A carnavalesca Rosa Magalhães, conhecida pelo seu apuro na produção de fantasias, mais uma vez perdeu muitos décimos no quesito trabalhando em uma escola que abriu o primeiro dia de desfiles e veio do Grupo de Acesso. Em 2020, na Estácio de Sá, a professora não recebeu nenhuma nota 10. Esse ano, Rosa até recebeu um 10, mas foi descartado como nota máxima, já que o restante foram três notas 9,7 e uma nota 9,9. Pela Portela, em 2019, ao contrário, foram quatro notas 10 na agremiação que desfilou como terceira do segundo dia do Grupo Especial. Rosa apresentou um enredo sobre Arlindo Rodrigues com quem trabalhou de perto, artista que revolucionou o Carnaval trazendo elementos do Theatro Municipal, caprichando no figurino, apresentando a folia para materiais como espelho, vime e se ‘esbaldando’ no uso de babados e rendas.

A carnavalesca tentou trazer para o desfile de 2022, todos estes elementos, fazendo uma Imperatriz mais clássica ao seu estilo e mais próxima dos gostos do homenageado. Para os jurados de fantasia, porém, faltou apuro estético, ou seja acabamento de alguns trajes, além de problemas com adereços de cabeça. As questões com a cabeça da fantasia foram citados por julgadores em relação às alas “A viagem das caravelas navegações portuguesas”, “Indígenas do Brasil na visão de Arlindo os nativos da Índias Ocidentais” e “Festas religiosas populares exaltação ao divino”. Um dos julgadores, Sérgio Henrique da Silva também criticou o “excesso”de acetato no desfile que, segundo ele, fez com que as alas ficassem genéricas. Uma da alas mais problemáticas, que foi citada por quase todos os jurados, foi a sétima “Xica da Silva a personagem negra em destaque”.

O jurado Paulo Paradela tirou um décimo da escola com a seguinte justificativa: “Ala 08 – No figurino B “o acendedor de lampião” faltou acabamento/decoração na parte de trás do costeiro, deixando o mesmo a mostra e comprometendo a estética da fantasia. Ala 16 – Em ambos figurinos, à medida que os componentes evoluíam, a indumentária que cobria a parte de baixo das pernas/pés dos componentes foi se soltando/ despencando pela Avenida. Ala 21 – Em alguns componentes, a coroa que compunha a fantasia estava amarrada, tombada ou com os componentes segurando a mesma, representando um problema de proporção/peso”.

Já Helenice Gomes deu 9,7 e justificou da seguinte forma:”A proposta de inovação tão presente no trabalho do artista homenageado, não foi observada na apresentação das fantasias. Foi observada falta de apuro estético nas alas: 02 – alguns costeiros tombados, 05 -os laços estavam achatados e vincados, justamente na ala figurinos de luxo, 07 –  a proposta de aumentar o volume das fantasias p/ simular uma maior ocupação dos espaços não atingiu o objetivo, 15 – não houve a nuance de cores que era a proposta da fantasia “diversidade de tons de verde” no figurino somente o verde limão prevalecia, ala 18 – faltou vultuosidade nas saias para caracterização da baiana, ala 21 – a coroa, que junto com o santíssimo, simbolizava a manifestação do divino, estava com a armação comprometida, amassada e caindo”.

Sérgio Henrique da Silva também deu 9,7 alegando o seguinte: “Ala 07 – As ancas atrapalhavam o movimento do componente. Com isso comprometendo o apuro estético. Ala 09 – Os anjos do Bonfim ficaram muito pequenos na cabeça das baianas prejudicando a leitura. Ala 12 – Na cabeça que explicava a saída dos portugueses, estavam em sua grande maioria amassadas, faltando apuro estético. Ala 16 – Componentes com os adereços da cabeça para trás, descaracterizando a fantasia. O excesso de acetato previamente estabelecido nas alas, fez com que ficasse genéricas. A parte cromática deveria ter mais diversidade”.

E Wagner Louza de Oliveira tirou três décimos da escola no quesito apontando os seguintes motivos: “Ala 07 – Houve deslocamento das camadas da saia, com a movimentação, a estética ficou comprometida. Ala 09 – Representação dos ‘anjos do Bonfim’, na cabeça muito reduzida, difícil leitura. Ala 11, Figurino A – Muitos componentes segurando o adereço de cabeça. Ala 12 – A ‘embarcação portuguesa’ (adereço de cabeça), estavam amassadas e algumas caídas. Ala 16 – Adereços de cabeça inclinados para trás. Ala 21 – símbolo do Santíssimo (adereço de cabeça) além de muito reduzido, estavam inclinados p/ trás. Grupo ‘prelúdio do triunfo’ – a proposta era trazer o grafismo ‘art déco’, no entanto, não houve a representação do estilo artístico da época”.

A julgadora Regina Oliva foi a única a dar nota máxima para as fantasias da professora.

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