A principal esperança de novos ares para o marketing dentro da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa) tem nome e sobrenome: Gabriel David. O filho do patrono da Beija-Flor, Anísio Abraão David, assumiu o departamento de marketing cheio de projetos e com prioridades urgentes. Em entrevista exclusiva ao site CARNAVALESCO, perguntado como vai conciliar o trabalho na Liga e na escola de Nilópolis, o jovem empresário revelou que haverá mudanças, mas fez mistério.

Gabriel David com Jorge Perlingeiro, o novo presidente da Liesa. Foto: Maria Zilda Matos

“A Beija-Flor vai comunicar como ela vai ficar daqui para frente. Vão ter novidades”, prometeu.

Gabriel David respondeu sobre diversos assuntos e apresentou sua escala de prioridades: terceirização da venda de ingressos, criação da marca do carnaval e modernização da comunicação da Liesa. Confira abaixo o que pensa o diretor de marketing da Liesa:

Trabalho na Liga

“Já comecei oficialmente a trabalhar na Liga. Estarei todos os dias. Fizemos uma reunião com o Perlingeiro. Tem um tempo que venho pensando, estruturando e botando em escalas de prioridades o que vamos fazer. A gente sabe que a situação da Liga não é das melhores. Preparei uma escala de prioridades que o departamento de marketing precisa ter para injetar dinheiro dentro do carnaval. Precisamos vender propriedades que o carnaval já possui”.

Função na Liga, além do marketing

“Deixo claro que minha função na Liga é com em torno do desfile, não é com a parte artística, porque não tenho esse conhecimento e nem esse preparo. Não é nem perto uma preocupação que o carnaval deve ter, porque possui grandes artistas”.

Terceirização da venda de ingressos

“Primeira dificuldade que temos que enfrentar é que precisamos de verba para criarmos novos projetos. A minha primeira ideia é fazer uma apresentação em plenário para decisão das 12 escolas que é a possibilidade da terceirização das vendas dos ingressos para os desfiles. Essa decisão não é minha e nem do presidente da Liga é de todas escolas. Acredito e tenho know-how de mercado que isso pode melhorar o fluxo de caixa das escolas e da Liga. Falo em fechar o contrato e no dia seguinte já termos a entrada direta de dinheiro. Temos possibilidades de patrocínios diretos quando você terceiriza. A Liga não estará perdendo o controle, pelo contrário, não tem necessidade da Liga gastar mais dinheiro com isso, que é não sua especialização, porque temos empresas gigantescas que fazem única e exclusivamente a venda de tíquete. Já tenho feito o mapeamento de mercado, vou apresentar isso para mesa diretora da Liga. A gente vai levar consideração quais propostas vamos levar para o plenário e isso deve acontecer o mais rápido possível, porque é um dinheiro mais fácil de chegar”.

Marca do Carnaval do Rio de Janeiro

“A criação da marca do carnaval já é falada tem muito tempo. É um ponto importante. Estou pouco preocupado com a logo da Liesa. Estou mais preocupado em criar a logo do carnaval. A gente precisa fechar o olho e imaginar uma marca, um símbolo, que vai sempre nos remeter aos desfiles das escolas de samba do Rio de Janeiro. Essa marca é fundamental e ainda é inexistente. Até existe, mas não é propagada, precisa de mudança. Vamos fazer um negócio direito. Estamos trazendo para perto gente boa para ganhar lá na frente. Tudo parte da criação da marca. A partir dali vamos criar canais de comunicação atuais, como Instagram, Twitter e todas as plataformas de comunicação. Temos outras prioridades dentro da Liga nesse momento, mas com certeza é um ponto futuro”.

Certeza no sucesso do trabalho

“Estou muito otimista, assim como o Perlingeiro e outros diretores, de acreditarmos no futuro do carnaval. Não quero empresas e nem parceiros que queiram ganhar dinheiro no carnaval neste momento, lucrar neste momento ou construir o próximo. Quero parceiros que vão estar com a gente nos próximos 10, 20, 30 carnavais. Pessoas que vão acreditar nas ideias lá da frente, nos próximos 10 anos, porque não vamos mudar tudo no primeiro ano. Vão ser mudanças graduais”.

Comunicação na Liesa

“É o ponto principal das mudanças. Porém, ela requer verba. Para mudar a comunicação e fazer de uma forma mais eficaz preciso da verba, provavelmente, vou tirar dessa terceirização das vendas dos ingressos. Estou afirmando que o mercado do carnaval vai mudar, melhorar e entregará conceitos mais atuais. A gente precisa de grandes parceiros para criarmos essas experiências dentro do carnaval. Vou atrás dessas empresas para trazer elas para o carnaval”.

Movimentar todas escolas de samba durante o ano inteiro

“A ideia de fazer alguma uma coisa em julho existe. Não foi possível esse ano pela pandemia. Tenho certeza que vai acontecer em outros anos. Será algo inovador. Não vai atrapalhar o principal produto que as escolas produzem que é o desfile de escola de samba. Vai angariar outras verbas e colocar as escolas para trabalharem de outras formas”.

Trabalhar melhor a divulgação dos sambas-enredo

“Acredito muito no trabalho da propagação dos sambas-enredo. A comunicação dos sambas é uma propriedade que as escolas já possuem e podem vender melhor. Montar uma estratégia mais bem elaborada como vamos divulgar e anunciar os sambas escolhidos. Além de rentabilizar isso com as plataformas de streaming. Estou dando muita importância, porque no primeiro momento ao invés de criar algumas mudanças, prefiro vender melhor propriedades que as escolas já possuem, já que não tenho verbas novas para gastar. Preciso criar essas verbas tanto para o meu departamento, como para Liga e todas escolas”.

Presença do público do samba nos eventos da Liga

“Não é uma decisão minha, cabe mais ao presidente. É uma sugestão que o carnaval esteja cada vez mais aberto para todo mundo que é bom e quer ajudar. O carnaval é plural, grandioso, cultural, patrimônio do Rio de Janeiro e do país, e todo mundo deve ter direito de estar perto”.

Tamanho da responsabilidade de comandar o marketing da Liesa

“Tenho noção do que tenho que fazer. A responsabilidade, nomes, status, faz parte, e, a partir do momento que aceitei me colocar nessa posição, estou sujeito a tudo isso. Me sinto preparado. Sei onde quero chegar e onde acho que o carnaval pode chegar. Acredito muito nessa ideia”.

Balanço da reunião com o prefeito Eduardo Paes

“Nunca tinha tido oportunidade de ter uma conversa com ele. Foi uma reunião super prazerosa. Vi um prefeito e um baita de um gestor que ama e entende a cidade do Rio de Janeiro. Não falamos só sobre carnaval, falamos de muitas coisas interessantes para cidades. Temos muita coisa em comum, como o simbolismo e mudanças importantes para o carnaval. Vamos muito em legado. Não quero chegar no ano que vem e simplesmente falarmos que ‘fizemos o maior carnaval de todos os tempos’. Queremos chegar daqui 10, 20 anos, olhar para trás, e falar que o que fizemos faz sentido até hoje, fez o carnaval voltar ao seu auge, que vai gerar um mar de possibilidades daqui para frente. É trabalhar dentro daquilo que a gente acredita. Com união, bom diálogo, boa comunicação interna e externa, vamos chegar lá”.

Haverá o Carnaval em 2022?

“Tenho que acreditar em 2022, mas não posso me prender que vamos ter desfiles em fevereiro. Sou obrigado a criar alternativas caso esses desfiles não aconteçam. Estou pensando isso há muito tempo. Vamos ter planos A, B, C, D, e quantos precisar. Ideias não faltarão”.

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