Por Guilherme Ayupp. Fotos: Magaiver Fernandes

O Cubango definiu na madrugada deste domingo o seu hino oficial para o Carnaval 2020. A grande disputa aconteceu na quadra da agremiação, em Niterói. Três parcerias se digladiaram para realizar o sonho de representar o enredo ‘A voz da liberdade’, um tributo ao patrono da abolição da escravatura, Luiz Gama. A obra composta pelos compositores Robson Ramos, Sardinha, Anderson Duda Tonon, Júnior Fionda, Sérgio Careca, Tricolor e Rildo Seixas foi a escolhida. A Acadêmicos do Cubango será a quinta escola a desfilar na sexta-feira de carnaval em 2020 pela Série A da Lierj.

Diferente das duas parcerias concorrentes da noite o time campeão é formado por vários compositores multi-campeões pela Cubango. O principal deles é o experiente Sardinha, que celebra neste carnaval sua 11ª vitória na verde e branca. Além dele, nomes como Júnior Fionda, Robson Ramos e Sérgio Careca, todos tetracampeões na escola. Apenas Tricolor e Rildo Seixas saboreiam a primeira conquista na escola.

Júnior Fionda possui vitórias marcantes na Mangueira, onde é o fiel escudeiro de Lequinho, e também em outras grandes escolas. Mas o poeta revela à reportagem do CARNAVALESCO um carinho especial pela Cubango, escola de Niterói onde vence pela quarta vez.

“Uma vitória tem sempre um sabor diferente, mas aqui ainda mais. A Cubango é onde mais venci depois da Mangueira. É uma comunidade que é muito participativa e isso fez toda diferença em nossa apresentação aqui hoje. Nosso samba fala ao coração de todas as pessoas que sofreram e sofrem preconceito racial, de gênero e de classe social. A proposta do samba é levar à luta de Luís Gama, filho de Luísa Mahin, aos corações dos sambistas. Um passado de cobrança com justiça, mas que ainda hoje é tão comum. Uma melodia que fala junto de toda poesia, com trechos maiores e menores. Um canto de resistência e garra de uma escola que tem papel principal nessa luta negra”, destacou.

A parceria tinha como trunfo o mister final: Tinga. O intérprete como de hábito conduziu com muita garra e vibração a obra. A grande festa preparada pelos compositores começou com boa parte da quadra cantando a primeira passada da obra. O samba teve uma passagem avassaladora na quadra, contagiando o público desde o começo. Os refrões foram o maior destaque da obra. Os compositores fizeram uma bonita festa, com direito à queima de fogos na arrancada da apresentação.

Presidente minimiza corte de verbas da prefeitura: ‘surpreso ficaria se ele desse’

O presidente Rogério Belisário, como de hábito, adota a serenidade para tratar do futuro da Cubango, depois de ser reeleito nas eleições presidenciais. O dirigente disse ter confiança na obra escolhida e adota cautela para escolher o novo diretor de carnaval da agremiação.

“Estou acostumado, por isso fico tranquilo. Quando as obras tem qualidade não há motivo de preocupação. Não tinha um preferido. Qualquer um dos três atendia ao nosso projeto. Hoje não estou preocupado com direção de carnaval, a prioridade é iniciar os trabalhos no barracão. O Márcio André saiu e eu estou entre três nomes. Nas próximas semanas eu defino esse nome, sem pressa”, garante.

O dirigente, que ajudou a conduzir a escola ao seu melhor desfile na história com o vice-campeonato este ano, dá o caminho das pedras para a escola sonhar com o título inédito. Segundo o presidente o corte de verbas da Prefeitura do Rio de Janeiro não surpreende.

“Dá para sonhar com o título sim. Teremos um carnaval igual ou melhor que 2019. O segredo é não cometer erros. Para mim não foi novidade essa decisão do prefeito do Rio. Seria se ele desse dinheiro. Por questões religiosas ele não gosta de carnaval. Ele tem esse direito, ele foi eleito e tem a prerrogativa de decidir isso”, opina.

‘Vamos dar um novo grito de liberdade’, diz Patrick Carvalho, novo coreógrafo

Patrick Carvalho vai fazer sua estreia na Cubango em 2020. O coreógrafo, bicampeão do Estrela do Carnaval, fala da chegada à escola e vê semelhanças entre o enredo de 2020 da Cubango com o da Tuiuti em 2018, quando ele chocou o mundo com uma das comissões mais emblemáticas da história.

“O primeiro prêmio que recebi foi aqui na Cubango, o extinto Jorge Lafond. Eu sabia que uma hora ou outra eu viria para cá. O último desfile foi excelente. Quando fui procurado, sentei com eles e ouvi o projeto com imenso carinho. Eu vou tentar não fazer a linha comparativa com o trabalho do Tuiuti, mas eu gostaria de dar outro grito de liberdade na avenida”, adianta.

O dançarino traça um paralelo com o modo de fazer carnaval na Série A, em relação ao Grupo Especial, onde mais uma vez vai desenvolver o projeto na Vila Isabel. Segundo Patrick, no acesso o coreógrafo precisa exercitar mais a cabeça e a criatividade.

“Tem que tirar da cartola as ideias, de onde não tem recurso. Gosto da Série A, pois tem muita importância as escolas desse carnaval. A estrutura é menor, te faz pensar muito mais. Vou quebrar a cabeça para fazer um trabalho bom. Quando chega o Especial eu já tenho a sensação de ter passado na pista”

Demétrius vai pra o quarto desfile à frente da Ritmo Folgado

Pelo quarto carnaval consecutivo, a responsabilidade de comandar os ritmistas da bateria Ritmo Folgado será do mestre Demétrius. Depois que assumiu o posto deixado por Maurão, ele vem dando sequência à mesma política de trabalho e afirma em entrevista ao site CARNAVALESCO que a linha de trabalho da bateria não mudará.

“Não há necessidade de mudança. Primeiro porque eu acredito que esse é o melhor caminho a seguir e segundo porque estamos obtendo a melhor resposta por parte dos jurados, que têm compreendido nossa filosofia na avenida”, avaliou o mestre, que em 2020 alcançou os 40 pontos em bateria.

Casal vai em busca dos 40 pontos em 2020

Diego e Patrícia vão defender o pavilhão da Cubango pelo segundo carnaval consecutivo. Apesar do vice-campeonato, a dupla perdeu um décimo no julgamento de 2019, que foi descartado. Patrícia afirma que o objetivo é sair da próxima quarta-feira de cinzas com os 40 pontos.

“Não tem como ser diferente o objetivo. A escola ficou perto do título e nós quase levamos a nota 40. A expectativa claro no ano que vem é realizar o sonho desse título e nós buscarmos esse décimo perdido para ganhar a nota máxima nos quatro módulos”, almeja Patrícia.

Diego, entre idas e vindas, vai completar seu sexto desfile pela Cubango. O dançarino fala à nossa reportagem para a importância de um enredo com a pegada característica da Cubango.

“Embora seja uma linha mais histórica e não religiosa, o tema possui o DNA da escola e acho que isso faz toda a diferença, inclusive para o nosso trabalho. A nossa fantasia terá muita representatividade”, adianta Diego.

Como foram as apresentações dos outros sambas finalistas:

Parceria de Chiquinho Inspiração: A parceria não se intimidou por apresentar seu samba após o sacode de Robson Ramos e parceiros. Para isso contaram com a ajuda dos competentes Marquinhos Art’samba e Tem-Tem Jr. O refrão principal além da melodia valente possuía uma passagem de letra que invocava a comunidade a acreditar no título, o que fez a obra render bem neste trecho. O refrão do meio também cumpriu um papel satisfatório, se destacando durante a apresentação. A passagem do samba, entretanto, foi irregular, caindo de rendimento no trecho final.

Parcerias de Iberê Matos: A obra tinha soluções melódicas interessantes, variando entre refrões valentes e passagens mais dolentes. Os cantores iniciaram a condução da obra com bastante categoria, cativando o público presente na quadra. Na primeira passada os intérpretes entregaram trechos do samba para o público cantar. O mérito da parceria na confecção da composição para o concurso foi produzir uma obra que se adapta às características rítmicas da bateria da Cubango, de andamento mais atrás. A apresentação perdeu um pouco de rendimento no final.

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