O diretor de marketing da Liga Independente das Escolas de Samba (Liesa), Gabriel David, participou da última série de lives “Pensando a crise no samba”, na noite de segunda-feira, com Milton Cunha e mestre Casagrande. No papo, ele contou que a Liga quer ouvir os sambistas em plenárias na Liga.

“Lançamos uma pesquisa com objetivo de entender e ouvir as pessoas. Vamos marcar algumas plenárias na Liga para conversarmos com quem faz o carnaval, como casais, mestres de bateria, cantores, diretores de carnaval, carnavalescos e toda galera que faz o carnaval como um todo. Tem muita informação que é importante para gente entender o que pode ser melhorado. Trocar ideias e definirmos ordem de prioridades para o que podemos atender. Não vamos conseguir mudar tudo de uma hora para outra. Ainda não tivemos plenária depois da eleição na Liga. A primeira será com os presidentes e depois vamos definir datas para esses encontros”.

“Acho que o mundo ideal, sem dúvida, é que as escolas conseguissem arcar com os custos gerais sem depender de terceiros. Seria o mundo ideal. Mas até aqui todo mundo do carnaval não era bem estruturado como um todo. A crise do carnaval já existia antes da pandemia. Esse momento que estamos passando acredito que chegaria mais cedo ou mais tarde. A pandemia só acelerou esse processo. É ver como extraímos disso algo melhor para o futuro e que as próximas adversidades não sejam tão graves como essa agora”.

Confira mais sobre o papo.

Receita para o carnaval

“Em julho, na primeira quinzena, é quando entra o primeiro dinheiro do carnaval. Gostaria muito que fosse antes, mas acho improvável diante do cenário que estamos vendo pela frente. Acho que a gente talvez consiga alguns empréstimos antes disso para que a gente consiga trabalhar quando a Cidade do Samba abrir, que deve acontecer dentro dos próximos 15 ou 20 dias no máximo”.

Mudanças na estrutura do carnaval

“Algumas coisas básicas precisavam passar por uma mudança, como estão passando agora, para que a gente deixasse de depender única e exclusivamente de verba pública ou de um parceiro. Foi o que sofremos na transição do Eduardo (Paes) para o Crivella. A estrutura financeira do carnaval tem três pilares fundamentais hoje em dia: somos altamente dependentes da venda de ingressos, que é um super problema para o próximo carnaval, porque se a gente chegar lá na frente e não pudermos vender a mesma quantidade vendida até aqui a receita será afetada e já estamos preocupados para que caso aconteça, tenhamos o problema resolvido antes que atinja todas pessoas. Temos a verba da TV Globo que é fundamental. Se de um dia para noite a TV Globo para de cobrir carnaval, o carnaval está financeiramente ferrado. Não é chegar em outra emissora e conseguir a mesma verba. E o terceiro ponto é a verba pública. Quando tem o impacto em um desses três pilares você sofre como um todo”.

Carnaval como receita para Estado e Prefeitura

“O carnaval ficou em uma zona desconfortável e não mostrou para população e poder público o que entrega durante o ano. A gente não entrega só cultura, entregamos dinheiro durante o ano. Isso era um mito e deixou de existir. A pandemia mostrou para o poder público que se não tiver carnaval você sofre nas contas, deixa de ganhar dinheiro. Em nenhum momento do ano você, estado ou prefeitura, ganha tanto dinheiro como nos dias de carnaval. A gente vê a necessidade dos governantes que tenha carnaval no próximo ano”.

Contrato da Liesa com a prefeitura

“Conversamos sobre datas e queríamos antecipar o máximo possível esse pagamento. A gente precisa movimentar a engrenagem e a economia do carnaval, porque estão completamente estagnadas. Durante a reunião com o prefeito, chegamos a acertar alguns detalhes, inclusive, sobre a subvenção do próximo carnaval, não temos ainda o valor exato, mas entrará dentro do contrato que será assinado. Sabemos que teremos a verba e a entrada do dinheiro na primeira quinzena de julho. O contrato de cessão do Sambódromo vai englobar mais pontos do que normalmente englobaria entre Liga e Riotur, com todas regras”.

Reabertura dos barracões

“Eles tem que ser reabertos, precisamos voltar a trabalhar. Existem protocolos para reabrimos com total segurança para os trabalhadores. Não adianta liberar a Cidade do Samba sem dinheiro para trabalhar, porque muitas escolas possuem dívidas na rua e a gente da Liga está muito preocupada com isso. Queremos entregar o pacote completo: ambiente de trabalho, segurança e dinheiro”.

Liberação das quadras

“Acredito que será possível usar as quadras. Óbvio que não para fazer shows neste primeiro momento, mas algumas atividades não imagino que tenha problema, seguindo os protocolos e os decretos (sanitários) da prefeitura. Não vejo problema ter bares e restaurantes abertos e não podermos fazer workshop de dança e percussão. Não é permitido ensaio ou aglomeração em massa”.

Apoio do Estado

“O governador tem ajudado. Estamos no meio da negociação com o governo. É diferente da negociação com a prefeitura, que vem de verba direta. O Estado é sempre por um parceiro, como aconteceu com a Light e Refit. Nossa ideia é mantermos uma mesma linha, mas seria a entrega da Liga para esse parceiro apresentado pelo governo do estado. Temos uma reunião com um potencial parceiro marcada para o dia 31 deste mês para apresentarmos o projeto. O governador é muito próximo da Liga e a gente conversa quase que semanalmente com representantes do governo do estado”.

Marca do carnaval

“Todo mundo entende a grandiosidade de um desfile de escolas de samba, mas aonde a marca aparece, como e o que ela ganha em troca. Isso é um grande problema. Uma das prioridades dentro dessas mudanças iniciais que estamos fazendo é a reformulação do poder comercial do carnaval. Nos últimos desfiles, a gente não conseguiu ver aplicação de marca. Estou começando uma interlocução mais positiva com o mercado. Essa mudança comercial provavelmente vai melhorar e ampliar a experiência como um todo do consumidor no carnaval. As chancelas precisam ter um valor financeiro maior do que possuem hoje. Temos que criar ativações, como nos corredores do Sambódromo, que são mortos, quando chove fica cheio de água, é feio, fede e temos que melhorar isso como um todo. É um fato, se você quer trazer as pessoas para perto, tem que fazer que se sintam bem quando chegarem na Sapucaí”.

Outros gêneros musicais nos camarotes

“Há cinco carnavais você chegava perto do carnaval e sobravam carnaval. Nos últimos anos, nós não tivemos isso, sem mudança muito significativa do poderio de vendas ou de comunicação. Os super camarotes conseguiram crescer enquanto mercado e compram os camarotes que estavam faltando. Gera dinheiro direto nas mãos das escolas. Concordo que a gente tem que atrair mais atenção para o desfile, mas não é tirar tudo que está ali atrás. Funk, sertanejo e pagode você escuta todos os dias e os desfiles só acontecem naquela hora. Como você gera mais interesse para que vejam o que está acontecendo ali? Vamos entrar em outros critérios, como a falta de comunicação. Falta mostrar o que fazemos de melhor, com mais detalhes, de forma minuciosa. O desfile criou uma distância muito grande com quem não é sambista raiz. Desde o momento um, quando o enredo é lançado, temos que trabalhar a comunicação para o engajamento das pessoas. Não podemos nos fechar só no que vivemos e presenciamos. A gente sabe como é incrível, mas precisamos mostrar para que todas pessoas vejam isso. Quanto mais experiências você puder gerar ali maior será mais o espetáculo. A Sapucaí é mal planejada e precisamos reorganizar como um todo para esse tipo de problema (vazamento do som dos camarotes para pista” não aparecer”.

Veja abaixo o vídeo completo:

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