal

O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira da Tatuapé, Diego do Nascimento e Jussara de Sousa, demonstrou ótima parceria durante praticamente todo o ensaio de quadra. Curtindo a dança e brincando com componentes, a dupla realizou uma coreografia de quadra, porém não pouparam o desempenho.

“O que nós fazemos aqui é a coreografia somente de quadra. A dança da avenida é totalmente diferenciada. Nós fazemos em dias diferentes, em lugares reservados. Aqui é só a postura, elegância e a parte física”, explica o mestre-sala.

A porta-bandeira Jussara revela rotina de ensaios e cenário distinto do último carnaval.

“Agora que está chegando perto do carnaval, a agenda vai ficando um pouquinho apertada. Temos dois ensaios por semana, com o Anhembi serão três ensaios e uma semana antes, todos os dias. Os números de ensaios foram reduzidos para seis. Temos que correr atrás de locais para gente ensaiar”.

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