Fantasias bem acabadas e qualidade musical de seu intérprete conduzem desfile correto da União de Maricá

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Por Vinicius Vasconcelos. Fotos: Allan Duffes

Penúltima escola a passar pela série B da Intendente Magalhães, a União de Maricá mostrou muita maturidade ao possar pela primeira vez no grupo. Tentando escrever mais uma página em sua história no carnaval da capital a escola trouxe o enredo “Nelson Gonçalves o autorretrato do rei do rádio” e entrou na avenida as 4h da manhã. A voz potente de seu intérprete Matheus Gaúcho chama atenção ainda antes do início do desfile. Afinado e com muita qualidade o cantor se destacou durante a apresentação da escola.

Comissão de frente

A comissão de frente trouxe Nelson em dois momentos de sua vida. O primeiro era ele ainda mais jovem, atuando como engraxate, uma de suas profissões. Em seguida no decorrer da coreografia Nelson aparece entre as cortinas já engravatado com microfone nas mãos e é ovacionado. Bem vestida e com movimentos leves deixando fácil a interpretação a comissão exerceu seu papel com louvor de resumir em poucos gestos o que o enredo mostraria a partir dali.

Mestre-sala e porta-bandeira

Observados nas cabines dois e três, o casal teve problemas no início da apresentação. Na segunda, bandeira encostou uma vez no chapéu do mestre-sala que tentou desviar mas não conseguiu. Na terceira cabine o mesmo problema conheceu e se agravou pois o chapéu começou a cair e o rapaz precisou apoiar com as mãos por diversas vezes. Depois dos problemas a apresentação seguiu de maneira elegante. Ela mostrar seu bailado de maneira categórica e ele bailou no chão com maestria. Caso os problemas não tivessem acontecido poderiam ser considerados o melhor casal de mestre-sala e porta-bandeira que passou na Intendente pela série b. A fantasia de ambos não possuía plumas, deixando ainda mais leve e possibilitando maior controle. Apenas no chapéu dos dois alguns faisões de cor branca estavam presentes.

Harmonia

A comunidade de Maricá cantou com muita força o samba-enredo da escola. Nas primeiras alas os componentes demonstravam felicidade pela rápida ascensão da escola e batiam no peito a cada verso da composição.

Fantasias

O melhor conjunto de fantasias que desfilou pela série B. A escola soube atrelar criatividade, beleza e luxo onde era possível de acordo com suas condições financeiras. A ala com cor amarela e de guarda-chuva nas mãos era de um ótimo gosto e acabamento impecável. As alas passavam completas com chapéu, roupa e sapatilhas padronizadas.

Alegorias

A primeira alegoria era um grande botequim com malandros e muita cerveja. As composições davam um volume ainda maior no carro. Destaca-se também o excesso de capricho que foi visível. Carro limpo, tecidos bem colados e nenhuma sobra. O segundo elemento alegórico não seguia o mesmo padrão do primeiro mas não possuía graves problemas em sua decoração.

Evolução

Apesar de ainda ser jovem a escola mostrou experiência em saber lidar com as adversidades que podem acontecer num desfile de escola de samba. Graças a malandragem da direção de harmonia e dos componentes não se viam braços na avenida. Mesmo com a dificuldade de empurrar um dos carros a ala conseguiu preencher o espaço e nenhum buraco foi gerado na própria ala e nem antes do carro.

Bateria

A Maricadencia cumpriu sua função de servir ao samba enredo. Destaca-se as fileiras de tamborins e agogôs. Vestiam uma bela fantasia com as cores da malandragem e um chapéu com cavaquinho de placas no topo.

Samba-enredo

Matheus Gaúcho é o grande responsável pelo desempenho mais que positivo da obra. Junto de seu excelente time de cordas o cantor foi mais um dos destaques positivos da escola. Em trechos como “voltei pra te encantar, voltei” havia enorme interação com os componentes. A parte que antecedia o refrão do meio “podem aplaudir” ficava na mente tanto dos desfilantes quanto do público que assistia e havia algumas palmas seguindo a letra.

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