Série de estudos das sinopses – Por: Observatório de Carnaval/OBCAR/UFRJ
Nome do enredo: Lugar de Mulher é Onde Ela Quiser
Nome do carnavalesco: Júnior Pernambucano

A PROSA JONGADA DO IMPÉRIO SERRANO: ENTRE DESIGUALDADES, SILENCIAMENTOS E O EMPODERAMENTO DA MULHER

O Reizinho de Madureira apresenta em sua sinopse um enredo de muita relevância
social e cultural, contribuindo com os olhares sobre a representatividade da mulher na
contemporaneidade. O enredo do Império Serrano busca significar, não só para a corte de
momo, mas para todo o Brasil, o empoderamento feminino, termo esse tão utilizado e
difundido nos dias de hoje. O enredo se apropriará da voz de uma das grandes mulheres
Imperianas, a matriarca da casa do Jongo, Tia Maria, para dar voz a outras mulheres,
mulheres silenciadas pelas sociedades em que viveram, mas que através de suas lutas,
resistiram, abrindo caminhos para tantas outras.

O enredo aponta mulheres pioneiras do ativismo pela igualdade de gênero. Senhoras a
frente do seu tempo.

Como dissemos, a narrativa é um recorte que se dá através da voz de Tia Maria do
Jongo. A Escola insere no seu texto mestre informações de Maria, do ventre ao Jongo, da
relação com a Serrinha e o Império, comunidade que viu despontar a paixão imensurável para ambos.

O Império Serrano, então, desta forma, constrói a história a ser contada na avenida
através de prosa jongada, nos mostrando os caminhos trilhados por grandes mulheres da
humanidade e as heranças culturais e sociais deixadas por elas. O texto também nos mostra mulheres importantes da Escola de Samba, mulheres conhecidas e anônimas tias e suas glórias.

A agremiação buscará um desfile histórico, discursando com vigor, os gritos por
condições de igualdade para que as mulheres ocupem todos os espaços da sociedade, dentre eles o político, o cultural e o empresarial, com equidade de salários.

O Império Serrano joga então com a denúncia de que existiram e ainda existem
mulheres silenciadas. Nada mais justo que esta temática venha de uma agremiação com tantas matriarcas de suma importância para a manutenção da cultura Brasileira e do carnaval carioca.

Este enredo é detentor de originalidade e de muito impacto social. Devemos nos
preparar para um Império Serrano atemporal, que passará por diversos campos onde as
mulheres se fizeram presentes, e não só se fizeram presentes como tiveram importância
indiscutível para inúmeros campos, entre eles os sociais, políticos, artísticos, mulheres que
lutaram, que cantaram, que puderam votar, foram votadas, denunciaram a ditadura, dançaram, que escreveram, dirigiram e atuaram nos palcos, mulheres que fugiram com os circos, mulheres pioneiras, que insistiram em resistir e, resistiram por insistir. Mulheres-coragem!

O Império Serrano acerta ao usar a voz de uma mulher tão importante, Tia Maria do
Jongo, para também conceder voz a outras mulheres. Embalados pelo ritmo do jongo da
Serrinha, estarão em comunhão todos os seres unidos por uma procissão: a liberdade, e a
igualdade para todas entre todos. Podemos esperar o Império com muita identidade no canto, exaltando sua origem, suas matriarcas, sua negritude e seu sorriso por pertencer ao lugar.

Por fim, ainda ao ritmo do Jongo, finalizamos a análise do texto, mencionando versos
de Cecília Meirelles: “Liberdade tem toda mulher de voar num horizonte qualquer, liberdade
de pousar onde o coração quiser”. Um feliz carnaval ao Reizinho de Madureira e que a força
da luta feminina transborde aos corações Imperianos e que essa força contagie à Marques de Sapucaí.

Autor: Marco Antônio Souza Dias Júnior – [email protected]
Licenciado em Educação Física/Membro Efetivo OBCAR/UFRJ
Leitor orientador: Tiago José Freitas Batista
Doutorando em Linguística/UFRJ e doutorando em História da Arte/UERJ
Instagram: @observatoriodecarnaval_ufrj

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