Que Laíla foi um gênio da cultura popular e personagem fundamental na construção da identidade do desfile das escolas de samba não resta margem para dúvida. Mas como todo gênio, sua personalidade era forte e por isso o sambista, na mesma medida que espalhou admiração, despertou controvérsias e criou desafetos.

Foto: site CARNAVALESCO

A mais famosa polêmica envolvendo Laíla ainda é carregada de mistérios. Em 1989 a Beija-Flor chocou o mundo com um desfile arrebatador, ‘Ratos e Urubus, larguem a minha fantasia’. A escola tinha a intenção de levar o Cristo Redentor travestido de mendigo. A arquidiocese entrou na justiça e a imagem foi proibida de desfilar. A solução foi genial: cobrir a escultura com um plástico preto e a inscrição: ‘Mesmo proibido olhai por nós’. A ideia teria sido de Joãozinho Trinta, carnavalesco da escola. Anos depois Laíla pleteou a autoria da frase. A única pessoa capaz de responder quem é o verdadeiro criador da frase nunca se manifestou: Anísio Abraão David.

Laíla sempre demonstrou muita firmeza em seus posicionamentos, o que despertava em muitas pessoas a equivocada ideia de que o sambista tinha pouca educação. Recentemente, em mais um arroubo típico de sua personalidade, Laíla acusou o presidente da Unidos da Tijuca, Fernando Horta, de estar atuando para manipular jurados. Isso aconteceu após o Carnaval 2016, onde a Beija-Flor terminou na 6ª colocação. Horta reagiu e processou Laíla. Felizmente algum tempo depois eles se entenderam e Laíla voltou a trabalhar na Tijuca no Carnaval 2019.

Apesar de ser uma espécie de líder comunitário para os nilopolitanos, Laíla não deixou somente amigos na Beija-Flor. Durante mais de duas décadas na escola, muitas pessoas reclamavam de sua intransigência em muitos momentos. A saída de Laíla da escola, após o título de 2018, não foi pacífica e o diretor de carnaval nunca mais voltou a pisar na escola, depois de deixar a agremiação discordando dos rumos que o departamento de carnaval queria dar à escola.

Laíla tinha um conhecimento profundo de todos os processos que envolvem um desfile de escola de samba. Sua vivência valia muito mais que qualquer passagem acadêmica. Por isso suas inovações eram muitas vezes vistas como necessidades de abastecer o próprio ego, o que muitas vezes se provou equivocado. Como em 2002, quando Laíla levou o casal de mestre-sala e porta-bandeira para a parte inicial da escola. Hoje em dia, nenhum casal desfila mais à frente da bateria, como no passado.

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