O Salgueiro fechou o terceiro dia de ensaios técnicos do Grupo Especial com um show de canto da comunidade e grande exibição da bateria Furiosa. Neste domingo, a comissão de frente de Patrick Carvalho também teve apresentação digna de aplausos, além do comando do microfone com maestria por Emerson Dias e Quinho. Infelizmente, a perfeição no ensaio ficou para próxima, devido a um erro do casal de mestre-sala e porta-bandeira no primeiro módulo julgador. O ensaio da vermelha e branca, com enredo ‘Resistência’, durou 1h03. * VEJA AQUI FOTOS DO ENSAIO

“O canto da comunidade está de arrepiar! Eu tive um problema e acabei deixando de estar presente em um dos ensaios, acompanhei pela internet e fiquei impressionado com o canto da comunidade, eu não tinha noção do quanto a minha comunidade canta. A minha comunidade hoje está muito além daquilo que podemos esperar de uma escola de samba, no ensaio mostramos o que é ter o Salgueiro na avenida. Entrar aqui, ver o público e as as coirmãs se apresentando é simplesmente emocionante. Por incrível que pareça, desde o primeiro ensaio que fizemos com a comunidade, parecia que já estávamos prontos para desfilar. Fizemos o ensaio de canto na quadra, pensei que já estávamos prontos para ir para a rua. Quando fomos para a rua, afirmei que já estávamos prontos para vir a avenida, e agora digo que estamos prontos para o desfile oficial”, assegurou Alexandre Couto, diretor de carnaval.

Harmonia

O Salgueiro colocou, mais uma vez, à prova o chão forte da comunidade e cantou o samba do início ao fim. Todas as alas da escola não pouparam voz e impulsionaram também as arquibancadas, que foram junto com a agremiação. As alas vieram intercaladas com camisas vermelhas e brancas, e algumas trouxeram alguns adereços, como bolas e lenços. A ala 8, ‘Loucura Salgueirense’, foi uma das mais animadas, e em determinado momento, a ala 17 passou um pouco mais fria.

Alguns componentes da agremiação cometeram alguns erros durante o samba. O verso “A bala que marca” foi cantado “A bala que mata” por algumas pessoas da escola. A palavra “Galanga” também foi confundida por “Kalanga”. A ala 20, ou melhor, Mercedes e Batistas, que mesmo com um ballet coreografado apresentou componentes mostrando que o samba está na boca.

Samba-Enredo

Assim como Portela e Mangueira, o Salgueiro teve o samba criticado após a escolha, contudo, o que foi visto na Sapucaí provou o contrário. A escola gritava o samba, impulsionado com maestria por Quinho e Emerson Dias, que veio em cima do carro de som, chamando a escola o tempo todo e aplicando injeção de ânimo nos componentes. A comunidade, assim como as arquibancadas explodiam no refrão. De ‘Torrão Amado’ até ‘Sou diferente’ era a parte mais cantada do samba, enquanto ‘Hoje cativeiro é favela’ até ‘Contra a mordaça’ tinha leve queda de entonação.

“Eu acho que foi uma surpresa. Muita gente falando que o samba não era isso ou aquilo, tá aí a resposta. Samba bom é o que o povo canta e aconteceu isso aqui hoje. O povo cantou, a escola cantou e se divertiu. O andamento foi gostoso. Pra mim está pronto para ir ao desfile. A Sapucaí já comprou a ideia do samba. É um samba muito alegre, muito popular, muito pra cima e isso faz toda a diferença. Vamos com tudo para nosso desfile”, garantiu Emerson Dias.

Bateria

Os mestres Guilherme e Gustavo tiveram grande noite no comando da bateria Furiosa. Desde o setor 1, a bateria do Salgueiro já empolgava as arquibancadas e durante o ensaio não foi diferente. Os ritmistas da vermelho e branco fizeram ótimo espetáculo, com direito à coreografia, onde todos se abaixavam e colocavam os punhos em erguidos. Neste momento, a bateria parava e os componentes soltavam o grito de ‘Salgueiro, Salgueiro!’. Os irmãos mostraram algumas bossas, como a ‘Rio Batuqueiro’ até o fim do refrão, e “Hoje cativeiro é favela” até “Meu quilombo, escola”. Grávida, Viviane Araújo vestia roupa dourada e prata em brilhante, foi ovacionada pelo público e esbanjou carisma.

“Pra mim o ensaio foi energia pura! A gente acaba que não consegue ver a escola, porque está com olhos e mente fixados na bateria, mas é aquilo que a gente fala pra eles antes de entrar na Sapucaí, antes de qualquer coisa a gente tem que brincar e se divertir, mas é brincar de maneira séria. A impressão desse ensaio é magia, energia e resistência. Com certeza, no dia do desfile, a gente vai brincar, encantar e resistir na avenida. Vão ser 280 ritmistas”, disse mestre Guilherme.

“Talvez, tenha surpresinha no desfile, mas vamos trazer o que vocês viram hoje. São duas bossas um pouquinho maiores do que estamos acostumados, com maior grau de complexidade e ta tudo de acordo com o enredo também, vamos fazer algo legal para galera cantar que é resistência”, citou mestre Gustavo.

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

O casal Sidclei e Marcella Alves mostrou grande entrosamento, uma dança leve, aliada com a  sincronia impecável da dupla. Os dois estavam vestidos de vermelho, com cada exibição durando uma média de dois minutos. Porém, durante a apresentação no primeiro módulo de julgadores, o pavilhão acabou enrolando durante poucos segundos. A porta-bandeira teve que consertar com a mão.

Em dado momento da coreografia, o casal se desvinculava e Marcella realizava um balanço dos ombros característico da entidade pomba gira, enquanto Sidclei em um segundo momento, faz referência para Xangô. O casal demonstrou sintonia na avenida, estavam com movimentos casados e ótimo tempo de realização, também mostraram um olhar atento e constante no parceiro. Quando foi realizar as pegadas na bandeira, Sidclei foi preciso e pegou na parte superior, em conjunto com a porta-bandeira, deixou o símbolo da escola sempre bem evidente aos jurados e público.

“Foi muito emocionante. A gente está muito feliz de poder estar de voltar. O trabalho está muito intenso. Faz toda diferença sentir essa energia que o público pasa para gente. Nossa fantasia está pronta. Vermelha e branca, já é uma dica. A pista não mudou muita coisa. Está cheia de vala e bem chamuscada. O segundo módulo está demais, o primeiro tem uma ladeira muito grande e o meio não está marcado certo”, comentou a porta-bandeira.

“O Salgueiro é realmente uma escola diferente. O ensaio técnico é um termômetro para o desfile. Como todas escolas, existem erros e acertos, fizemos um excelente ensaio. Saiu tudo certo e vamos mais fortes para o desfile oficial”, completou o mestre-sala.

Comissão de Frente

A comissão de frente, de Patrick Carvalho, abriu os trabalhou para o Salgueiro de forma impecável. Com força e irretocável sincronia, os dançarinos fizeram ótima apresentação, bastante elogiada pelo público no Sambódromo. Os componentes formavam dois grupos, alguns de vermelho, cobertos por glitter e outros de iaôs, em exibição dividida em algumas partes. O coreógrafo, que fez grande trabalho com a equipe, foi bastante vibrante durante toda Avenida.

Evolução

O Salgueiro não cometeu graves erros de evolução no ensaio técnico deste domingo, mas alguns pequenos detalhes devem ser levados em conta. Nos últimos dois setores do ensaio, as alas correram um pouco, causando reclamação do público, e até mesmo de alguns componentes. No segundo módulo julgador, um buraco foi aberto antes da velha guarda, mas corrigido alguns segundos depois. No geral, a escola teve organização das alas e bastante animação das mesmas.

Outros destaques

É imprescindível destacar o canto das baianas, seu figurino impecável que mesclava entre o tradicional branco na parte superior e uma saia florida que trazia rica palheta de cores, além das mudas de diferentes ervas, como por exemplo: Arruda e Alfazema.

No início da apresentação, logo atrás do casal, o Salgueiro trouxe um grande painel com a logo do enrego. As passistas da escola vieram vestidas em tom se salmão, com saltos vermelhos e adereços dourados na cabeça, enquanto os masculinos se vestiam com calça vermelha e sapato dourado.

A ala do funk também roubou a cena e apresentou uma parede de caixas de som que remetem aos antigos bailes funk dos anos 1990 e 2000, além de componentes bem coreógrafos com passos característicos do funk carioca, a presença de uma personagem que trazia a memória da ‘Lacraia’, famosa bailarina de funk e toda alegria da Mc Tati Quebra Barraco que foi ovacionada por todos os setores da avenida.

A agremiação também contou com celebridades como o ator e ex-BBB Babu Santana, e a empresária e irmã de Neymar, Rafaella Santos, que agora é musa da agremiação. A vermelho e branco também trouxe uma ala com mulheres em roupas pretas de bailarina. O Maculelê de Carlinhos do Salgueiro veio também com roupas pretas e com grande apresentação misturando passos famosos do ‘Tiktok’. Após o grande ensaio técnico deste domingo, fica a promessa de um ótimo desfile no dia 22 de abril.

Participaram da cobertura: Leonardo Damico, Ingrid Marins, Gabriel Gomes, José Luiz Moreira, Isabelly Luz, Karina de Figueiredo, Lucas Santos, Luan Costa, Allan Duffes, Philipe Rabelo e Walter Farias

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