Por Fiel Matola

Quando se fala em uma escola de samba que veio de uma torcida organizada, muitos viram a cara, porém, os Gaviões da Fiel mostraram no ensaio deste sábado, que tem como unir tudo e mostrar um grande trabalho.

Com aproximadamente uma hora de treino, a escola iniciou com o presidente Rodrigo Gonzales pedindo para todos se abraçarem, dizendo que um ensaio era um desfile para eles, que nunca poderiam esquecer a origem que é a torcida. Mais uma vez, um integrante foi homenageado, dessa vez foi Thomas, que acabara de falecer, ele que foi o compositor do primeiro break de estádio da torcida, este break que foi cantado pelo próprio presidente e intérprete.

Foi cantado o hino do Corinthians e em sequência o samba-enredo do ano, que é uma reedição de 1994. A entrada no Anhembi já foi positiva, com um início bem atuante.

Comissão de Frente

A começar pela comissão de frente, a escola emocionou, um grupo de componentes de máscaras com expressão de mau brigavam com outros que estavam com máscaras sem expressão.

Uma mulher fazia uma dança para um engravatado que esbanjava dinheiro. Em seguida, entrava em cena um componente todo caracterizado como se tivesse “banhado” à lama fazendo referência ao acidente em uma barragem em Brumadinho.

O engravatado então “bate” neste componente, passando veracidade à cena e deixando o público presente emocionado. No final, os mascarados ficam em volta do componente de lama, este que mostra sentimento de falta de ar. Um participante vestido de bombeiro carrega-o pelo braço. A comissão do coreógrafo Edgar Júnior foi aplaudida por todos. No meio da cena levanta-se um cartaz com os dizeres: “Toda fortuna do mundo não VALE uma vida… Força Brumadinho/MG!”

Mestre-Sala e Porta-Bandeira

Vestidos com fantasias, o casal Wagner Lima e Adriana Mondijan, bailaram com sincronia e tranquilidade. Ele sempre com olhar fixo para ela, com uma dança bem coreografada e sem muitos percalços pelo caminho. A fantasia deles era toda preta, a dela acendia luzes led’s vermelhas.

Harmonia e Samba

O canto da escola foi excelente, o samba ajudou, mostrando que a escolha foi certa por essa reedição. Uma obra que foi muito cantada pela torcida que estava na arquibancada. Ernesto Teixeira e sua equipe do carro de som, mais uma vez, mostraram força e boa performance. O apagão da bateria que ocorreu na frente do box que estava a torcida foi cantado por toda comunidade. Vale ressaltar que a comunidade fez bem seu papel e era difícil notar alas sem cantar, uma harmonia para ninguém botar defeito. O intérprete fez o balanço do ensaio.

“Um ensaio cheio de emoção, nós perdemos um grande colaborador da Gaviões hoje, o Thomas nosso autor do primeiro break de estádio, e isso altera ainda mais a adrenalina e a emoção mesmo sendo ensaio. Trabalho bom e perfeito, todos setores sincronizados, caminhando no rumo certo”, explicou o intérprete.

Evolução

Com um andamento bom, sem acelerações, clarões ou impressão de parada militar. O componente brincou. Vale destacar o momento do samba em que todos abrem os braços e vão para um lado e para o outro como se fossem gaviões. A diretora de harmonia, Regina Dercoli, pontuou que ainda há coisa para melhorar.

“Eu sou muito crítica, tem bastante coisa para melhorar, mas no próximo ficará 100%”.

Bateria

Mestre Ciro estava ao lado de Sabrina Sato. Ela que trajava uma fantasia prata esbanjando simpatia, e ele que estava com o rosto pintado de branco e preto como todos da bateria e alguns componentes da harmonia. A bateria teve um bom andamento e fez bonito no Anhembi, com um apagão na parte do samba “Vou, vou pra Bahia Acende a chama No terreiro de iá iá é a força da magia que me arrepia e se espalha pelo ar.”

“Estamos satisfeitos. É emocionante trazer essa reedição, passando por tudo que estamos passando, estou muito satisfeito, acho que esse ano vem coisa boa para Gaviões. O significado do nosso rosto pintado de preto e branco é que nossa raiz é da arquibancada, e o que a arquibancada faz, nós repetimos aqui também na avenida e é com a raça corinthiana que a gente vai em busca do título”.

A escola de samba Gaviões da Fiel aposta na reedição do carnaval de 1994, que traz o enredo: “A Saliva do Santo e o Veneno da Serpente”. A agremiação encerra a noite de desfiles de sábado.

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