Por Victor Amancio

Completando 50 anos no carnaval, a professora Rosa Magalhães, maior campeã da Marquês de Sapucaí, ao lado de Alexandre Louzada, ganhou uma festa emocionante, neste sábado, na quadra da Estácio de Sá, onde assina o carnaval de 2020. Estiveram presentes personalidades do samba e segmentos de agremiações por onde Rosa passou ao longo dessa trajetória vitoriosa.

Rosa foi ovacionada por quem esteve presente na festa, não é por menos, a professora fez e continua fazendo história no carnaval. Feliz e cantando os sambas dos enredos que assinou, Rosa beijou e recebeu com muito carinho os pavilhões. Na sua segunda passagem pela primeira escola de samba do Brasil, Rosa afirmou estar muito feliz e desconversou quando questionada sobre uma possível aposentadoria.

“A vida da gente é uma incógnita, o destino a Deus pertence, não sei o dia de amanhã. Estou aqui na Estácio, mas não sei o que vai ser para o próximo carnaval”, disse.

Sobre a emoção de receber tanto carinho do mundo do samba, Rosa brincou e disse querer uma festa melhor para o próximo aniversário.

“O coração está ótimo graças ao cardiologista (risos), mas é muito bom e emocionante ver uma festa dessas para comemorar mais um ano de vida e esse marco na minha carreira. Mas eu espero que quando completar 74 seja melhor ainda”, concluiu a professora.

Em sua estreia no carnaval, contratada pelo Salgueiro em 1970, assinando o desfile de 1971 com uma comissão de carnaval, Rosa diz que este foi o desfile que mais a marcou.

“O primeiro desfile foi o que mais me marcou, que foi “Festa para um Rei Negro”, eu não sabia o que era escola de samba, você imagina isso? Foi a primeira vez que eu assisti. Eu arrumei a escola, sai correndo e subi na arquibancada para assistir”, comentou Rosa.

O mestre de cerimônias da festa que comemorou os 50 anos no carnaval e o aniversário de Rosa, Milton Cunha acredita que a artista se reinventou durante todos esses anos. Para ele, essa qualidade se dá por Rosa ser uma artista completa e prova que idade não diz nada quando se tem talento.

“Rosa não envelheceu, ela se manteve aberta para se reinventar, a buscar novas soluções para ela, com ou sem dinheiro, muito rica ou muito pobre, muito barroca ou pixada. Ela mostrou que artista não tem idade mas tem talento e ela sem dúvidas está pronta para mais 50 carnavais”.

O presidente da Estácio de Sá, Leziário Nascimento, falou que a festa para a carnavalesca foi preparada com muito carinho. Para ele, Rosa ainda tem muito para ensinar e nem tão cedo deve se aposentar.

“Rosa é um entidade, temos que bater cabeça para ela. Ela é uma professora e tem muito para ensinar ainda e nós mero mortais temos que aprender. São cinquenta anos, é muita história”, afirmou Leziário.

Leonardo Bora, que lançou em 2019 um livro sobre a ideia de brasilidade e antropofagia dos onzes carnavais da professora à frente da Imperatriz Leopoldinense, enfatizou a importância dela como artista na vida dele que cresceu assistindo e admirando as criações e carnavais da artista multicampeã do carnaval.

“Para mim, especificamente, a Rosa tem uma importância sem tamanho pois cresci admirando as criações dela, desenvolvi uma pesquisa de mestrado e doutorado sobre os enredos dela, as narrativas. Rosa é uma figura extraordinária, campeoníssima e conseguiu desenvolver uma série de enredos, em sequência, maravilhosos e de suma importância para o carnaval carioca e permanece na ativa depois de 50 anos nos brindando com grandes criações. Para o carnaval é uma importância sem igual, discípula de Pamplona, exemplar presença da Escolas de Belas Artes na folia carioca, uma das poucas mulheres
que ocupam essa posição de centralidade como diretora artística e carnavalesca. Então é uma emoção muito grande poder partilhar dessa vivência da Rosa, pesquisar e ser contemporâneo dela”, explicou Bora, um dos carnavalescos da Grande Rio.

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